| O Brasil e os desastres |
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Dentre os direitos coletivos e individuais do cidadão, um dos mais importantes e que se destaca mesmo como fundamental, é o direito à vida. Promover o direito à vida e ainda, garantir a incolumidade dos bens, é dever do Estado e responsabilidade de todos. A expectativa destes direitos acima referidos, por parte da comunidade nos momentos aflitivos, tem sido atendida pelo Sistema de Defesa Civil, que em última análise, sintetiza a sua nobre missão, justamente na salvaguarda de vidas e de bens consubstanciando o que o mundo moderno denominou de “PROTEÇÃO CIVIL”.
Na realidade desastres de grande magnitude não ocorrem no Brasil, entretanto, no dia a dia o país sofre a constante ação de desastres de menor magnitude, porém de grande impacto, tanto em termos de perdas de vidas, sofrimento humano, incapacitações definitivas ou temporárias, prejuízos econômicos, de produtividade, culturais, históricos e ambientais, não raro de cunho irreparável. Relembrando alguns exemplos, relativamente recentes, tivemos as constantes paralisações da Cidade do Rio de Janeiro em decorrência da ação das chuvas, agravadas pelo fenômeno El Niño, a discussão sobre as causas e as responsabilidades do desabamento do Edifício Palace II, na Barra da Tijuca, e a destruição total por um incêndio do Aeroporto Santos Dumont, já reconstruído, tudo isso trazendo ao nosso Estado e ao nosso País um conjunto de prejuízos de proporções incalculáveis. Como não poderia deixar de ser, são desastres que devido a forma como ocorreram, geraram uma considerável repercussão pelos meios de comunicação, mas com base no já anteriormente dito, são desastres de menor magnitude mas com grande impacto.
Analisando mais detalhadamente o noticiário cotidiano dos jornais, vemos um considerável numero de vitimas, e um valor significativo de vidas humanas ceifadas ou mutiladas, por acidentes de trabalho (principalmente devido a quedas de construções), acidentes de transito (agora em números um pouco menores em decorrência de uma firme política de redução desse tipo de desastre, com a implementação do novo Código Nacional do Trânsito), acidentes domésticos (principalmente com crianças que ingerem produtos tóxicos, acidentes com armas de fogo ou ainda vítimas de espancamento e outras atrocidades). Esses números refletem uma triste realidade nacional. Caso queiramos ter uma visão ainda mais próxima da dramática situação, basta ficar apenas uma hora, parado na entrada de um Pronto Socorro Metropolitano do tipo Souza Aguiar ou Miguel Couto, vendo o que por lá acontece, e aí teremos a exata dimensão dos fatos. Com a aceitação do primeiro mito, fica muito mais coerente à população de mais baixa renda, e indubitavelmente uma parcela cada vez maior de nossa população nacional, a gerar um segundo mito com relação a ocorrência de determinados desastres, que é : “Isto ocorreu por que Deus quis ou é castigo de Deus..”, temos como exemplo mais eloqüente , a ocorrência das enchentes de 20 de Janeiro de 1967, que se abateram sobre o então Estado da Guanabara, deixando cerca de 300 mortos (a grande maioria proveniente do desabamento de dois edifícios de uma casa e dois prédios entre as ruas General Glicério e Belizário Távora nas Laranjeiras), quando a crendice popular justificou que as enchentes ocorreram em virtude do Governador na época ter cancelado o feriado relativo ao dia do padroeiro da cidade – São Sebastião, no dia 20 de Janeiro. Não que se descarte a influência destes fatores metafísicos na ocorrência dos desastres, mas os desastres sem nenhum medo de errar ou pecar, são geralmente em sua quase totalidade causados ou senão agravados pela ação do homem.
Há uma cultura nacional de que “As pessoas só acreditam no desastre quando ele ocorre”, e isto é uma verdade, mais especificamente quando falamos em termos do Brasil, a falta de uma consciência política e popular com relação ao problema mantêm-se presa a mitos como os já citados. A falta de uma base de dados sobre a ocorrência dos desastres no Brasil seus danos e conseqüências contribuem muito para que esse quadro evolua cada vez mais.Como todo e qualquer país em desenvolvimento, há no Brasil, um processo lento de implementação de técnicas modernas de minimização de efeitos e redução de desastres, com isto faltam condições de proteger grande parte da população vulnerável (geralmente a mais carente ) , tornando-se o escopo das ações , mais emergenciais do que preventivas.
É importante termos em mente algumas definições:A primeira é de que o desastre é um resultado de eventos naturais ou humanos sobre um ecossistema vulnerável, causando danos humanos, ambientais e conseqüentes prejuízos econômicos, culturais e sociais. (conforme definição do Departamento de Defesa Civil do Governo Federal e de uso nacional ). Este por sua vez se divide em dois tipos principais – Naturais e Humanos: Os Desastres Naturais – São aqueles causados pela natureza dentro de um processo de evolução, adaptação ou modificação na estrutura climática ou da crosta terrestre, sendo a cada dia que passa mais agravados quanto à sua ocorrência, pela ação do homem sobre o meio ambiente. Fazem parte deste tipo os Vulcões, Furacões,Chuvas Intensas, Secas, Terremotos etc. (mundialmente catalogados existem em um total de 19 tipos destes desastres, ocorrendo no Brasil 13 tipos destes). A importância destes desastres é considerada tão grande, bem como seu impacto sobre o desenvolvimento das nações, que levou a ONU Organização das Nações Unidas, em sua 42ª Assembléia 11 de Dezembro de 1987, por intermédio da resolução nº 42/169, a designar a década de 90 como a Década Internacional para a Redução dos Desastres Naturais, conhecida como IDNDR (International Decade for Natural Disaster Reduction), década esta em que todos os países do mundo deveriam desenvolver programas de divulgação, pesquisas e treinamento com o objetivo da redução destes tipos de desastre, no Brasil, nada aconteceu, sequer as autoridades tomaram conhecimento disso; Os Desastres Humanos – São aqueles em que o homem é o principal protagonista e estes se dividem em: Sociais – resultantes da incapacidade do ser humano conviver em harmonia e de forma racional com os demais, gerando os mais diversos conflitos sociais, têm-se nesta subdivisão os exemplos das guerras, guerrilhas, fome, terrorismo, violência generalizada, desemprego maciço e etc.
1) A criação nos currículos universitários de uma matéria associada ao estudo dos desastres, principalmente nos cursos de engenharia e arquitetura; 4) A implantação de um Sistema Nacional de Informações sobre Desastres, a partir dos municípios, para constituir – se – ia numa base de dados de consideráveis dimensões, onde todos os registros das principais ocorrências ficariam lá armazenadas, por categoria de ocorrência, sendo de especial interesse para a consulta de vários setores, desde a imprensa até as Companhias Seguradoras as quais reveriam seus índices não com base em valores
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