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A falta de uma reação sustentável |
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Os problemas ambientais contemporâneos resumem-se na falta de reação por parte das empresas e de órgãos governamentais no momento dos acidentes ambientais além da carência de mecanismos legais que promovam o acompanhamento efetivo da implantação das medidas preventivas necessárias antes do acidente. O Rio de Janeiro é um protótipo de muitas ações antrópicas equivocadas e um excelente laboratório para operacionalizar as boas práticas da sustentabilidade ambiental. Afinal a história da humanidade demonstra que a evolução do homem sempre foi a custa dos erros cometidos e o aprendizado dos desafios lançados. O ano de 2011, para o Rio de Janeiro, foi pródigo em acidentes ambientais e a falta de prevenção, a saber:
-Tragédia na região serrana do RJ (jan 2011) -Mortandade de peixes na Lagoa de Araruama (ago 2011) -Ressaca atinge quiosques de Copacabana (ago 2011) -Vasamento no Campo de Frade (nov 2011) -Vasamento de óleo na Baia de Ilha Grande (dez 2011) -Maré Vermelha no litoral carioca (dez 2011)
Percebe-se que a frequência dos desastres naturais aumenta a cada ano que passa. Nas áreas urbanas, fragilizada pelo uso inadequado do solo, o risco de acidentes com mortes é ainda maior do que em área de menor densidade de ocupação. Da mesma forma os riscos de acidentes também são potencializados pela falta de conhecimento do homem da dinamica de interação dos ciclos naturais entre a geosfera(solo), atmosfera(ar), hidrosfera(água), e a biosfera(seres vivos). O homem está inserido na biosfera e o seu aumento populacional(7 bilhões de habitantes) desequilibra toda a relação entre os meios(esferas). Na verdade, hoje, o homem já consegue ter influência planetária coisa que não tínhamos há quase 100 anos atrás. Em algum momento, no século passado, o homem conseguiu desequilibrar e tomar para si o comando do destino da natureza terrestre. Tudo devido as suas ações de grande envergadura e de longo prazo. Hoje o destino da Terra está nas nossas mãos.
2011 foi um ano emblemático em termos de acidentes ambientais para o estado do Rio de Janeiro. Além da frequencia, da diversidade e da envergadura dos acidentes ficou constatada a falta da capacidade de reação das empresas causadoras além dos órgãos responsáveis pelo controle, fiscalização e do zelo pelo patrimonio natural. Enquanto o óleo extravasava e cobria o espelho d'água ou se aproximava do litoral de Angra dos Reis não se percebia qualquer iniciativa ou ação para impedir o alastramento do impacto ambiental eminente. É assustador constatar que entregamos a responsabilidade e a competência do controle e da prevenção para empresas e entidades que não possuem eficiência nas suas respostas nos momentos de crise. Torna-se premente a necessidade de mudar, inovar e reagir pois além de vidas humanas em jogo existem milhares de outros organismos vivos cujo conjunto mantém saudavel o unico planeta conhecido pelo homem com vida.
Assim a sociedade fluminense também precisa reagir e cobrar de seus representantes atitudes mais objetivas e permanentes visando uma resposta mais eficiente contra os impactos causados na natureza em nome do desenvolvimento humano. Este tipo de reação representa SUSTENTABILIDADE.
David Zee Vice-Presidente da Camara Comunitária da Barra da Tijuca
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Nos tempos atuais algumas pessoas ainda não conhecem a importância do licenciamento ambiental e muitos nem mesmo os procedimentos inerentes ao processo. O homem nos últimos cinqüenta anos multiplicou em muito a sua capacidade de interferir na dinâmica natural do meio ambiente. Se fossemos exemplificar o crescimento espantoso da ação humana no meio ambiente poderíamos utilizar a questão do uso das lagoas da Baixada de Jacarepaguá. Em 1960 a população que habitava na bacia drenante do complexo lagunar era da ordem de 170.000 habitantes. Atualmente já somos mais de 800.000 pessoas lançando o equivalente a 4 vezes mais do que a cinqüenta anos em termos de volume de esgotos sem tratamento adequado para dentro das lagoas. Neste contexto fica mais fácil entender que nos dias atuais toda e qualquer ação de desenvolvimento humano deve atender um estudo de impacto ambiental diagnosticando e propondo medidas para mitigar, prevenir ou compensar potenciais desdobramentos nocivos ao meio ambiente natural e a qualidade de vida da população.
O processo de licenciamento ambiental é um dos principais meios para a defesa dos recursos naturais promovendo-se o desenvolvimento sustentável dos centros urbanos. A qualidade de vida e a proteção do meio ambiente depende da obrigação legal de se obter a licença ambiental anterior à instalação de empreendimento ou atividade potencialmente poluidora. Alguns dos instrumentos existentes no processo de licenciamento ambiental são o EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto do Meio Ambiente), Auditoria Ambiental, Relatório Ambiental Preliminar – RAP, Análise de Risco, dentre outros. A escolha da execução destes instrumentos depende da definição do órgão público ambiental responsável pela concessão da licença bem como da especificidade do empreendimento ou da ação em questão. Talvez a principal virtude do processo de licenciamento ambiental é a possibilidade da participação social na consulta pública que se faz durante a realização das Audiências Públicas para ouvir as considerações e demanda da sociedade. A evolução do caráter legal nos procedimentos do licenciamento ambiental no Brasil iniciou-se em 1981 através da lei 6.938/81 tendo como continuidade as resoluções CONAMA nº001/86 e nº237/97. O ordenamento do crescimento urbano e industrial das grandes cidades de forma sustentável depende do atendimento das normais e leis do licenciamento ambiental previstas na legislação brasileira. Diga-se de passagem que é uma das legislações mais evoluídas do mundo, contudo a sua aplicação e controle infelizmente deixa a desejar.
Através do licenciamento ambiental o poder público pode exercer o controle sobre as atividades humanas que põe em risco as condições de salubridade ambiental tanto para o homem como para o meio ambiente natural. Trata-se da materialização do principio da precaução no meio jurídico e da ordenação do desenvolvimento social na esfera governamental.
A execução das etapas do licenciamento ambiental depende de todos segmentos da sociedade moderna. O primeiro setor (governo) compete a condução do processo, ao segundo setor (empresas) apresentar e executar todo planejamento dos cuidados ambientais exigidos e do terceiro setor (sociedade) apresentar as suas demandas e considerações além de contribuir no controle e calibração das medidas de proteção ambiental. Desse conjunto de ações depende o sucesso do licenciamento ambiental sem o qual o nosso desenvolvimento fica insustentável.
Prof. Dr. David Zee Vice-Pres. Câmara Comunitária |
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