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Jornal da Barra: O que falar da trajetória da Câmara Comunitária do Recreio e Vargens?

William Nogueira: A Câmara do Recreio e Vargens foi constituída em novembro de 2013. O intuito da Câmara, quando criou, foi ter representatividade da região. A gente tem muitas associações de moradores, tanto dentro das comunidades, quanto fora. Nos mesmos moldes que a Barra construiu uma câmara forte, o Recreio se viu também nessa situação, de criar uma que representa essa região, ou seja, Recreio, Vargem Grande, Vargem Pequena e os bairros que ficam próximos. A ideia é reunir esse público e também as associações, para que  faça pleitos maiores e trate de assuntos mais gerais, e não de assuntos pontuais. A principal bandeira da Câmara é segurança. E quando a gente fala de segurança pública como um todo, fala também de um complexo maior de bairros. Falamos de meio ambiente, de projetos para despoluir os canais, proteger as áreas verdes, coibir construções em áreas irregulares que não podem ser construídas... enfim, toda uma preocupação sobre isso. Falamos também de mobilidade urbana, de educação, de saúde e do plano de urbanismo que temos nessa região.

Jornal da Barra: A segurança é a principal pauta do momento?

William Nogueira: Como instituição, temos muito acesso ao poder público da polícia. O nosso papel é assessorá-los e cobrá-los daquilo que podemos fazer. Alguns dos projetos dos quais a Câmara está ligada diretamente é em relação ao retorno da Cavalaria ao Recreio. Eles (polícia militar) utilizaram essa ferramenta durante alguns meses, nas Olimpíadas, e ai saíram da região. Estamos pleiteando isso. Entramos com ofício junto ao Estado Maior da Polícia Militar, para que eles pudessem retornar ao Recreio, que é uma área apropriada para esse tipo de policiamento. Consultamos o comandante da cavalaria e realmente o Recreio é bem propício para receber este tipo de policiamento. O próprio comandante da região, que é o comandante do 31º BPM, viu isso com bons olhos. Estamos aguardando uma resposta final do Estado Maior, onde a gente vai ter a resposta, se eles vão poder retornar ou não. Outro projeto que estamos tentando colaborar é com o grupamento aéreo da policia militar. Eles estão querendo montar uma base aqui na região para trazer helicópteros e fazer, não só um trabalho de policiamento, mas também um policiamento, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, das áreas verdes e das áreas que estão sendo ocupadas de forma irregular. Outro assunto importante é o desenrolar do projeto das câmeras que está sendo implantado no Recreio. É um projeto de uma emenda parlamentar do deputado Otavio leite (PSDB-RJ), que começou há dois anos. Estamos acompanhando isso junto com o Centro de Comando e Controle da PM, até que esse projeto seja efetivamente concluído. Hoje, já existe uma empresa que está cuidando do licenciamento das instalações dessas câmeras e, em breve, podemos contar com seis ou oito câmeras dentro do bairro do Recreio.

Jornal da Barra: Desde 2013 essa região mudou muito. Um dos motivos para essa transformação foi instalação do BRT como principal meio de transporte local. O que mudou com a vinda desse modal?

William Nogueira: O BRT é um mecanismo de transporte bom para quem é usuário, como quem vem da Zona Oeste para trabalhar na Barra, mas trouxe alguns desafios para região. Aumentou consideravelmente o fluxo de pessoas, principalmente no verão, que vem um público muito grande, sobrecarregando o policiamento. Então, é um desafio para polícia controlar esses acessos, tanto a Transolímpica, quanto a Transoeste. Nossa preocupação é que a mobilidade urbana ganhou com o BRT, mas também teve uma fragilidade no nosso sistema de segurança, que é o que a gente vem pleiteando junto ao poder público. Muitas pessoas reclamam de assaltos dentro das estações e dentro dos próprios ônibus. Então, é um sistema que carece de planejamento maior quanto à segurança. Outro pleito é que a Prefeitura consiga retornar a terceira faixa da Avenida das Américas. Hoje, para sair do Recreio até a Barra, você demora quase uma hora no transito, pois uma das faixas foi tomada pelo BRT.

Jornal da Barra: Como é a relação da Câmara Comunitária com as associações do Recreio?

William Nogueira: A nossa relação é de agregar valor, de trazer a união de todas essas entidades que participam conosco, para que a gente possa, de forma efetiva, pleitear assuntos maiores. Então, não há qualquer tipo de vaidade com quem faz ou quem não faz, a ideia é somar esforços para que o poder público nos ouça de forma efetiva e a nossa região tenha uma representatividade. Nossa ideia é agregar valor entre nós.

Jornal da Barra: União também com a Câmara da Barra?

William Nogueira: Também com a Câmara Comunitária da Barra da Tijuca. Em alguns pleitos, nós entramos em conjunto.  Fizemos uma caminhada contra a violência que a Câmara da Barra participou conosco. Há uma cumplicidade efetivamente de brigar pela região.

Jornal da Barra: O que a câmara pode falar sobre a região do Terreirão do Recreio?

William Nogueira: Não sabemos exatamente qual o planejamento da Prefeitura para esta região. O que sabemos é que tem muitos lugares ocupados de forma indevida. Então, existe uma construção frequente de favelas, que compromete todo o sistema lagunar, porque o esgoto dessa região vai para as lagoas e nos canais. Pretendemos saber quais são os projetos que a Prefeitura pode apresentar. Como mudou o prefeito, eles devem ter novos planos.

Jornal da Barra: As Vargens são, muitas vezes, bairros esquecidos pelo poder público e pela grande mídia?

William Nogueira: Tentamos, de forma ampla, representar toda a região. Quando fala em segurança, é em nome do Recreio e das Vargens. Quando fala de meio de ambiente, é em nome do Recreio e das Vargens. Qualquer pleito ao poder público, de certa forma, representa toda a região. Obviamente, precisamos contar com a participação das pessoas que moram por lá. A AMAVAG (Associação de Moradores e Amigos de Vargem Grande) tem participação na nossa diretoria e até do nosso conselho. Dependemos muito da participação das pessoas nas reuniões, pois não conseguimos mudar um bairro, mudar uma cidade, sem uma participação cidadã.

Jornal da Barra: Quais as principais reinvindicações da população da região?

William Nogueira: Um assunto que é comum a todos é a questão da segurança. É o item que mexe diretamente com a nossa vida. Hoje, você pode ser abordado por um meliante, ele dar um tiro e você morrer. Estamos lidando diretamente com a vida humana, então isso é um problema em Vargem, um problema no Recreio, um problema em qualquer lugar no Rio de Janeiro. Tentamos nos proteger da melhor forma possível. Um trabalho, por exemplo, da Associação da Barra, através da Central de Monitoramento é ampliar essa Central para o Recreio, tendo adesão dos condomínios, das associações, para compartilhar as imagens da região com a central da Barra e também com o batalhão. A ideia é de unir esforços para trabalhar melhor isso. O tema principal da região é a segurança e em segundo o meio ambiente. Estamos falando das construções irregulares e também da poluição do Canal do Cortado, do Rio Morto, que são áreas totalmente poluídas pelo esgoto, já que a região então não tem um tratamento adequado.

Qual a opinião sobre o projeto da vereadora Rosa Fernandes (PMDB - RJ), que permite o fechamento ao tráfego de veículos estranhos aos moradores de vilas e ruas sem saída?

William Nogueira: Ela falou que conseguiu aprovar o cerceamento de bairros. Aquelas ruas de casas que, de alguma forma, conseguem ser limitadas e fechadas. Aqui no Recreio tem diversas realidades. Alguns pontos merecem ter melhor proteção, até porque a polícia não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Então, existem pontos que até mereciam ter restrição, não impedindo a passagem das pessoas, mas, pelo menos, tendo certo controle. Vou citar um: a Barra Bonita tem muito fluxo de pessoas, então, constantemente tem assaltos, roubo de veículos e, às vezes, os veículos são deixados em determinados pontos. Então, se tivesse algum controle de acesso, os bandidos não conseguiriam utilizar esses espaços para deixar carro roubado ou promover um furto. É um assunto polêmico, que deve ser debatido com a sociedade e, principalmente, com os moradores dessas regiões que carecem de um cerceamento ou não. São áreas que não tem policiamento efetivo e os moradores se organizam para cuidarem desses espaços. Então, acho que é positivo, mas pode ser negativo em outros aspectos se não for feito com a participação dos moradores. Acho que havendo participação e aceitação por parte dos moradores, eu não vejo motivo para não ter. Obviamente, não impedindo a passagem das pessoas, porque isso infligiria no próprio direito de ir e vir.

Jornal da Barra: Quais as principais conquistas até aqui?

William Nogueira: A maior conquista foi ter criado a Câmara e se mobilizar em torno disso. Mobilizar, na época, praticamente todas as associações de moradores, inclusive a Associação Comercial do Recreio e a da Barra. Acho que as vitórias vêm com o tempo.  Nosso desafio é mobilizar as pessoas, que elas somem os esforços e, através de uma mobilização da região, consiga melhorias. A Câmara da Barra conseguiu o metrô e uma série de benefícios. Nós também pretendemos conseguir. Queremos botar uma escola de segundo grau que não existe na região, melhorar a mobilidade urbana daqui, ampliar a questão da saúde. Não temos nenhum tipo de atendimento de emergência na região. Então, colocamos em nosso pleito uma UPA 24h. A Clínica da Família, que está no papel, não saiu. Tem o terreno escolhido, mas não foi construída. Isso tudo faz parte do nosso dia a dia de conquistas. Esperamos que ao longo do tempo, possamos enumerar todas elas como concluídas e feitas.

Jornal da Barra: Para terminar, gostaria de saber da importância de um jornal desse porte cobrindo a região.

William Nogueira: Acho que depois que sofreu a mudança, ele ganhou uma amplitude muito grande e achei extremamente positivo. Primeiro porque o Jornal da Barra tem participado de todos os eventos aqui da região, tanto de segurança e todos os outros temas. Isso é importante, porque dá publicidade aos moradores. As pessoas que leem o jornal sabem de tudo que está acontecendo na região, então, eu acho que é muito positivo. Na medida em que a gente tem uma mídia que possa externar todas essas demandas, tudo que está sendo feito, só tem com o que contribuir.

Por Ive Ribeiro