O dia que a Barra parou…

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O dia que a Barra parou...

Por Miguel Morelli
Bacharelando de Ciências Politicas da UNIRIO

Parece que foi ontem o momento de êxtase que o estado do Rio de Janeiro viveu com o  maior evento esportivo do planeta, tudo funcionava. Aqui na Barra, centro de todo o evento, subimos ao patamar de capital do mundo, onde tudo pulsava positivamente, e as demandas básicas de toda cidade que se considera mundial pareciam ser atendidas.

Passados quase um ano dos jogos, nossa ineficaz administração pública mostra novamente suas garras. Um belo exemplo disso se deu na última sexta feira 7, onde depois de uma morte na comunidade Cidade de Deus, moradores fecharam a linha amarela nos dois sentidos. Somou o já elevado trafego de sexta-feira, com as manifestações, e BINGO, a cidade do Rio entrou em estado de alerta, causando um nó para quem precisava se locomover nas vias cariocas.

A Barra literalmente parou. Da rua João Cabral de Mello Neto a Avenida Embaixador Abelardo Bueno, um percurso de menos de dois quilômetros foi feito em uma hora.

A crise das instituições públicas que vivemos é agravada pela ebulição do caldeirão popular. Os menos favorecidos convivendo com a falta do estado em suas comunidades, produzindo profissionais do crime por falta de oportunidade, que praticam seus delitos nos cidadãos de bem sejam eles ricos ou pobres que sustentam a si, suas famílias e as necessidades básicas que deveriam ser garantidas segundo a constituição. Essa população cobra com razão de uma polícia presente, porém despreparada, mal paga, com salario fracionado. É uma guerra que nunca terá fim. Detemos também o vergonhoso recorde de policias assassinatos. Números de uma verdadeira guerra urbana.

Infelizmente perderemos muitas gente em vão, a vida foi banalizada. As muitas horas no transito foi uma demonstração visível do colapso das nossas instituições e do colapso social que poderemos viver se nada for feito. Nos resta desabafar, depois de perder a paciência e ir brigar nas redes sociais. Estamos virando reféns de um colapso provocado pela falência do estado e pela imobilidade de uma administração municipal neófita em administrar o caos.

Até quando seremos feitos bobos por um grupo de gestores que cada vez mais trocam o noticiário politico pelo noticiário policial.

Se o nó dado no transito da Barra naquela fatídica sexta ocorresse na Olimpíada passaríamos um vexame internacional. O cenário é o mesmo. Será que desaprendemos a exigir um estado presente e um governo que funcione?