Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio concede entrevista exclusiva ao diretor do Jornal da Barra, Cláudio Magnavita

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Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio concede entrevista exclusiva ao diretor do Jornal da Barra, Cláudio Magnavita

Queremos convidar toda a população a Conhecer a Linha 4

Considerado um dos expoentes da sua geração, Guilherme Walder Mora Ramalho tem 35 anos e um currículo de realizações importantes. A sua relação com o Rio remonta à sua infância. Morou no Rio até o inicio dos anos noventa, quando morou na cidade e especialmente na Barra, no Condomínio Nova Ipanema, onde sua mãe possui até hoje um apartamento.

Ele recebeu a equipe do Jornal da Barra na sede do MetrôRio, onde concedeu esta entrevista ao jornalista Cláudio Magnavita, exatamente na semana em que realizava uma grande e ousada promoção, liberou o acesso a todo o usuário da linha 4. O objetivo é promover uma degustação do trecho que foi inaugurado em etapas. ” Fizemos a ligação direta da Barra com a Zona Sul, Centro e Zona Norte, diminuímos o tempo de viagem e o intervalo entre os trens. Quem experimentar a viagem durante esses nove dias de gratuidade, vai aprovar” afirma o CEO da MetrôRio.

Magnavita: Como você vê a importância e o balanço da linha 4 dentro do MetrôRio?

Guilherme: A Linha 4 marca a união de todas as zonas da cidade pelo metrô. Com a sua inauguração, o passageiro passa a embarcar na Zona Norte, na Pavuna, e consegue chegar à Barra da Tijuca. É um marco, o Rio merecia essa expansão, pois é uma cidade, historicamente, de muito trânsito. O metrô vem para organizar o transporte: a partir do seu desenvolvimento, as pessoas têm uma velocidade maior no deslocamento, uma previsibilidade maior. Faça chuva ou faça sol, ao utilizar o sistema metroviário, as pessoas saberão o tempo que levarão até seus destinos: até o Leblon são 10 minutos, até o Centro da cidade são 30 minutos, até Copacabana são 20 minutos. O grande desafio é criar uma cultura nova para os moradores de locais como a Barra, São Conrado, que não tinham o hábito de usar o metrô.

Magnavita: A ideia da “degustação 0800” foi com a intenção de “provocar” essa cultura?

Guilherme: Esta ação tem uma forte relação com o formato de inauguração da Linha 4. O novo trajeto ficou pronto e foi inaugurado de forma restrita aos passageiros durante as Olimpíadas. Só podia usufruir da linha quem tivesse ingressos de acesso para os eventos Olímpicos e ainda era necessário pagar R$ 25 pela passagem diária. Agora queremos convidar toda população a conhecê-la. A obra do metrô teve impacto na vida de muitas pessoas ao longo dos últimos anos e acreditamos que este seja o grande momento para apresentar a Linha 4 ao carioca. Fizemos a ligação direta da Barra com a Zona Sul, Centro e Zona Norte, diminuímos o tempo de viagem e o intervalo entre os trens. Quem experimentar a viagem durante esses nove dias de gratuidade, vai aprovar.

Magnavita: Muito se fala na expansão e no crescimento do metrô para Jacarepaguá e principalmente para o Recreio. Este desdobramento é normal para a linha 4?

Guilherme: Acredito que sim. Nossa concessionária é responsável apenas pela manutenção e operação da linha, não tivemos relações com a obra. Mas, obviamente, o Metrô teve seu início na Barra da Tijuca e não tenho dúvidas de que o Governo do Estado sempre manterá o tema presente. A expansão do metrô é Barra da Tijuca adentro, ligando o Recreio e até mesmo Jacarepaguá. É uma região de grande potencial de transporte público, onde há muitos empregos e muitos serviços, e não há dúvidas de que o metrô é o transporte ideal para unir esses bairros da cidade.

Magnavita: A chegada do metrô no Recreio dos Bandeirantes, pela sua experiência, mudaria completamente a perspectiva de desenvolvimento do Recreio?

Guilherme: Sem dúvidas. O metrô é um vetor de estruturação da vida na cidade, organiza os demais transportes, o transporte individual e leva ao desenvolvimento. Onde há metrô, há maior interesse de instalação de empresas, há mais geração de empregos e prosperidade econômica.

Magnavita: Em relação à implantação da linha que leva ao Recreio, se for feita sob o canteiro da Av. das Américas, do próprio BRT, não haverá desapropriação e o processo é muito mais fácil para expansão. Hoje, por exemplo, é mais fácil estender a linha 4, devido a futuras ocupações na zona.

Guilherme: A Barra da Tijuca tem uma situação de densidade populacional diferente de outras regiões da cidade e isso facilita a realização de grandes obras, mas o Governo do Estado tem um grupo de especialistas estudando as próximas expansões do metrô. Acredito que o desafio será encontrar soluções de financiamento para essas obras, e a população certamente vai demandar e querer uma malha metroviária mais extensa.

Magnavita: Uma questão cultural, por exemplo, são os condomínios da Barra, que disponibilizam meios de transporte para suprir as deficiências de acesso do passado, e esses condomínios pagam uma fatura alta por consequência. Não seria ideal haver um trabalho para os ônibus dos condomínios, ao invés de irem até a Zona Sul, realizarem a conectividade Metrô X condomínio, de forma rápida? Não seria um desdobramento natural até mesmo para a economia dos condomínios?

Guilherme: Acredito que sim. Nós temos conversado com diversas associações de condomínios para criar as melhores condições possíveis para que os condomínios possam fazer o trajeto do condomínio até a estação de metrô e, no fim do dia, o caminho inverso. Isso elevará a economia de custo para todos os condôminos, não somente para os que utilizam o transporte, mas para os que também não o utilizam em seu dia a dia, e vai melhorar a qualidade de vida no bairro como um todo: haverá menos carros, ônibus, e o metrô vai cumprir sua proposta de transportar as pessoas com agilidade e previsibilidade.

Magnavita: O pioneirismo do Metrô do Rio de Janeiro desenvolveu uma cultura técnica. Como você encontrou o quadro técnico do Metrô do Rio de Janeiro? Qual é a sua avaliação desta cultura que já está na segunda ou terceira geração?

Guilherme: O metrô do Rio entende que seu desafio não é transportar o passageiro como se ele fosse carga. Tratamos nossos passageiros como clientes, com respeito, e isso é comprovado pelas pesquisas de satisfação que fazemos. 95% dos passageiros aprovam o metrô do Rio e o indicam ou indicariam a amigos e familiares. Essa é a principal cultura que vejo na casa e o ponto de partida do nosso trabalho: sempre atender às pessoas com cordialidade, com informação disponível e respeitando o nosso passageiro, para que ele volte e utilize o tempo que passa no metrô de maneira útil e produtiva.

Magnavita: Gostaria que você informasse alguns números por trás do metrô, que não temos acesso. Como o número de profissionais. Quantas pessoas estão envolvidas no Metrô Rio?

Guilherme: É uma ótima pergunta. Há um mundo por trás do metrô. O metrô funciona 24 horas por dia, nós operamos das 5h da manhã até a meia-noite, que é quando o último trem sai dos terminais, mas as composições rodam até 1h da manhã. E durante a “janela” de três, quatro horas, na madrugada, é feita nossa manutenção. A equipe do MetrôRio hoje é composta por 2.850 funcionários que se dividem nesses três turnos; ações de manutenção, operação e planejamento. São 58 km de via, 258 km de trilhos, 41 estações e um parque de equipamentos que, muitas vezes, as pessoas não conhecem. São 64 trens, 386 carros, 214 escadas rolantes, 79 elevadores, 21 esteiras rolantes e 93 subestações de energia elétrica. O MetrôRio consome energia suficiente para alimentar uma cidade de 100 mil habitantes. Ou seja, há um mundo que o passageiro não vê, mas permite que o metrô rode todos os dias com segurança, levando as pessoas para todos os lados da cidade.

Magnavita: Quantos funcionários foram agregados à sua estrutura com a entrada da linha 4 em operação?

Guilherme: Foram 450 contratados para a Linha 4.

Magnavita: E ainda em relação aos números do Metrô-Barra; tem atendido ao desempenho previsto?

Guilherme: A Linha 4 teve o início da sua operação efetiva no dia 25 de março, quando eliminamos a baldeação em General Osório. Desde então, o crescimento tem sido muito bom. Desde o dia 25 tivemos um crescimento de passageiros superior a 25%. Na segunda-feira, dia 10 de abril, transportamos 167 mil passageiros, um recorde! Antes da interligação, a média diária estava em 110 mil passageiros por dia útil, e esse desenvolvimento é a tendência natural de linhas novas. É uma linha que terá, ao longo de seus primeiros três anos, um processo de maturação.

Magnavita: Nesta semana tivemos um problema pontual. Já que estamos no factual, como esclarecer o ocorrido?

Guilherme: O que houve foi um pequeno problema de energia elétrica, na estação Jardim Oceânico, e foi prontamente resolvido. Um sistema que funciona 24 horas deve ter velocidade de reação e transparência na comunicação, problemas operacionais podem ocorrer em qualquer ramo da atividade humana. No serviço público, e no MetrôRio, nosso compromisso é de comunicar e agir o mais rápido possível para que as pessoas tenham sempre boa qualidade no seu transporte.

Magnavita: Não posso encerrar a entrevista sem antes falar sobre turismo, sobretudo a questão do estrangeiro a bordo. Informes bilíngues

Guilherme: Sem dúvida! O Rio é uma cidade turística, de grande vocação turística, e, sem dúvida, após a experiência da Copa do Mundo e das Olimpíadas, esse potencial vai crescer e ser melhor explorado. Além do mais, o metrô do Rio aprendeu a lidar com grandes eventos, e quem lida com vários eventos, aprende a lidar com turistas, passageiros com diversas necessidades diferentes. Não há a menor dúvida de que com o passar do tempo nós vamos aperfeiçoar essa operação.

Magnavita: A Barra, em setembro, estará recebendo atenções para o Rock in Rio. A melhor solução para chegar até o evento é de metrô?

Guilherme: Eu diria que é a única solução, praticamente. Nós firmamos uma parceria com o Rock in Rio, e o metrô será o meio de transporte oficial do Rock in Rio, em parceria com o BRT. As pessoas terão o mesmo padrão de qualidade que tiveram durante as Olimpíadas e poderão, com segurança, ir para o evento e voltarem a hora que quiserem. A estação Jardim Oceânico ficará aberta 24 horas, com muita segurança, para que as pessoas se preocupem apenas em curtir o evento. As demais estações funcionarão apenas para desembarque.

Magnavita: No exterior há um ticket que vale para vários dias – como em Paris, por exemplo. Nós tivemos isso durante as Olimpíadas, vocês pensam em um ticket que possa atender, especificamente, o seguimento do turismo?

Guilherme: Com certeza. Ainda nos próximos meses devemos lançar um produto nessa linha, voltado para o turista que passa alguns dias no Rio de Janeiro. Nós temos que facilitar a vida desse turista que traz mais recursos, gera empregos na cidade.

Magnavita: O impacto do Metrô na hotelaria da Barra foi extraordinário. Há números que comprovam que os turistas não se sentem mais isolados. Você tem visto esse segmento?

Guilherme: A gente percebe pelo fluxo de passageiros nas estações. Hoje o turista que fica hospedado na Barra está mais próximo ao Leblon do que aquele que está em Copacabana, em termos de tempo de deslocamento. Então acho que o metrô abre uma nova realidade, um novo tempo para o turismo e para a atividade econômica na Barra da Tijuca.

Magnavita: Finalizando, uma mensagem final aos moradores da Barra e um convite para que conheçam o Metrô.

Guilherme: Nós agradecemos primeiramente pela recepção que tivemos, os moradores da Barra têm sido bastante generosos, experimentado nosso sistema, e queremos que todos usem cada vez mais o metrô não apenas para ir para o trabalho, mas também para seu lazer. A natureza de um serviço como um metrô é facilitar a vida das pessoas. Nós estamos abertos a receber sugestões de melhorias e queremos vê-los no nosso metrô todos os dias.

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