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Eles vem de longe!

 

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Os moradores da Barra da Tijuca, e em especial os moradores do Recreio dos Bandeirantes, se perguntam como há tantos mosquitos invadindo as  residências diariamente. Ainda há o medo de uma nova infestação de mosquitos exóticos transmissores de doenças como a dengue, e nesta edição a Coluna Verde vem explicar de onde vem os mosquitos que tanto atormentam e incomodam os cariocas.


A espécie transmissora da dengue (Aeades aegypti) é originária da África e acredita-se que tenha chegado até o Brasil através dos navios negreiros e das atividades mercantes ocorridas no período colonial. Após campanhas de erradicação nos anos 50 e 60 o número de indivíduos da espécie diminuiu significativamente, mas as populações de mosquitos nos países vizinhos trouxeram novamente os mosquitos até as terras brasileiras. Tal espécie encontrou aqui um clima e um ambiente muito favorável para a sua multiplicação e por  isso a população deste inseto cresce a cada dia.


É grande o histórico de espécies de fauna e flora que se espalham pelo mundo encontrando ótimas condições de multiplicação. Esse alastramento é causado tanto pela ação humana, como também pela redução das condições climáticas nas regiões em que estas espécies são conhecidas como “nativas”, ou seja, espécies que vivem nos locais onde são originadas. As espécies encontradas longe dos locais “nativos” são consideradas “exóticas”. Para estudar Eles vem de longe! esses problemas existem órgãos internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que observam os movimentos das espécies através do mundo e o que podem fazer para reduzir os quadros de infestações, como o que estamos vivenciando nas proximidades da região Oeste do Rio de Janeiro.


Como principal ponto de adaptação do mosquito da dengue pode-se ressaltar a capacidade que este encontrou aqui de se proliferar em poucas quantidades de água, encontradas muitas vezes em locais urbanos e de fácil acúmulo de chuvas. Durante muito tempo o mosquito se multiplicou em águas limpas, mas atualmente acredita-se que o mesmo pode estar se desenvolvendo em águas não tão límpidas assim, a exemplo de infestações em canais e lagoas onde há acúmulo de matéria orgânica provenientes de residências e condições precárias de saneamento básico.


Portanto, para impedir que se multipliquem cada vez mais espécies exóticas que causam problemas para a  população, devemos ter consciência de que podemos ajudar a natureza a se recuperar dos desequilíbrios causados pelo homem. Com simples cuidados, como o de não deixar acumular água parada em residências e comércios, podemos viver em ambientes mais favoráveis a nossa espécie humana. Tais medidas simples nos ajudarão a conviver com o meio ambiente de uma forma mais saudável e sustentável.

 

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Mario Moscatelli – Biólogo
Mestre em Ecologia e Professor de Gerenciamento de Ecossistemas da UNIVERCIDADE