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Olho para minhas filhas e penso o que será desse planeta nos próximos vinte anos. Enquanto penso, desmata-se menos, mas ainda muito além do aceitável dentro e fora do Brasil, diante do que já destruímos sem piedade, de forma míope, criminosa e irresponsável. Vejo as ondas do mar e apesar daquela aparente tranqüilidade e daquele céu límpido, sei que os oceanos sobem 3 mm por ano, mas o degelo generalizado provocado pelo aquecimento global poderá elevar os mares não apenas 50 cm até 2100, mas em um metro! Seria o fim de muitas cidades costeiras e de inúmeros estados insulares que desapareceriam sob a ação das ondas. Fico sabendo que gases mais poderosos que o dióxido de carbono, como o metano vêm sendo liberados de forma crescente na atmosfera proveniente do fundo dos oceanos como também da vegetação em decomposição que estava “adormecida” no gelo.
Diante de tantos alertas que nosso planeta tem dado em relação ao desequilíbrio gerado pela intervenção humana nos seus mecanismos de equilíbrio, suspiro e penso novamente nas crianças. Não apenas nas minhas, mas em todas e de todos os continentes, pois serão elas, com toda a certeza que pagarão por nossa apatia diante da falta de ação concreta de nossos líderes políticos. O tempo é nosso maior inimigo, visto que tudo que não precisava ser feito continua sendo feito, isto é, muita conversa e pouca ou quase nenhuma ação individual e coletiva para a redução da emissão de gases poluentes.
Um excesso de boas intenções e quase a falta generalizada de pressão da sociedade em direção às políticas públicas ambientalmente sustentáveis. A bomba ambiental foi armada há algumas gerações atrás e já começa a explodir em Santa Catarina e em outras partes do mundo de forma clara por meio de furacões, secas, inundações e incêndios sem precedentes. Resta saber se a humanidade será suficientemente inteligente para tomar ações concretas visando resguardar o futuro para as nossas crianças ou seremos demasiadamente arrogantes e continuaremos agredindo quem nos gerou numa ação suicida. A decisão é apenas nossa.

Mario Moscatelli – Biólogo Mestre em Ecologia e Professor de Gerenciamento de Ecossistemas da UNIVERCIDADE
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