Instituição promove mais de 20 atrações gratuitas e inaugura retrospectiva de esculturas do sertão; com entrada franca, festival também oferece transporte oficial gratuito
Por: Déborah Gama
O Museu do Pontal completa 50 anos em 2026 e vai celebrar meio século de fundação com uma programação especial e totalmente gratuita nos dias 29 e 30 de agosto, na Barra da Tijuca. O evento conta com mais de 20 atrações culturais, apresentações de ciranda, forró, capoeira, folia de reis, bate-bola, bumba meu boi, circo, cinema, dança e atividades voltadas para o público infantil. A celebração marca também os cinco anos de funcionamento no atual endereço da Zona Oeste carioca, onde a instituição passou a ocupar um espaço com mais de 2.000 m² de área construída.
A grade de shows reúne artistas de expressão nacional que possuem forte ligação com a trajetória do museu. O destaque da noite de sábado (29) será a apresentação de Lia de Itamaracá, marcada para às 20h15. O público também poderá acompanhar os espetáculos de Siba, Mestre Solano & Noites do Norte, Zé Bezerra & Trio Pernambucano, Aturiá e Trio Forrozão. A proposta curatorial é reaproximar os visitantes dos grandes nomes da cultura popular brasileira em um ambiente de celebração democrática.
Além das atrações musicais, o sábado reserva a abertura da exposição “Véio — A escuta do sertão”, às 15h30. Dedicada ao trabalho do escultor sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio, a mostra reúne cerca de 300 obras produzidas ao longo de seis décadas de criação contínua, sendo considerada a maior retrospectiva já organizada sobre sua carreira. O levantamento feito pela curadoria mapeou mais de 650 peças do artista distribuídas por 50 coleções públicas e privadas. As criações utilizam majoritariamente troncos, raízes e galhos recolhidos no sertão.
A conexão entre Véio e a instituição é antiga: Jacques Van de Beuque, fundador do museu, já havia incluído trabalhos do sergipano em seu acervo particular antes mesmo da criação do espaço.
Festival disponibiliza transporte gratuito
Para facilitar ainda mais o acesso de visitantes, o festival disponibiliza vans gratuitas que saem da estação de metrô Jardim Oceânico (acesso A – Lagoa), com parada no New York City Center (ponto dos condomínios) e estacionamento do Terminal Alvorada. Para usar, basta chegar a um dos locais e procurar pelo orientador de público.
Os transportes terão saídas regulares a partir das 10h às 19h30 no sábado, e das 10h às 18h30 no domingo, além de vans disponíveis para retorno até o fim do evento. O estacionamento do museu estará fechado, por isso, é recomendado utilizar o transporte oficial do festival.
Acervo reúne artistas de 23 estados
A trajetória do Museu do Pontal teve início em 1976, idealizada pelo artista plástico francês Jacques Van de Beuque (1922-2000), que começou a estruturar uma coleção dedicada à arte popular brasileira. Passadas cinco décadas, a instituição reúne aproximadamente 10 mil obras criadas por 300 artistas vindos de 23 estados do país. No momento, apenas Acre, Amapá, Tocantins e Rio Grande do Sul ainda não têm representantes na coleção, mas a diretoria trabalha ativamente para incorporar criações dessas regiões e cobrir todo o território nacional.
Outra diretriz central é a identificação de talentos fora do circuito tradicional das artes. É o caso de Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, ex-gari e mãe de sete filhos que foi descoberta por Lucas Van de Beuque durante uma visita à Ilha do Ferro, em Alagoas, em 2022.
A antropóloga Angela, que integra a equipe desde os anos 1990, destaca o empenho da instituição em conferir visibilidade aos criadores: "Durante muito tempo, esses artistas não estavam na história. Quando apareciam, é como se fosse por um acaso, como se alguém tivesse simplesmente tido uma grande ideia. Mas existem processos criativos, investimento, trabalho. Aqui nos dedicamos a mostrar isso", explicou.
Da casa no Recreio à nova sede na Barra
A transição de endereço do museu demandou anos de negociações até sua conclusão. A sede antiga funcionava em uma residência familiar na Estrada do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. A partir de 2010, no entanto, o avanço de empreendimentos imobiliários no entorno elevou o nível do terreno vizinho, fazendo com que a estrutura física do museu passasse a sofrer com alagamentos frequentes provocados pelo acúmulo de águas pluviais.
Após disputas judiciais e negociações intermediadas pela Prefeitura do Rio entre a construtora responsável e a direção da instituição, acertou-se a transferência para a Barra da Tijuca. Embora a inauguração estivesse prevista para 2017, divergências financeiras atrasaram as obras. O projeto foi viabilizado por meio do apoio de patrocinadores privados e doações de pessoas físicas, abrindo as portas em 2021 na Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300.
O prédio atual possui mais de 2 mil metros quadrados com vista para a Pedra da Gávea. O projeto arquitetônico foi inspirado no modernismo brasileiro e desenvolvido pelo escritório Arquitetos Associados, responsável por galerias em Inhotim. Os jardins, assinados pelo Escritório Burle Marx, reúnem espécies da flora nativa e funcionam como espaço de convivência, recebendo eventos consolidados no calendário local, como a festa junina do museu.
SERVIÇO – Festival de 50 anos do Museu do Pontal:
Data: Sábado (29) e domingo (30)
Horários: Programação das 10h às 20h15
Entrada gratuita
Para mais informações sobre os eventos, horários e oficinas, acesse a programação completa no site do Museu do Pontal
*Estacionamento estará fechado; acesso será apenas por transporte oficial gratuito do evento
Local: Av. Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3300 - Barra da Tijuca