Antes de ser candidato a Presidência da República em 2014, o endereço do Pastor Everaldo Pereira em Brasília era inusitado. Ele era hospede do apartamento do ex-deputado Eduardo Cunha, hoje preso em Curitiba e seu irmão de igreja.

Pereira se aproximou do PSC através do mineiro Vitor Nósseis, fundador da legenda, com quem hoje trava uma batalha judicial pelo controle do Partido. O pastor é acusado de ter assumido o controle partidário por meio de algumas manobras jurídicas, e tem a legitimidade algumas das assembleias questionadas nestes processos na justiça. Na prática, o comando do partido está em discussão no poder judiciário.

Hábil negociador, o Pastor garantiu para o seu filho, Felipe Pereira, a criação de uma secretaria de estado, o que garantiu o apoio da legenda ao Governador Sérgio Cabral e ao sucessor, Luiz Fernando Pezão. A Secretaria abrigou parte do programa de recuperação de dependentes químicos e alguns programas do estado. Todos os cargos de confiança eram ocupados por partidários e pessoas ligadas ao movimento.

Rabello e Alvaro Dias traídos

Com o embate público com Jair Bolsonaro, o pastor negociou com o PODEMOS, do Senador Álvaro Dias, tendo participado da chapa com o ex-presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, que pretendia ser o cabeça da chapa do PSC para a Presidência. A candidatura de Dias não recebeu no Rio o palanque que esperava, perdendo uma de suas principais janelas. No estado, a chapa do PODEMOS, que tinha o carioca Rabello como vice, foi abandonada a própria sorte, e teve apenas 41.544. Ou seja, apenas 12% dos votos que o próprio Pastor Everaldo conseguiu para o Senado. Foi o caso mais claro de infidelidade partidária. A candidatura de Wilson Wetzel ao Governo foi apadrinhada por Leonardo Rodrigues, o segundo suplente ao Senado de Flávio Bolsonaro, responsável pelo seu enraizamento em algumas correntes do PSL, que desconheciam os problemas que o próprio deputado Jair Bolsonaro havia enfrentado no PSC.

Com o surpreendente desempenho do seu candidato ao Governo do Estado, o Pastor Everaldo Pereira tem comandando as negociações com os setores empresariais e, principalmente, evangélicos, tendo realizado alianças com a Igreja Universal, com RR Soares e com Silas Malafaya. Ele já está conversando com alguns nomes que deverá indicar para áreas estratégicas do Governo. O seu filho, Felipe Pereira, que comandou um dos menores orçamentos do Governo Cabral, está sendo cotado para uma das mais robustas pastas do Estado, a do Transportes, no caso da vitória do PSC no segundo turno.