Fátima, ela não fala mas convence!

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Fátima, ela não fala mas convence!

Muitos de nós reforçamos nossa fé e nossa devoção nos momentos mais difíceis e aflitivos. Afinal, é natural que um filho se socorra de sua mãe nos momentos angustiantes e de preocupação. Desde muito pequeno aprendi a história dos 3 pastorinhos que na localidade chamada Cova da Iria, próximo à Fátima, entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917 presenciaram as várias manifestações conhecidas por “aparições de Fátima”. Tive ainda a oportunidade de ler e reler algumas vezes a obra “Memórias da Irmã Lucia”, onde a vidente relata de forma detalhada as suas visões, as suas conversas e a sua experiência ao lado dos primos Jacinta e Francisco, bem como o sofrimento vivido à época pelas crianças, que não tinham o crédito das pessoas locais. Nesse mesmo local, onde eram cultivadas as hortas dos pais daquelas crianças e que servia de local de pastoreio para o rebanho de ovelhas, hoje está o Santuário de Fátima, uma das principais localidades visitadas pelos brasileiros, que anualmente recebe mais de 6 milhões de visitantes e que este ano recebe o Papa Francisco, justamente quando comemoramos o centenário das aparições de Fátima. E como entre Brasil e Portugal nem tudo são coincidências, também em 2017 comemoramos no Brasil os 300 anos da pesca milagrosa da imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba.

Mais tarde, já no Turismo de Portugal, tive a feliz oportunidade de acompanhar dezenas de agentes de viagens e jornalistas à Fátima, fiz a reconstituição dos fatos inúmeras vezes, tive acesso a documentos (cartas, recortes de jornais da época, depoimentos, …) e tive também a felicidade de ter em minhas mãos o terço e o lenço que o Papa João Paulo II deixou ao Santuário de Fátima após a sua morte, pois eu estava em Fátima no momento em que chegou a caixa vinda do Vaticano.

Em 2000, acompanhei a Imagem Peregrina de Fátima que percorreu todas as capitais brasileiras por ocasião das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Do Oiapoque ao Chuí, vivi de perto as mais variadas e calorosas manifestações para receber a Imagem Peregrina; senti na pele o calor humano do brasileiro e entendi o ditado popular “santo de casa não faz milagres”, afinal, o Brasil tem 274 paroquias dedicadas à Nossa Senhora de Fátima. A Imagem foi sempre recebida por multidões em aeroportos e nos trajetos urbanos, visitada de forma ininterrupta, dia e noite, por devotos de todos os sotaques e também de todos os credos, afinal, mãe é mãe. Foi manchete dos jornais, transmissões nas emissoras de rádio e extensas reportagens nas emissoras de televisão. Lembro-me como se fosse ontem que um dos jornais de São Paulo destacou um repórter para fazer a cobertura jornalística da passagem da Imagem pela cidade. Durante a deslocação ele declarou-se agnóstico. Num primeiro momento fiquei preocupado, mas depois, entendi perfeitamente o interesse editorial do Jornal em dar a visão de alguém que certamente seria imparcial. A minha surpresa veio no momento em que, na semana seguinte, conclui a leitura da matéria publicada. Para além de um relato impecável, permeado de depoimentos e impressões de pessoas comuns, sobre fatos comuns, o jornalista encerra o seu texto da seguinte forma: “Ela não fala mas convence.”

Mais tarde, fui desafiado pelas apresentadoras Hebe Camargo e Ana Maria Braga para organizar em Fátima a “Missa da Esperança”. Ana Maria tinha concluído recentemente um tratamento para debelar um câncer e na véspera desse desafio ela tinha aberto a edição do projeto “Criança Esperança” dizendo “meu nome agora é esperança.”

Nesse mesmo ano, uma multidão em todo o Brasil reuniu-se nas Paroquias de Nossa Senhora de Fátima no mesmo momento em que a Ana e a Hebe estavam no Santuário de Fátima, no bairro do Sumaré em São Paulo, participando ao lado de dezenas de artistas e milhares de devotos na primeira iniciativa da Missa da Esperança. No ano seguinte e por mais 4 anos consecutivos, a Ana deslocou-se à Portugal convidando cantores e personalidades brasileiras para participarem no Santuário de Fátima da “Missa da Esperança”, que na última edição reuniu mais de 180 mil fiéis e foi transmitida para mais de 180 países pela Televisão Portuguesa e no Brasil pela Globo e Rede Vida. Pela primeira vez, cantores atuavam numa manifestação religiosa em Fátima (Fafá de Belém, Padre Antonio Maria, Maria Bethania, Sérgio Reis, Ângela Maria, Joanna, Elba Ramalho, e os portugueses Roberto Leal, Marco Paulo e Katia Guerreiro.

Se o Brasil dedica centenas de suas paroquias à Fátima, no Rio de Janeiro encontramos uma situação especial. Berthaldo Soares, fundador do Movimento Tarde com Maria, devoto de Nossa Senhora de Fátima, não poupou esforços para construir uma réplica da Capelinha das Aparições existente no Santuário de Fátima em Portugal, milimetricamente reproduzida no Recreio dos Bandeirantes, onde semanalmente recebe milhares de fiéis devotos.

Altar do Mundo, caminho da fé, mundo de esperança, seja qual for o nome que queiramos atribuir à Fátima, há sempre naquele local uma sensação de paz e de proximidade com o sagrado que nos faz acreditar no futuro, que nos traz alento e confiança, mas que acima de tudo, nos faz sentir filhos de uma mãe bondosa e protetora.

Paulo Machado
Vice-Presidente da Casa de Portugal de São Paulo

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