| Riscos Ambientais da Baixada de Jacarepaguá |
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Já se pensa nos próximos 10 anos (2011-2020) da Baixada de Jacarepaguá. Existe preocupação com os riscos de desastres ambientais tendo em vista os inúmeros exemplos e acontecimentos dos últimos anos. Os escorregamentos de encostas de Angra em janeiro. As enchentes e as ressacas em abril. Os incêndios do Parque da Catacumba e do Morro dos Cabritos em junho. Parece que a cada 2 meses é obrigatório haver manchetes de perdas de vidas humanas e de patrimônios duramente conquistados ao longo de uma vida. Todos estes desastres ambientais no primeiro semestre de 2010 são prenúncios dos riscos ambientais para a próxima década. Até agora tais desastres transcorrem e são noticiados como se a população vitimada pudesse absorver de uma forma mansa e passiva.
Sem a cobrança de responsabilidades os prejuízos são pulverizados na própria sociedade, que tem consciência do problema, contudo desconhece a razão e não vê a solução. Sabe-se que a razão mais óbvia das causas dos desastres ambientais advém das mudanças climáticas que alteram rapidamente o seu padrão de ataque, com chuvas mais volumosas, ressacas mais agressivas, ventos mais fortes e calor mais intenso. Contudo, a razão menos evidente das causas dos desastres ambientais tem origem da ânsia do homem por um desenvolvimento fácil e sem compromisso com as características ambientais locais. A sociedade tem memória curta e os governantes só tem visão para um mandato de 4 anos. Por outro lado, a natureza e principalmente as cidades, reagem com intervalos superiores a que a nossa memória costuma lembrar e dos mandatos políticos.
Assim, todas as reações adversas de escorregamento de encostas, colapso de edificações costeiras e enchentes nas baixadas urbanas de hoje, com certeza têm origem nas decisões erradas de 10 a 30 anos atrás. No momento atual quando desenvolvemos um novo código florestal pensando mais nos interesses de determinados segmentos da sociedade e desprezando as leis que regem o equilíbrio natural, estamos contribuindo para a potencialização dos desastres ambientais dos nossos netos. Quando desenvolvemos um Plano Diretor para flexibilizar a ocupação das encostas estamos ludibriando os futuros ocupantes dos morros. Se permitimos a edificação em áreas muito próximas a linha d’água sem respeitar a Faixa Marginal de Proteção de rios e principalmente dos oceanos, vamos com certeza ter o que lamentar.
Permitir a ocupação das vargens (terreno baixo e plano sujeito à inundação durante a estação úmida; definição de dicionário) sem promover a garantia de estar livre de inundações é, no mínimo, falta de probidade administrativa. Enquanto se discute outro Plano Diretor para ocupação das vargens (Grande e Pequena) ninguém se preocupa para a dragagem do Canal do Rio Morto ou de Sernambetiba. Nem mesmo a manutenção da embocadura do referido canal, que se encontra assoreado e obstruído, está previsto. A construção de um guia corrente é urgente para manter permanentemente aberto o escoamento das águas interiores que inundam as vargens quando da época das chuvas. Da mesma forma, uma imediata ação de desassoreamento da rede de canais artificiais construídos na década de 1970 para drenar as águas das vargens (Pequena e Grande), deve ser conduzida.
Se existe vontade política de fazer “bondades” para flexibilizar a ocupação das vargens, é preciso ter responsabilidade para saber como pagar a conta das intervenções com objetivo de criar a segurança ambiental necessária. O papel aceita qualquer bobagem humana. Antes, quando não havia plano diretor exequível e a ocupação era ilegal e sem controle, as camadas mais pobres e desavisadas é que pagavam a conta da natureza. Agora, ao escrever um plano diretor desconhecendo ou desprezando as leis da natureza, as consequências serão ainda maiores. A triste diferença é que além da sociedade informal (favelas), a sociedade dita formal também vai pagar pela conta que a natureza irá cobrar. Nos próximos 10 anos (2020) a população da Baixada de Jacarepaguá irá pular dos atuais 700.000 habitantes para a casa de 1 milhão. Com isso, é inexorável a pressão urbana por serviços para manter a nossa qualidade de vida. Deixar por conta da natureza o planejamento correto do crescimento da cidade não vai dar certo e isso é perceptível para qualquer leigo. O poder público deve estar preparado para inovar a gestão urbana, criando novas estratégias e equipamentos urbanos que considerem também as características ambientais locais. Não é preciso dizer que se continuar com a mesmice de uma gestão pública ultrapassada a tendência é o fracasso e o sofrimento de muitos.
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