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Luzes da Barra “ Eu Te Amo”
Teatro Leblon
Tudo se inicia com belíssima projeção. Ao fundo, algo de montanha e o mar a desaguar suavemente suas ondas na areia. E a trilha musical é suave marulho. De um lado enorme busto de mulher cortando a projeção verticalmente: linda, de olhos verdes, a dizer, com talento “não te amo mais, não de amo mais...” Esta cena perdura por bastante tempo, criando um clima que promete espetáculo de alto nível. De repente, do fundo do corredor da platéia, surge outra mulher, em jeans falando ao celular. Chega à boca de cena e grita alto “não te amo mais, acabou, não te amo mais etc...”
Súbito o palco se ilumina. Apenas uma cama de um lado, do outro pequena geladeira. E um homem desesperado ao telefone: sua vida, situação econômica e profissional e o Brasil estão uma droga. E a mulher amada acaba de abandoná-lo.
E de repente, (tudo acontece “de repente” entre incontáveis entradas e saídas dos protagonistas) .Uma terceira mulher entra em cena num longo vestido de lantejoulas prateadas. Diz ao homem ser prostituta, depois não é mais prostituta, é formada em letras e aos seus longos diálogos têm-se que apelar para informações no programa: filme de Arnaldo Jabor, por ele transformado para o teatro em 1988. Texto entre drama e comédia: amor, dor do amor, tesão, desejo, ilusão, sexo.
É usada a técnica de projeção e vídeos e jogos de iluminação. De tão intensos e contínuos levam à uma impressão de parafernália. Mas aqui e ali há algo de belo: a forte cena de sexo que vai se diluir numa projeção ao fundo, em profusas borbulhas de luzes e cores suaves. Mas, em seguida uma imensa e longa torneira toma conta do palco. Insinuação fálica? E ainda “de repente” intenso caleidoscópio super colorido no meio do palco. E o casal dança tango e habla español...
Afinal rola o clima entre eles e ele até aparece fantasiado em enorme urso. Seria essa a abordagem cômica? E “de repente” ela saca uma faca e o ameaça por ele temer o amor. Ele replica sacando uma arma que diz ser de verdade, com balas de verdade. E, disparos! E, black out no palco! À volta das luzes os dois estão sentados e abraçados no chão, ela enlaçando seu corpo, indicando grave ferimento . E a última frase dele: “ que longo caminho tivemos de percorrer para que eu possa dizer Eu Te Amo.
Juliana Martins surge bem, com boa atuação. Perde ao decorrer do texto com estridências e algo de mecanizado. Alexandre Borges no inicio luta com texto desfavorável. No entanto consegue conquistar o desempenho e defende o espetáculo com seu talento. Não podemos deixar de observar e comentar: Eu Te Amo é datado de 1988 quando o uso do palavrão tinha um certo efeito. Torna-se, agora, até melancólico o exagero com que foi usado.
Direção Rosana Svartman e Lirio Ferreira – a iluminação Rogério Emerson e a cenografia de Fabiana Egreja demonstraram alto conhecimento da técnica, embora usada com exagero. Pena que as gargalhadas às intenções de comédia se ouvissem moderadas. Pena também que um ator com o prestígio de Alexandre Borges, que normalmente seria ovacionado de pé, tenha sido prejudicado pela falta de entusiasmo do público por esta realização teatral.
Por Tamara Mello |