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Dragagem, a “lipoaspiração” lagunar

 



Ao longo dos últimos 32 anos (1980-2012) as lagoas da Baixada de Jacarepaguá foram utilizadas como despejo de efluentes domésticos decorrentes da ocupação urbana. A falta de infra-estrutura urbana de saneamento básico, transformou as galerias de águas pluviais em rede de esgoto e os rios em valões condutores de dejetos humanos. Como conseqüência as lagoas se tornaram digestores de matéria orgânica e o mar como destino final.
Com o adensamento humano a quantidade de matéria orgânica tornou-se superior à capacidade de digestão das lagoas e o excesso terminava no mar quase que “in natura”. Da mesma forma grande parte desse excesso fica depositado no fundo das lagoas da Tijuca, Camorim e Jacarepaguá o que praticamente transformava-as em um grande tanque de acúmulo de lodo orgânico.


Visando remediar estas lagoas de estabilização em que se transformaram o Complexo Lagunar de Jacarepaguá, a dragagem é talvez a melhor solução. Neste sentido o esforço realizado pela Secretaria de Estado do Ambiente – SEA resultou no mês de setembro de 2012 na primeira audiência pública na sede da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca – CCBT.


Neste evento, o debate dos anseios da comunidade, da classe empresarial e do poder público resultou em algumas propostas para potencializar o aproveitamento e os benefícios da dragagem. Neste sentido a CCBT enviou à SEA um resumo das principais medidas de aproveitamento sugeridas na audiência, a saber:


Redução do volume e sobrecarga da ilha artificial (geobags) reduzindo o risco de deformações e acomodação do leito mole da lagoa da Tijuca.
Demarcação da faixa marginal lagunar mais rasa através de uma barreira de geobags evitando-se a ocupação irregular, possibilitar o acesso para equipamentos de manutenção, contenção do escoamento de sedimentos para a lagoa e redução da distância de transporte do lodo retirado.
Aproveitamento da areia retirada na dragagem da embocadura do Canal da Joatinga para o preenchimento do miolo da extensão do Quebramar.
Acabamento curvo da extremidade da extensão do Quebramar para proteger o canal de navegação contra as ondas de sudoeste e sul, além do ganho de espelho d’água protegido contra a ondulação marinha.
Demarcação e garantia do escoamento da embocadura dos principais rios que deságuam na lagoa da Tijuca e Camorim através da moldagem da boca por intermédio de geobags.
Aproveitamento do lodo para reduzir a profundidade das cavas submersas na lagoa de Jacarepaguá e Tijuca.O acabamento (cobertura) com sedimentos arenosos na camada superficial do leito lagunar após preenchimento da cova seria recomendável.
Aproveitamento da areia dragada na lagoa de Marapendi para recompor a morfologia do solo degradado pela exploração de areia em épocas passadas na área proposta para instalar equipamento olímpico (Campo de Golfe).
Haver esforço na transparência do monitoramento ambiental preventivo que deve haver em todas operações de dragagem em espelhos d’água com lodo contaminado. Um site com dados atualizados semanalmente do progresso da dragagem seria muito aconselhável.
Recomenda-se programa de monitoramento batimétrico (relevo submarino) em período de 6 meses após o término da dragagem, nos principais pontos de estrangulamento das lagoas, com frequência mensal para se avaliar a taxa de escorregamento e acomodação do lodo orgânico.
Na operação de dragagem recomenda-se dimensionar e construir zonas de captura de sedimentos nas embocaduras dos principais rios que desembocam nas lagoas da Tijuca, Jacarepaguá e Marapendi. Estas armadilhas de sedimentos devem ser projetadas com acesso e capacidade de realizar dragagens de manutenção periódicas nos moldes das bocas de lobo existentes na rede de drenagem pública.
O secretário Carlos Minc e o sub-secretário Antônio da Hora responderam favoravelmente quanto a consideração de estudar os pleitos sugeridos.
A união dos esforços e a procura da congruência dos interesses sociais resultam em parcerias produtivas e de benefícios comuns.

Professor David Zee
Vice-Presidente da CCBT
Professor da Faculdade de Oceanografia da UERJ.