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Tristeza não tem fim... Felicidade sim.

cabeca_editorial

 

 

 

 

 

 

O Rio está de luto num dos momentos mais tristes da sua história. Um dia após a Páscoa, grande tragédia se abateu sobre a Cidade Maravilhosa e as vizinhas Niterói e São Gonçalo. Muitas vidas perdidas abruptamente, pelos desmoronamentos por deslocamentos do solo ou soterramentos de casas e barracos construídos de forma irregular em encostas e penhascos, em decorrência das chuvas torrenciais e de longa duração que persistem nesta 5ª feira, agora com menos intensidade.  Muitos domicílios regularmente construídos também sofreram por reflexo com as famílias também tendo que abandonar suas casas por interdição da Defesa Civil. Ruas alagadas e vias principais interrompidas isolando a Barra da Tijuca e outras regiões com enormes transtornos para a população e para as atividades econômicas.

 

Dizem que Deus é brasileiro porque não temos terremotos, nem furacões, mas pela lei das compensações, nossa felicidade não é absoluta.  As chuvas torrenciais são relativamente comuns, trazendo grandes prejuízos materiais e perda de vidas, cuja monta depende em parte e diretamente da atuação de nossos políticos majoritários.

 

Ainda menino em 1959, tive que abandonar o bonde na Rua São João Batista em Botafogo e vir a pé para casa com água na cintura. Presenciei nos anos 60, desastre parecido com o atual com muitas mortes e desabrigados que transformou ruas de Copacabana, num mar de lama. Nos anos 80 e 90, o Rio também ficou alagado várias vezes. Numa ocasião, saindo do trabalho no Centro, só consegui chegar em casa na Barra da Tijuca após a meia-noite, caminhando, também com água pela cintura em vários trechos, alternando com uso de ônibus onde se conseguia trafegar. Outra grande tragédia aconteceu na região do Itanhangá, com muitas mortes e desabrigados.

 

Agora, o caos instalou-se no Rio e nas cidades vizinhas de Niterói e São Gonçalo.  O fenômeno atual, que vem se repetindo de tempos em tempos com maior ou menor intensidade, pelo que pude observar, foi o que causou os maiores estragos e prejuízos nos últimos anos, uma situação muito triste com 171 mortes até o momento.  Estou convicto que os efeitos devastadores das chuvas torrenciais poderiam ser parcialmente atenuados, nunca totalmente evitados, pela atuação mais eficiente e honesta das autoridades públicas em todos os níveis de poder. Infelizmente, a política no Rio sempre esteve na contramão do Governo Federal e sofremos muito por isso...

 

Concordo com o prefeito Eduardo Paes, que demonstra muita força e disposição na atual crise, ao afirmar que temos que pensar em soluções e no futuro, mas como carioca e eleitor, não esqueço o passado não. Ele, e Sergio Cabral em fim de mandato, estão alinhados com Lula e os efeitos são positivos para o Rio, pelas obras e investimentos em andamento, mas o trabalho é árduo. Foram décadas de negligência e corrupção e não perdôo o Brizola pelo desleixo com a segurança e por ter permitido construções irregulares e invasões. Não perdôo César Maia pelo seu último mandato e pelo desperdício na construção da Cidade da Música. Não perdôo Marcelo Alencar, Garotinho, Conde e Rosinha pela falta de entrosamento com Brasília, e por suas omissões, despreparo e incompetência. Não perdôo Moreira Franco que dizia que seu nome era trabalho, que como seus pares que ocuparam o governo estadual ou a prefeitura, não cumpriram suas promessas de campanha.  A idéia dele era boa e precisamos de políticos compromissados com o TRABALHO e, sobretudo com a HONESTIDADE. As eleições de outubro vem aí e caberá a nós o direito da escolha. Não temos muitas opções, mas não custa tentar ser feliz novamente.

 

 

 

Clóris Miranda

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