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Por Ive Ribeiro

A polêmica está formada. Os governadores de Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e São Paulo, João Doria, brigam através de declarações na imprensa pela intenção de sediar o Grande Prêmio de Fórmula 1 em 2021. Ainda na segunda-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que o evento acontecerá em solo carioca: “praticamente 99% de chance”, garantiu.

Entretanto, há quem acredite que trazer a prova automobilística para o Rio de Janeiro, mais precisamente para Deodoro, bairro da Zona Oeste do Rio, não deveria ser a prioridade dos governantes. É o caso do biólogo Mario Moscatelli, um dos mais influentes pesquisadores ambientais do Brasil, que há 27 anos trabalha no sistema lagunar da Baixada de Jacarepaguá.

“Você fica surpreso quando vê uma manchete falando sobre o futuro do hipotético autódromo do Rio de Janeiro. É surpreendente o tempo que os senhores presidente e o governador dispensam para um tema que, para o meu entendimento, de contribuinte, morador, técnico e biólogo, não é o principal, pois temos problemas gravíssimos economicamente, ambientalmente e socialmente associados ao sistema lagunar”, disse Moscatelli, que deseja que as lagoas da região recebam, ao menos, 10% da atenção que a disputa pelo autódromo em Deodoro desperta.

Ele também destacou ter alertado anteriormente as autoridades para graves problemas, como o da região da Muzema, mas que não foi escutado: “uma hora o sistema lagunar da região vai cobrar a fatura, e geralmente vai sobrar para os que já tem pouco ou quase nada”, lamentou.

Não defendo, exclusivamente, capivaras e jacarés. Estou falando da saúde da população”

Para o biólogo, o que muitos não entendem é que a falta de cuidado com o meio ambiente reflete diretamente na piora da saúde da população. Por isso, ele constantemente convida políticos de todas as esferas, desde secretários municipais até opresidente da república, para conhecerem o problema da região, que para ele é o “maior passivo ambiental do Rio de Janeiro”, que é o sistema lagunar da Barra da Tijuca. Entretanto, segundo Moscatelli, poucos aceitaram o convite.

Entenda a disputa entre Rio e São Paulo, que se acirrou nos últimos dias

O Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 é disputado no autódromodo Interlagos, em São Paulo, desde 1990. Entretanto, o presidente da república Jair Bolsonaro reafirmou a intenção de transferir o evento para o Rio de Janeiro. Entretanto,ao contrário de 1989, quando a corrida automobilística era disputada no Autódromo de Jacarepaguá, local que não existe mais e deu lugar ao Parque Olímpico, a possível edição de 2021 no Rio será realizada em uma nova estrutura em Deodoro, Zona Oeste do Rio.

Para o governador de São Paulo, João Doria, porém, aregião é inapropriada para esse tipo de evento, já que, segundo ele, “não há estrada para chegar lá”, e só é possível acessar indo de cavalo ou através de helicópteros ou drones.

O governador do Rio de Janeiro, logo rebateu: “Por isso, o Rio de Janeiro elegeu Wilson Witzel governador. Vai ter autódromo, estrada, heliponto e policial bem pago”, e teve o discurso endossado pelo vice-governador do Rio, Cláudio Castro: “o governador Doria não tem vindo muito ao Rio. Parece que ele nunca passou pela Transolímpica (via expressa, inaugurada em 2016, que corta Deodoro). Ele precisa se informar melhor”.