Allan Dias Castro já conquistou mais de 55 mil pessoas no seu canal do Youtube e acumula um pouco mais que 45 mil seguidores no seu Instagram. O poeta gaúcho já mora no Rio há oito anos e conta para o JORNAL DA BARRA como tem ganhado espaço no cenário cultural carioca com suas músicas e poesias.  

 Conta um pouco sobre a sua trajetória. Como você entrou no meio artístico?

Tentei evitar o máximo que pude. Vivi aquela questão de buscar algo tradicionalmente rentável e seguro. Cheguei a cursar Direito por alguns anos mas desde a adolescência já escrevia letras e textos, aí eu sentia que realmente estava fazendo algo que me diferenciava dos outros e, até por isso, correspondia e reforçava minha personalidade. Quando saí do Direito fiz a faculdade de Publicidade e Propaganda, ainda em Porto Alegre. Lá conheci pessoas fundamentais pra abraçar de vez o meio artístico. Trabalhei em uma produtora de Áudio e foi aí que minhas letras ganharam música pela primeira vez. Com um material na mão tomei a decisão de vir para o Rio apresentar minhas músicas e eu dei sorte; já na primeira investida o mestre do samba-rock Bebeto gostou do meu trabalho em parceria com o Tiago Corrêa, e acabou gravando três músicas nossas. A partir daí foi tudo meio se conectando, ideias, oportunidades e principalmente pessoas.

 Você é do Sul, né? Como foi se mudar para o Rio de Janeiro?

Sim, sou do Sul, minha família mora em Porto Alegre. A mudança foi consequência da minha primeira vinda pro Rio pra apresentar meu trabalho. As primeiras oportunidades que apareceram foram meio que um tudo ou nada pra esse sonho de viver de música, ou pelo menos tentar de forma mais séria. Pra chegar àquele ponto em que não dá mais pra voltar. Aqui pude diversificar bastante essa ideia de ser escritor, criei um programa de televisão, fiz muitos roteiros e, claro, letras de música em parceria com nomes que lá de Porto Alegre pareciam inimagináveis. Estar presente aqui facilitou bastante esse caminho.

 Você tem um livro de poesias publicado, o "Zé Ninguém". Como foi o processo criativo?

O Zé-Ninguém é praticamente um resumo da minha trajetória. O processo criativo foi ao longo dos anos, o livro é um resultado de todas as possibilidades que a escrita me proporcionou. Ali eu tinha toda a liberdade de escolha de o que dizer e como. Foi realmente uma necessidade de assinar algo meu, dar cara ao meu trabalho e realizar esse objetivo de lançar meu primeiro livro. A partir do momento que resolvi encarar a ideia de tirar esse sonho da gaveta, literalmente, muitas coisas boas foram acontecendo. Uma editora abraçou o projeto (Íbis Libris) e tivemos a realização  gigante de contar com a apresentação do Luis Fernando Verissimo. Aí rolou essa estreia que foi um processo quase familiar, porque o livro tem ilustrações de um grande artista gaúcho, e meu amigo há anos, o Ricardo Pirecco, e diagramação da minha mulher, Ana Carolina, que acompanhou todo o processo de criação de perto.

Agora você tá com o "Reverb". Conta um pouco pra gente sobre o projeto.

O Reverb é o resultado de uma parceria de mais de 15 anos compondo com o músico paulista Tiago Corrêa. E é a melhor tradução do que eu gosto de fazer, que é escrever e falar o que eu escrevo. A ideia foi criar  uma banda onde o poeta estivesse na frente e não escondido atrás da caneta. A recepção do público surpreendeu muito, estamos rodando por várias cidades do Brasil levando essa mistura de poesia e música.

Você conseguiu juntar as duas artes em um projeto só. Tem alguma preferência entre a poesia e a música?

Verdade, essa mistura era meu objetivo de vida. Embora curta demais essas artes separadamente, pra mim elas são complementares e me acompanham desde a infância. A música por influência do meu pai e a poesia e  literatura por influência da minha mãe. Aí complica escolher uma só como preferência.

O seu principal canal de divulgação e de contato com as pessoas, são as redes sociais. Qual sua opinião sobre o uso dessas ferramentas?

A eficiência é tão grande que chegam a, no mínimo, influenciar os meios tradicionais, atualmente. Eu só agradeço, foi através da internet que meu trabalho chegou até muita gente, a ponto de circular nos diferentes meios. O meu maior objetivo é levar meus textos e músicas pro maior número de pessoas. Tudo que colaborar com essa ideia será bem-vindo.

Você mora aqui na Barra da Tijuca. Como você acha que o público da região recebe o seu trabalho?

É muito bom encontrar as pessoas que já conhecem meu trabalho de alguma forma e vem trocar uma ideia. A recepção é sempre muito legal. Eu sou um cara que tenho um estilo de vida muito mais de atleta do que de poeta. Além da música, o surf é a minha terapia. Então, circular por um bairro onde você encontra pelas ruas de Zeca Pagodinho, a Carlos Burle, pra mim, é o paraíso. Mas é preciso entender que a arte é muito maior que nosso bairro, não dá pra se limitar. Circular nos diferentes meios é necessário e libertador.

Pode dar um conselho para os leitores que também querem seguir a carreira artística?

Eu tenho uma música chamada Pode Crer, que tem um trecho que diz o seguinte:  “Quem sempre acreditou até o fim, lá no início, eu sei que ouviu coisas assim: você tá louco? Volta pro mundo! Viver de sonho é profissão de vagabundo”. Talvez seja um bom resumo, porque a gente acaba ouvindo muito conselho, muita gente reclamando. Mas se a verdade da pessoa for a arte, não é uma opção, acaba sendo uma necessidade seguir esse caminho. A mesma letra que citei acaba assim: “Tudo muda depois de ter conseguido”. Eu realmente acredito nisso.