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Tribuna da Cidadania de julho

 

Diversas manifestações, feitas no correr dos últimos anos, deixavam transparecer nossa pequena expectativa em ações governamentais que revertessem a sensação de insegurança do carioca. Os delinqüentes dominavam baseados em morros e comunidades carentes, financiados pelo tráfico de drogas e o contrabando de armas. As estatísticas chegaram a números alarmantes e atingimos um clima que causou clamor de todos os segmentos da sociedade e da imprensa em geral em todos os cantos do Rio.


Nossos índices de criminalidade estavam próximos das piores cidades do mundo quando o Governo Estadual resolveu entrar de cabeça para resolver o grande problema que já prejudicava as atividades econômicas do município do Rio. Um estudo da Fecomercio, feito em 2008, mostrava a enormidade da agressão ao comércio que redundava em queda de movimento de vendas, com a conseqüente redução no recolhimento de impostos.

 
Foi quando a Secretaria de Segurança a frente a este competente Delegado Federal, Dr. José Mariano Beltrame, figura impoluta e verdadeiro conhecedor de sua profissão, resolveu investir em tecnologia e na intervenção direta nas regiões, até então dominadas pelo crime. Criou as UPPs, pequenas unidades pacificadoras, composta de policias recém incorporados à PM e com uma formação mais humanista e cidadã, fazendo a integração comunidade-polícia. Ao lado da ocupação pacífica dos militares, chegava a complementação do trabalho do Estado nas áreas de saúde e educação.


Uma população carente e acuada pela bandidagem passou a receber assistência social, médica e educacional. A PM, dentro da sua missão de polícia preventiva passou a resolver pequenos problemas domésticos e de vizinhança, encaminhando às autoridades competentes aqueles que fugiam de sua alçada. O Estado se fez presente e expulsou o meliante que tanto explorava o trabalhador honesto residente nestes locais. Simultaneamente a Secretaria de Segurança passou a investir na tecnologia e no aprimoramento do material humano, buscando a assessoria de firmas e técnicos de outros países: Rússia, Israel e Estados Unidos. Estas parcerias trouxeram para o Brasil o computador de mão: o policial na rua consegue em tempo real, informações sobre elementos suspeitos e veículos roubados ou em situação irregular. Está em teste um centro móvel de imagens com uma câmera israelense, que consegue captar imagens, a quilômetros de distância e transmiti-las à sala de monitoramento dos batalhões da PM. Aparelhos dotados de laser podem determinar trajetória de balas e localização dos atiradores.


Os policiais civis e militares que estão sendo admitidos já vêm preparados para utilização de moderna tecnologia. Recentemente um policial carioca foi o primeiro colocado em um curso da SWAT e agora ele está incorporado ao CORE. Nos próximos meses vamos ter mais novidades, uma vez que os técnicos da policia estão em freqüentes contatos com engenheiros israelenses para a importação de métodos avançados de localização do criminoso e sua busca e prisão. Uma luz no fim do túnel.
 
  

 

 

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Kleber Machado

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Riscos Ambientais da Baixada de Jacarepaguá

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Já se pensa nos próximos 10 anos (2011-2020) da Baixada de Jacarepaguá. Existe preocupação com os riscos de desastres ambientais tendo em vista os inúmeros exemplos e acontecimentos dos últimos anos. Os escorregamentos de encostas de Angra em janeiro. As enchentes e as ressacas em abril. Os incêndios do Parque da Catacumba e do Morro dos Cabritos em junho. Parece que a cada 2 meses é obrigatório haver manchetes de perdas de vidas humanas e de patrimônios duramente conquistados ao longo de uma vida. Todos estes desastres ambientais no primeiro semestre de 2010 são prenúncios dos riscos ambientais para a próxima década. Até agora tais desastres transcorrem e são noticiados como se a população vitimada pudesse absorver de uma forma mansa e passiva.

 

Sem a cobrança de responsabilidades os prejuízos são pulverizados na própria sociedade, que tem consciência do problema, contudo desconhece a razão e não vê a solução. Sabe-se que a razão mais óbvia das causas dos desastres ambientais advém das mudanças climáticas que alteram rapidamente o seu padrão de ataque, com chuvas mais volumosas, ressacas mais agressivas, ventos mais fortes e calor mais intenso. Contudo, a razão menos evidente das causas dos desastres ambientais tem origem da ânsia do homem por um desenvolvimento fácil e sem compromisso com as características ambientais locais. A sociedade tem memória curta e os governantes só tem visão para um mandato de 4 anos. Por outro lado, a natureza e principalmente as cidades, reagem com intervalos superiores a que a nossa memória costuma lembrar e dos mandatos políticos.

 

Assim, todas as reações adversas de escorregamento de encostas, colapso de edificações costeiras e enchentes nas baixadas urbanas de hoje, com certeza têm origem nas decisões erradas de 10 a 30 anos atrás. No momento atual quando desenvolvemos um novo código florestal pensando mais nos interesses de determinados segmentos da sociedade e desprezando as leis que regem o equilíbrio natural, estamos contribuindo para a potencialização dos desastres ambientais dos nossos netos. Quando desenvolvemos um Plano Diretor para flexibilizar a ocupação das encostas estamos ludibriando os futuros ocupantes dos morros. Se permitimos a edificação em áreas muito próximas a linha d’água sem respeitar a Faixa Marginal de Proteção de rios e principalmente dos oceanos,  vamos com certeza ter o que lamentar.

 

Permitir a ocupação das vargens (terreno baixo e plano sujeito à inundação durante a estação úmida; definição de dicionário) sem promover a garantia de estar livre de inundações é, no mínimo, falta de probidade administrativa. Enquanto se discute outro Plano Diretor para ocupação das vargens (Grande e Pequena) ninguém se preocupa  para a dragagem do Canal do Rio Morto ou de Sernambetiba. Nem mesmo a manutenção da embocadura do referido canal, que se encontra assoreado e obstruído, está previsto. A construção de um guia corrente é urgente para manter permanentemente aberto o escoamento das águas interiores que inundam as vargens quando da época das chuvas. Da mesma forma, uma imediata ação de desassoreamento da rede de canais artificiais construídos na década de 1970 para drenar as águas das vargens (Pequena e Grande), deve ser conduzida.

 

Se existe vontade política de fazer “bondades” para flexibilizar a ocupação das vargens, é preciso ter responsabilidade para saber como pagar a conta das intervenções com objetivo de criar a segurança ambiental necessária. O papel aceita qualquer bobagem humana. Antes, quando não havia plano diretor exequível e a ocupação era ilegal e sem controle, as camadas mais pobres e desavisadas é que pagavam a conta da natureza. Agora, ao escrever um plano diretor desconhecendo ou desprezando as leis da natureza, as consequências serão ainda maiores. A triste diferença é que além da sociedade informal (favelas), a sociedade dita formal também vai pagar pela conta que a natureza irá cobrar. Nos próximos 10 anos (2020) a população  da Baixada de Jacarepaguá irá pular dos atuais 700.000 habitantes para a casa de 1 milhão. Com isso, é inexorável a pressão urbana por serviços para manter a nossa qualidade de vida. Deixar por conta da natureza o planejamento correto do crescimento da cidade não vai dar certo e isso é perceptível para qualquer leigo. O poder público deve estar preparado para inovar a gestão urbana, criando novas estratégias e equipamentos urbanos que considerem também as características ambientais locais. Não é preciso dizer que se  continuar com a mesmice de uma gestão pública ultrapassada a tendência é o fracasso e o sofrimento de muitos.


Quando se fala do poder público não se refere apenas ao Executivo, mas principalmente ao Legislativo e ao Judiciário. Tendo-se  também em mente que a vontade política começa com a opinião pública, cabe às lideranças comunitárias estimular a reflexão por parte da sociedade para uma maior participação, evitando-se a omissão e muito menos a reclamação estéril além, é claro, de pensar mais no coletivo e menos no individual.o escrever um plano diretor desprezando ou desconhecendo as leis da natureza, tambem desprezando as leis que regem o equilibrio. Dentre os riscos ambientais eminentes que podem se abater na Baixada de Jacarepaguá estão as enchentes, os deslizamentos de encostas, os incêndios florestais, a erosão das praias, o colapso das edificações costeiras e a eutrofização das lagoas. Ao analisar estes potenciais desastres ambientais percebe-se rapidamente que quanto maior for a densidade ocupacional e a falta de cuidados em considerar as variáveis ambientais durante o projeto, tanto maior serão os prejuízos materiais e as perdas de vidas. Portanto, ficam relativamente óbvios os locais de maior risco.

 
Desenvolver um mapeamento qualitativo das áreas potenciais de acidentes ambientais (fragilidades) é a primeira intervenção a ser feita. A seguir, diagnosticar os cenários ambientais extremos passíveis de ocorrer em função da evolução dos fenômenos climáticos, tais como as ressacas, as chuvas, o calor e os ventos. Por fim avaliar o grau de exposição das inúmeras áreas densamente ocupadas, pelas forças climáticas. A interação entre as fragilidades de cada  local, com os diversos cenários climáticos e com o grau de exposição de cada local analisado compõe  o nível de risco de acidentes ambientais. O mosaico de riscos ou sensibilidade a acidentes ambientais compõe o mapeamento de riscos ambientais de uma determinada região. Sem este mapeamento diagnóstico fica muito difícil realizar um planejamento eficaz para a adaptação da cidade a uma nova realidade ambiental para a Baixada de Jacarepaguá na próxima década.


Prof. David Zee
Vice Presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca

 

 
O Brasil e os desastres

Dentre os direitos coletivos e individuais do cidadão, um dos mais importantes e que se destaca mesmo como fundamental, é o direito à vida. Promover o direito à vida e ainda, garantir a incolumidade dos bens, é dever do Estado e responsabilidade de todos. A expectativa destes direitos acima referidos, por parte da comunidade nos momentos aflitivos, tem sido atendida pelo Sistema de Defesa Civil, que em última análise, sintetiza a sua nobre missão, justamente na salvaguarda de vidas e de bens consubstanciando o que o mundo moderno denominou de “PROTEÇÃO CIVIL”.


Os recentes acontecimentos na Região de Angra dos Reis, nos remete ao passado e a todas os passos que trilhamos em trabalhar na prevenção e na redução dos efeitos de desastres dessa natureza. Mundialmente, o conceito de Defesa Civil possui carater muito mais amplo e abrangente do que apenas a prestação do socorro imediato nas situações emergenciais. Ele engloba as atividades de PROTEÇÃO CIVIL em tempo de paz e de DEFESA PASSIVA em tempo de guerra, envolvendo uma atuação de forma eficaz com vis-tas não só a salvaguarda de vidas e de bens mas também na continuidade dos serviços essenciais a comunidade, na manutenção do moral social da população e , ainda , na melhoria da qualidade de vida , com ênfase na preservação do melo ambiente ecológico.
 
Ao longo dos anos estabeleceu-se na cultura popular, o mito de que “o Brasil é uma terra abençoada, onde não ocorrem  grandes desastres”. Tal mito poderia até ser considerado válido, caso resolvêssemos comparar a magnitude dos nossos desastres aos ocorridos em outros países, como por exemplo, as Filipinas, o Japão e até os EEUU, onde terremotos, vulcões e furacões fazem parte do cotidiano e deixam um saldo considerável de mortos. No caso do Brasil, vendo sob outro ângulo, esse mito torna-se totalmente equivocado.

 

Na realidade desastres de grande magnitude não ocorrem no Brasil, entretanto, no dia a dia o país sofre a constante ação de desastres de menor magnitude, porém de grande impacto, tanto em termos de perdas de vidas, sofrimento humano, incapacitações definitivas ou temporárias, prejuízos econômicos, de produtividade, culturais, históricos e ambientais, não raro de cunho irreparável. Relembrando alguns exemplos, relativamente recentes, tivemos as constantes paralisações da Cidade do Rio de Janeiro em decorrência da ação das chuvas, agravadas pelo fenômeno El Niño, a discussão sobre as causas e as responsabilidades do desabamento do Edifício Palace II, na Barra da Tijuca, e a destruição total por um incêndio do Aeroporto Santos Dumont, já reconstruído, tudo isso trazendo ao nosso Estado e ao nosso País um conjunto de prejuízos de proporções incalculáveis. Como não poderia deixar de ser, são desastres que devido a forma como ocorreram, geraram uma considerável repercussão pelos meios de comunicação, mas com base no já anteriormente dito, são desastres de menor magnitude mas com grande impacto.

 

Analisando mais detalhadamente o noticiário cotidiano dos jornais, vemos um considerável numero de vitimas, e um valor significativo de vidas humanas ceifadas ou mutiladas, por acidentes de trabalho  (principalmente devido a quedas de construções), acidentes de transito (agora em números um pouco menores em decorrência de uma firme política de redução desse tipo de desastre, com a implementação do novo Código Nacional do Trânsito), acidentes domésticos (principalmente com crianças que ingerem produtos tóxicos, acidentes com armas de fogo ou ainda vítimas de espancamento e outras atrocidades). Esses números refletem uma triste realidade nacional. Caso queiramos ter uma visão ainda mais próxima da dramática situação, basta ficar apenas uma hora, parado na entrada de um Pronto Socorro Metropolitano do tipo Souza Aguiar ou Miguel Couto, vendo o que por lá acontece, e aí teremos a exata dimensão dos fatos. Com a aceitação do primeiro mito, fica  muito mais coerente à população de mais baixa renda, e indubitavelmente uma parcela cada vez maior de nossa população nacional, a gerar um segundo mito com relação a ocorrência de determinados desastres, que é : “Isto ocorreu por que Deus quis ou é castigo de Deus..”, temos como exemplo mais eloqüente , a ocorrência das enchentes de 20 de Janeiro de 1967, que se abateram sobre o então Estado da Guanabara, deixando cerca de 300 mortos (a grande maioria proveniente do desabamento de dois edifícios de uma casa e dois prédios entre as ruas General Glicério e Belizário Távora nas Laranjeiras), quando a crendice popular justificou que as enchentes ocorreram em virtude do Governador na época ter cancelado o feriado relativo ao dia do padroeiro da cidade – São Sebastião, no dia 20 de Janeiro. Não que se descarte a influência destes fatores metafísicos na ocorrência dos desastres, mas os desastres sem nenhum medo de errar ou pecar, são geralmente em sua quase totalidade causados ou senão agravados pela ação do homem.

 

Há uma cultura nacional de que “As pessoas só acreditam no desastre quando ele ocorre”, e isto é uma verdade, mais especificamente quando falamos em termos do Brasil, a falta de uma consciência política  e popular com relação ao problema mantêm-se presa a mitos como os já citados. A falta de uma base de dados sobre a ocorrência dos desastres no Brasil seus danos e conseqüências contribuem muito para que esse quadro evolua cada vez mais.Como todo e qualquer país em desenvolvimento, há no Brasil, um processo lento  de implementação de técnicas modernas de minimização de efeitos e redução de  desastres, com isto faltam condições de proteger grande parte da população vulnerável (geralmente a mais carente ) , tornando-se o escopo das ações , mais emergenciais do que preventivas.

 

É importante termos em mente algumas definições:A primeira é de que o desastre é um resultado de eventos naturais ou humanos sobre um ecossistema vulnerável, causando danos humanos, ambientais e conseqüentes prejuízos  econômicos, culturais e sociais. (conforme definição do Departamento de Defesa Civil do Governo Federal e de uso nacional ).  Este por sua vez se divide em dois tipos principais – Naturais e Humanos: Os Desastres Naturais – São aqueles causados pela natureza dentro de um processo de evolução, adaptação ou modificação na estrutura climática ou da crosta terrestre, sendo a cada dia que passa mais  agravados quanto à sua ocorrência, pela ação do homem sobre o meio ambiente. Fazem parte deste tipo os Vulcões, Furacões,Chuvas Intensas, Secas, Terremotos etc. (mundialmente catalogados existem em um total de 19 tipos destes desastres, ocorrendo no Brasil 13 tipos destes).  A importância destes desastres é considerada tão grande, bem como seu impacto sobre o desenvolvimento das nações, que levou a ONU Organização das Nações Unidas, em sua 42ª Assembléia 11 de Dezembro de 1987, por intermédio da resolução nº 42/169, a designar a década de 90 como a Década Internacional para a Redução dos Desastres Naturais, conhecida como IDNDR (International Decade for Natural Disaster Reduction), década esta em que todos os países do mundo deveriam desenvolver programas de divulgação, pesquisas e treinamento com o objetivo da redução destes tipos de desastre, no Brasil, nada aconteceu, sequer as autoridades tomaram conhecimento disso; Os Desastres Humanos – São aqueles em que o homem é o principal protagonista e estes se dividem em: Sociais – resultantes da incapacidade do ser humano conviver em harmonia e de forma racional com os demais, gerando os mais diversos conflitos sociais, têm-se  nesta subdivisão os exemplos das guerras, guerrilhas, fome, terrorismo, violência generalizada, desemprego maciço e etc.


Biomédicos – decorrentes de ações de desequilíbrio entre o homem e si mesmo, o meio ambiente e os seres vivos originando manifestações tais como: AIDS, dengue, malária, gripe suína, pragas, epidemias, pandemias e etc... Tecnológicos – resultantes da incapacidade do homem em respeitar os limites impostos
pelo uso da tecnologia e o desconhecimento dos riscos associados ao seu emprego. Aí temos como principais exemplos: os acidentes de trânsito, os colapsos estruturais, os incêndios, os acidentes industriais, a poluição, acidentes com produtos perigosos e etc....Nesta abordagem é importante citar o
estudo feito por Glickman, em 1993, colocando o Brasil em segundo lugar no ranking mundial dos países que na década de 80, causaram mais mortes em decorrência de substâncias perigosas , contribuindo para esse índice o acidente de Vila Soco, em Cubatão, em 25 de fevereiro de 1984, quando morreram aproximadamente, segundo dados oficiais 508 seres humanos(até hoje um valor questionável), só superado pelo o vazamento de Metilisocianato (MIC), no
mesmo ano em uma empresa da Union Carbide em Bophal na Índia, onde morreram de 2.500 a 10.000 pessoas.


É preciso que o Brasil dê a devida atenção a estes fatos. É chegada a hora de livrar- se dos velhos paradigmas de como lidar com os desastres nesse país, e investir de forma mais ampla no campo da redução de desastres, quer em termos financeiros, quer em termos tecnológicos, ou ainda pela simples tomada de consciência para com essa realidade, por meio alguns passos fundamentais a seres dados, o quanto antes, tais como:

 

1) A criação nos currículos universitários  de uma matéria associada ao estudo dos desastres, principalmente nos cursos de engenharia e arquitetura;
2) A implantação nas escolas de 1º grau de todo o país, de matéria relativa à Proteção Civil (Defesa Civil), levando - se em conta que as crianças, são sempre vítimas em potencial em qualquer desastre
3) A criação dos Centros de Estudos de Desastres, nas universidades, que sirvam de suporte e forneçam todos os subsídios através da pesquisa, testes e do desenvolvimento de tecnologias aos Corpos de Bombeiros e organizações de Defesa Civil em nosso país;

 4) A implantação de um Sistema Nacional de Informações sobre Desastres, a partir dos municípios, para constituir – se – ia numa base de dados de consideráveis dimensões, onde todos os registros das principais ocorrências ficariam lá armazenadas,  por categoria de ocorrência, sendo de especial interesse para a consulta de vários setores, desde a imprensa até as Companhias Seguradoras as quais reveriam seus índices não com base em valores
e dados internacionais.
5 ) Incentivo e isenção fiscal às empresas fabricantes, distribuidoras, prestadoras de serviços ou revendedoras de equipamentos de emergência, desde viaturas , instalações de dispositivos de prevenção ou de redução de desastres à equipamentos de emergências medicas e equipamentos de proteção individual, com o objetivo do fortalecimento desse mercado tão enfraquecido atualmente, em nosso país.
6) A criação de uma Lei de Compensação contra Desastres, onde as pessoas, propriedades produtivas e os meios de produção, quando afetadas em decorrência de Desastres de origem Natural ou Humana tenham uma parcela de sua perda ressarcida pelo Governo, através da criação de um Fundo Especial de Compensação , a exemplo do que existe em diversos países, contribuindo para manter o desenvolvimento do país , sem quebras de fluxo de produtividade direta ou indireta que refletirão meses depois, trazendo impacto sobre a economia, local, estadual e até nacional;
7) Por fim a aquisição ou adaptação em carater de urgência de aviões com a finalidade de Combate a Incêndio Florestal, com o objetivo de montar ema esquadrilha de Combate a Incêndio Florestal, com aeronaves baseadas em cada uma região brasileira (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste) tendo uma atuação mais rápida a nível regional, e ainda serviriam de reforço a outra região afetada, uma vez que o nosso maior patrimônio - as florestas.


É importante que o quanto antes seja implementadas ações e desenvolvidos programas contra desastres, isto porque uma realidade inexorável nos mostra que há dois vetores em pleno desenvolvimento, - um o do crescimento da população (principalmente nas áreas carentes dobrado a cada sete anos, segundo os dados contidos nos relatórios UN World Population Prospect, 1989, pags. 30-31 e UN World Demographic Estimates and Projections, 1988 da ONU), e outra pela ocupação desordenada do solo em locais de elevado risco, produzindo um impacto ambiental maior, criando assentamentos de forma predatória , não planejada que dificultam a ação das organizações de socorro, como hoje já acontece, principalmente nas favelas em que o atendimento a qualquer tipo de emergência, seja ela médica, de resgate ou de combate a incêndios é algo problemático.


Por falta de cultura prevencionista, os  programas de urbanização de áreas carentes, tipo Favela - Bairro, Cingapura, PAC e outros, feitos por políticos, nos deixam dúvidas se estão sendo elaborados levando em conta a análise confiável da estabilidade e permeabilidade do solo, e a proteção civil da população na medida em que podem não considerar até a possibilidade de facilitar o acesso a qualquer tipo de socorro a ser prestado na ocorrência de algum fato adverso que venha a ocorrer na área. Esta é, portanto, uma responsabilidade do poder público, que os profissionais de Defesa Civil, durante vários anos tentam sensibilizar, para obter o respaldo legal em todos os níveis do governo a partir do federal, contemplando nossa Constituição com princípios básicos de uma Política Nacional de Defesa Civil e a partir daí inserir esta importante função de governo nos programas sociais.


Cel BM RR Abilio Monteiro Brandão
Técnico Superior de Defesa Civil
Curso de Administração de Desastres APD/SEDC/USAID

 

 
Tribuna da Cidadania de junho

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS), divulgada pela revista VEJA, desmente a teoria de alguns arquitetos e urbanistas de que “a Barra é um bairro de ricos”.  E também revela que, curiosamente, a maioria dos que desejam mudar para a Barra não mora na Zona Sul nem é formada por pessoas com mais de 24 anos.  Ou seja, a Barra não é sonho dos mais ricos, mas sim dos moradores de outros bairros – que afirmam gostar de ir ou morar lá – e é sonho dos que mais têm direito a sonhar.


Todos os números da pesquisa confirmam e justificam a frase final da reportagem de Veja: “Não há o que discutir. Por mais que os moradores da Zona Sul ainda a considerem um corpo estranho, um lugar diferente, ali está o futuro da cidade”.  Exatamente o que Lúcio Costa imaginou em seu Plano-Piloto, “o maior bairro oceânico do mundo”.


No legado de Lúcio, o projeto da Barra ocupa um lugar pelo menos tão importante como o que Brasília está agora exaltando em seu 50º aniversário.  E deve ser igualmente preservado como natural área de expansão urbana organizada, com regras claras de convivência entre moradias e locais de atividade econômica e profissional.  Isso exige não só vigilância do poder público, mas também um programa de obras que acompanhe o crescimento populacional as exigências de defesa do meio ambiente, os avanços tecnológicos em todas as áreas - enfim, tudo aquilo que evite a degradação de uma área urbana e a mantenha contemporânea em sua concepção.


A transferência para a zona portuária de algumas construções para atender aos visitantes, atletas, imprensa e turistas, é uma solução duvidosa, que poderá trazer mais problemas de locomoção entre as diferentes sedes dos jogos de uma olimpíada.  Devem ser aceleradas as obras de coleta de esgotos com a ampliação da malha coletora de molde a minimizar a degradação do complexo lagunar.  A navegação em nossas lagoas, quando limpas, poderão ser uma alternativa ao caótico trafego das Avenidas das Américas e Ayrton Senna.


O transporte de massa para ligação com a zona norte e oeste.  Penha, Deodoro e Campo Grande irão melhorar fluidez de veículos.  Para a zona sul são indicados a linha 4 do metrô ligando o Jardim Oceânico à estação General Osório; a duplicação da estrada Lagoa Barra e a execução de um projeto de 1990 que aumenta uma pista a Avenida Niemayer.


São obras caras e demoradas para serem implantadas, porem precisam ser iniciadas imediatamente se o Prefeito desejar uma cidade maravilhosa em 2016.  O legado ficará para os munícipes que transitam entre a Barra e outros bairros da cidade, para trabalho ou à lazer.   

 

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Kleber Machado

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