Apresentador e radialista por formação, Tino Junior abriu o jogo para o JORNAL DA BARRA e contou sobre o desafio de conciliar o telejornalismo com o rádio, além de desvendar o verdadeiro significado de seu jargão mais famoso em sua carreira –“que isso fera”. Ele também relatou a dificuldade na transição dos veículos de comunicação e na alegria de poder lidar com os ouvintes e os telespectadores em seus programas. Sem medir palavras, Tino também expressou sua tristeza com a atual situação da região que ele mais ama.

 

Tendo em vista sua formação no radialismo, como você vê a atual situação das emissoras no mercado atual?

O rádio passa por transformações pressionadas pelo mundo digital, você tem as plataformas de streamings que transmitem músicas digitais, além de ter a concorrência com o surgimento dos aplicativos, no qual você pode escutar a rádios pelo telefone, porém eu não vejo isso como uma ameaça e sim como mais um agente transformador. Então, as emissoras vão buscar brechas de interesse, para que elas continuem sendo fundamentais nas vidas das pessoas, ou sendo assim, eu vejo o rádio como um meio de comunicação mais importante para todos nós cidadãos. 

 Sua primeira inserção no mundo do rádio foi na FM O Dia, em meados dos anos 2000, como você analisa a sua volta para o cenário do rádio, ainda mais na FM O Dia, um dos seus primeiros locais de trabalho?

A minha primeira experiência com a rádio foi em Portugal, eu morava por lá de 13 para 14 anos, e com 15 eu já comecei a trabalhar na redação da rádio Placar, na cidade do Porto, que atualmente se chama Record FM (95.5 FM). Então, na minha volta para o Brasil o meu início na FM 105 foi uma porta de entrada para a FM O Dia. Então, a minha volta para o rádio é muito importante e prazeroso, justamente por eu conseguir conciliar o meu trabalho em dois veículos de comunicação, ou seja, duas formas de comunicar diferente. Até mesmo por eu interagir com um público semelhante na Record quanto na FM O Dia.  E a minha identificação com a transmissora é muito grande, visto que nela que obtive o reconhecimento e o crescimento como profissional, que motivaram a minha ida para a Record TV.

 Além de radialista, você é apresentador do programa “Balanço Geral” da emissora TV Record, dessa forma, qual é o desafio de conciliar duas grandes funções na carreira?

Acho fantástica essa conciliação com a TV e o Rádio, porque no programa de TV eu tenho um momento de descontração parecido com o do rádio e inclusive tem um quadro que o telespectador manda whats app para a gente, além da interação através das redes sociais. Então, a sinergia que existe é muito grande e um complementa o outro.

 Como foi a transição do rádio para a televisão? 

Quando eu saí do rádio e fui fazer TV, essa transição no início foi bastante tensa, pois era um veículo novo para mim, com mecanismos diferentes, raciocínios diferenciados, justamente porque no rádio você constrói uma imagem pelo seu consciente, já na TV você narra um conteúdo que seu ouvinte vê, e assim nosso trabalho é complementar, à medida que a imagem já diz quase tudo. Então, em um primeiro momento foi bastante forte, visto que eu tive que utilizar “ponto”, coisa que eu não lidei no rádio. Mas depois eu fui me acostumando, a equipe também me recebeu de braços abertos e facilitou consequentemente.

  Quais foram suas maiores dificuldades?

 É muito subjetivo, mas para quem trabalha com comunicação, sabe que existe uma diferença muito grande entre a construção da imagem e na narração dessas reproduções. Então, isso foi muito desafiador, além da questão do “ponto”, quando você ouve informações da produção do programa e ao mesmo tem que passar ao telespectador.

 Dono de um jargão mais inovador dentro da televisão, o “Que isso Fera”, como foi que surgiu a ideia e como foi trazer ele do rádio para a TV?

 Esse jargão surgiu na FM O Dia e ele está comigo até hoje. Seja na Record TV ou no rádio. Na verdade, em um primeiro momento era “que isso bicho” e depois ficou o famoso “que isso fera” e até engraçado que muito das vezes eu sou chamado assim na rua, quando me veem passando.

 Ser âncora de um telejornalismo passou por sua cabeça em algum momento da sua vida?

Eu acho que passa na cabeça de todo estudante, e quando eu estava na faculdade tinha duas matérias de telejornalismo, na qual aprendíamos como atuar como âncora. Então assim, não era nenhuma meta traçada até a TV, mas acredito que foi Deus que me proporcionou. Eu acho que o grande segredo é você se entregar completamente no seu trabalho e o melhor acontece.

  Morador da Barra, como você analisa o bem-estar social da sua família na região?

Eu acho que a Barra da Tijuca carece de mais segurança, em primeiro lugar. A gente sofre também com trânsito, em alguns pontos caóticos. Além da poluição nas Lagoas da Tijuca, o que me entristece bastante. Particularmente eu gosto muito de andar pelo canal da barra, remando pelo quebra-mar e é muito triste, pois você vê de tudo boiando, muita sujeira, muito esgoto. Então, são os políticos que desviam nosso dinheiro e não cuidam do saneamento da região, da desorganização urbana e da própria segurança que é uma mazela do nosso Estado, não apenas sendo uma questão de bairro. O 31°BPM faz um excelente trabalho aqui na Barra, só que eles fazem o que pode. Não tem viaturas, não tem efetivo. O pessoal das delegacias, da 16° também é bastante efetivo, mas infelizmente não da, pois o Estado não oferece a estrutura.  

Qual foi a evolução que você obteve na televisão que irá levar na sua volta ao rádio?

Acho que estamos constantemente evoluindo, a comunicação evolui só que a transformação mais lega que a televisão fez em mim, foi analisar com um olhar mais apurado e equilibrado sobre a sociedade. Isto é, um olhar mais comedido sobre o meu país e filtrando as informações para uma comunicação eficaz.


 Qual é o Tino Júnior que os ouvintes podem esperar com seu retorno as rádios?

Os ouvintes podem esperar o Tino Junior na melhor fase da vida, um rapaz família e, sobretudo alegre pra caramba. Então, é a minha marca, a minha alegria, o improviso e a minha criatividade.