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O histórico desafio de organizar a primeira olimpíada da América do Sul ficou nas mãos do Brasil para 2016. Temos portanto seis anos completos para nos preparar, planejar, inovar, testar e construir um novo modelo de desenvolvimento urbano, social e ambiental para a cidade do Rio de Janeiro além do Brasil. É bem verdade que a experiência do Pan Americano não foi o ideal, porém deixou lições importantes. Destas destaca-se justamente a carência dos legados ambientes, sociais e urbanos. Quanto ao legado social não foi possível perceber os benefícios como o apoio efetivo para os esportes olímpicos.
Faltaram estratégias e articulações que possibilitassem uma maior interação entre empresas e sociedade, como uma ponte de ligação para dinamizar o esporte amador. Hoje, mesmo atletas medalhistas do Pan e Olímpicos de Pequim sofrem com a falta de patrocínios e meios para prática do esporte. Quantos exemplos de disciplina e de ética de conduta não poderiam ter sido forjados como modelos de uma sociedade tão carente de ídolos. Inúmeros seriam os benefícios morais e de cidadania que estes investimentos poderiam proporcionar. Com certeza promoveria uma cidade mais solidária, humana e perseverante na luta contra a corrupção, a insegurança e a esperteza a ética.
Quanto ao legado urbano faltou dedicar mais atenção aos seus equipamentos tão necessários para uma olimpíada e ainda mais necessários para uma cidade carente de transporte público de massa, vias públicas mais espaçosas e sinalizadas rede de drenagem das águas pluviais além de serviços de água, lixo e esgoto. O Pan demonstrou a carência da execução de obras urbanas estruturantes. Foram realizadas apenas obras superficiais, perdidas ou mesmo inacabadas. Centros esportivos, estádios e mesmo a vila pan-americana desconectadas com a dinâmica da cidade do Rio de Janeiro. Ficou a sensação de goll perdido, do salto mal concluído, ou uma oportunidade desperdiçada.
Muito investimento público sem um planejamento integrativo com a vida urbana, ou mesmo aplicados de forma assodada, muito próximo do acender das luzes do espetáculo olímpico. Quanto tempo desperdiçado em conversa e articulações políticas vazias com pouco tempo efetivamente dedicado com os objetivos mais nobres como o legado a ser deixado para as futuras gerações. Por fim o legado ambiental dos 3 legados o mais festejado porém com o pior resultado. As lagoas e as praias continuaram no seu progressivo processo de degradação. Propostas erradas e obras de fechadas para “ingles ver”. E a ironia é que nem participação de atletas britanicos houveram uma vez que os jogos eram Panamericanos. Precisaremos resgatar o passivo ambiental de 25 anos sem equipamentos urbanos como a rede de esgoto e a destinação final do lixo urbano. Além disso o ordenamento e controle do uso do solo ainda não tiveram a atenção devida.
Para isso além da esfera pública (executivo, legislativo e judiciário) a sociedade deve participar em não compactuar com a ocupação irregular. Visando objetivar e ordenar os esforços de todos segmentos da sociedade para que 2016 possa deixar alguém tipo de legado olímpico para futuras geração sugerem-se as seguintes linhas de ação.
a) Maior atenção do primeiro setor (Governo) para obras urbanas estruturantes como transporte de massa, vias secundárias de circulação, serviços de lixo e esgoto. b) Maior participação do segundo setor (empresas) quanto a sustentabilidade empresarial das iniciativas imobiliárias e esportivas. c) Maior instrumentalização e orientação ambiental para que o terceiro setor (sociedade) tenha uma participação mais responsável e efetiva nas ações ambientais de recuperação urbano. Não esperamos soluções definitivas ou milagrosas. Esperamos mais solidariedade política, responsabilidade empresarial e participação social. Se cada setor da sociedade procurar gerar ações concretas da parte que lhe cabe, o sucesso será de todos. Contudo se continuarmos a procurar culpados e apenas apontar o que os outros deixou de realizar, ficaremos com o vazio dos derrotados. Igual como foi legado deixado pelo Pan Americano para a cidade de Rio de Janeiro.
David Zee
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