0
0
0
s2sdefault

Região arrecada com apenas 17% de todas as inscrições, 33,5% de toda a receita de IPTU e recebe muito pouco. Com muito mais imóveis, Ipanema, Leblon, Flamengo, Botafogo, Copacabana, Lagoa e Jardim Botânico juntos arrecadam o mesmo da nossa região. Isso é justo?

Por Claudio Magnavita*

O que querem fazer com os proprietários de imóveis da região da Barra, Recreio e Vargens é um crime. A insana proposta de aumentar o IPTU vai penalizar ainda mais o morador da nossa área, que há anos vem carregando o município e sendo punido. O projeto do Prefeito Marcelo Crivella, o PL 2689/2018, foi aprovado no último dia 22 por 32 votos a favor e 18 contra na Câmara Municipal. Até vereadores que tem a sua base política na região ficaram ao lado do Prefeito.

A Barra/Recreio e Vargens são responsáveis por 17% das inscrições, mas representam 33,5% de toda a arrecadação da cidade. A nossa região, arrecada o equivalente a Ipanema, Leblon, Flamengo, Botafogo, Copacabana, Lagoa e Jardim Botânico juntos. Sabem por que um terço de tudo que o município arrecada com o Imposto Predial Territorial e Urbano vem da nossa região?

Olhem o disparate: o que nos pagamos representa duas vezes e meia o que paga um morador da Zona Sul. Em Copa, o percentual é de 11,8% do valor venal e vai pular para até 20%. Leblon, 12% e vai para 20%. Ipanema, 21,1% e vai para 20,04%.

Vejam agora os nossos números. Já são bem superiores ao piso que o resto da cidade já possui e que passará a ter se o PL for aprovado.

BARRA, HOJE 27,8% vai para 31%.
RECREIO, HOJE 26% e vai para 30%

Cadê a isonomia? Não somos munícipes da mesma cidade? Porque um morador da nossa região vai continuar a ser penalizado e passará a ter uma das alíquotas mais caras do país?
Estamos pagando caro pelo progresso, e sem receber retorno. A nossa região arrecada 410 milhões e representamos 33% da receita. Uma questão que revolta! O que arrecadamos aqui e recebemos em contrapartida?

A cidade deve muito ao morador da Barra, Recreio e Vargens. Na prática, nós financiamos parte da cidade, já que pagamos muito e pouco nos é dado. Fala-se em Justiça fiscal, mas o que vivemos é uma injustiça fiscal. Falar em justiça é colocar na base de cálculo da alíquota máxima a 25%,como propôs o vereador Carlos Caiado, mas nós já estamos a 28% e querem puxar para 33%. Um absurdo. Uma total falta de respeito com quem apostou no progresso, principalmente para a região que tem sido a locomotiva da construção civil e na geração de empregos. Pagamos caro por ter construído o futuro.

E o que recebemos? Temos uma regional pífia, que ficou até sem luz durante várias semanas no início desta administração, serviços deficitários que precisam ser mendigados, um superintendente regional (ex-subprefeito) que distribui cartas de “nada opor” como se alvará provisório fosse, uma Guarda Municipal inexpressiva para área. Uma liderança contou que, só para o fechamento da orla na Zona Sul em um domingo, tinha 32 viaturas na missão de proteger a área de lazer e quase nenhuma na nossa região. A Colurb diminui os caminhões e a RioLuz vive fazendo magica com a falta de equipamentos.

O morador de Copacabana tem como parâmetro do seu IPTU 12% da mais valia. E quem pagou pelo pioneirismo e para desbravar uma região desprovida de serviço publico 28%, novamente isso é justo?

Devemos levar em conta que boa parte da infraestrutura da nossa área tem sido feita pela iniciativa privada. Desistimos, a muito tempo, de esperar o poder publico. Onde o senhor prefeito Marcelo Crivella mora, na Península, foi um condomínio feito pelos empreendedores. O bairro, dentro de um bairro, nunca foi um peso para a Prefeitura. O mesmo com Rio 2 e outros condomínios.

Esta bandeira conta com o apoio e a coragem do representante da região , o vereador Carlo Caiado, que não cedeu as pressões de cargos e participação na maquina municipal e ficou ao lado do contribuinte. A sociedade civil organizada não vai aceitar que se comenta este crime contra o morador da Barra, Recreio e Vargens. A Câmara Comunitária da Barra, através do seu presidente Delair Dumbrosck já promoveu uma audiência público e vai mobilizar outras entidades . O Jornal da Barra vai abraçar esta luta, custe o que custar. A Barra tem uma sociedade civil organizada que vai lutar contra esta barbárie. E o JORNAL DA BARRA vai acompanhar de perto esta segunda votação e mostrar os políticos que pedem votos e na hora de defender o morador da região, prefere ficar ao lado dos acordos que fizeram com a administração municipal.

*Cláudio Magnavita é editor do Jornal da Barra.