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Para turbinar as vendas e passar credibilidade para possíveis patrocinadores, os organizadores da Feira do Síndico cometeram um pecado mortal. Divulgaram na programação oficial a presença do Secretário Estadual de Segurança, o General Richard Nunes. Só que cometeram um erro: o de não enviar a carta convite à secretaria.

O cerimonial do General ficou irritado ao verificar que seu nome havia sido incluído na programação de um evento comercial, sem a autorização prévia.

O nome do secretário foi retirado na semana do evento, após as vendas já terem sido realizadas. Ou seja, a feira não contará com a autoridade maior da segurança, conforme que havia sido prometido no site e nas redes sociais.

Não se pode nem dizer que ele teve um outro compromisso na data, já que confirmaram sua presença antes mesmo de consultá-lo.

Questionado sobre o fato, Gal. Richard levou o ocorrido na esportiva: “já estou até me acostumando, pois isso já tem acontecido algumas vezes".

 

Claudio Magnavita/Jornal da Barra

Estamos culpando os 31 vereadores que votaram a favor do aumento do IPTU. Votaram contra a população e a favor de um Projeto de Lei sem debate e a devida discussão. Culpa deles? Não. Eles fizeram aquilo que o fisiologismo político exige. Trocaram votos por cargos e outras benesses oferecidas pelo Executivo. A culpa é nossa. Como eleitores, terceirizamos a política. Boa parte de nós nem se lembra em que votou na última eleição municipal. Agora que doe no bolso, espernearmos. Tivemos a incapacidade de barrar o processo de votação e exigir um maior debate.

Criamos um limbo político que permite estes desmandos. Em Brasília é o mesmo. Na Câmara Federal, como na Câmara Municipal, o parlamentar age como quer. O IPTU serviu para exemplificar esta terra de ninguém. Vergonhoso. Mas algo aconteceu agora. As associações de moradores e empresariais estão se mobilizando. No próximo dia 21, teremos um movimento que reunirá 33 entendidas de moradores. O Prefeito Crivella esta conseguindo a proeza de criar uma unanimidade. Ninguém duvida da boa vontade do alcaide, mas existe um descompasso entre o que ele fala e o que ele faz.

A questão do IPTU é um abraço do afogado, que levará para o fundo do poço o executivo e parte do legislativo coaptado. O sentimento é de revolta e de revanche. As entidades possuem uma bandeira que é facilmente absorvida pelas suas bases e ela começa a ser usada. O Crivella que foi eleito não é o mesmo que governa. Quem o cerca hoje não é quem o trouxe a vitoria, mas quem esteve no lado dele nas derrotas que acumulou. Perdeu a sintonia que tinha. Não há mais liga com o eleitor. Na prévia do Rock in Rio, falando para a mídia, não usou a palavra turismo uma única vez. Falou como se pregasse em um púlpito religioso. Reencarnou no seu papel messiânico e abandou o discurso pragmático de gestor.

O jogo se divide agora em dois: de um lado, um prefeito com a base diminuída e 31 vereadores com suas bases em pé guerra. Do outro, um eleitor que assiste a cidade se degringolar, ficar cheia de ambulantes, com técnicos perdendo cargos para indicações políticas dos vereadores e uma máquina administrativa sem comando e entregue a Deus. O IPTU custará caro ao Prefeito e aos 31 legisladores que votaram sim pelo aumento, se expondo de forma nua e crua para toda cidade.

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