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Certa vez, conversando com um comandante da Policia Militar, perguntei a ele o porque de aos sábados , domingos e feriados, ou após as 18h, praticamente não existirem unidades da PM de prontidão em nosso bairro. Fiquei muito surpreso, pois a resposta dele foi direta ao comparar a minha situação de contribuinte e de cidadão civil com a dele, dizendo que era um ser humano como eu, e que também ele e seus colegas de farda tinham os mesmos anseios e direitos que os meus, ou seja, ter uma vida segura, momentos de lazer e tranquilidade, e poder estar com sua família e amigos nos fins de semana.

Nada contra, mas os bandidos não tiram folga, e na situação precária da segurança da cidade, atitude que considero impensável. Se estamos em "guerra" contra traficantes e vândalos, a PM, a Guarda Municipal e todas as forças de segurança deveriam estar em alerta máximo, até que a situação de controle se restabelecesse.

Evidentemente a vontade e o desejo do comandante PM podem ser considerados justos, porém , como o de um verdadeiro militar, um oficial do Exercito, da Marinha ou da Aeronaútica, se recusar a ir a uma guerra caso convocado, ou um médico se recusar a atender um acidentado ou emergência, por exemplo, seria caso de omissão e punição.

Qualquer um de nós deve ter direito a viver em paz, ter segurança e lazer, porém um policial ou militar, em primeiro lugar deve ter a certeza de que fez o melhor e cumpriu com seu dever.

Hoje nossa cidade, município, estado e país passam por momentos difíceis e turbulentos. Se a Justiça e os poderes constituídos não tiverem pensamento positivo e atitudes firmes, será muito difícil encontrar uma solução para tudo isso. Forçosamente a solução deverá passar pelo compromisso profissional, moral e ético, dos governantes, dos políticos, da Justiça e das autoridades de segurança, desde os representantes eleitos pelo povo, e aqueles por eles nomeados, assim como empresários que deverão agir com honestidade e escrúpulos, deixando de lado a exploração e o lucro desonesto, a qualquer preço e em proveito próprio.

Uma das principais razões dessa nossa terrível situação, é a falta de compromisso e de exemplo, de cima para baixo. A operação Lava-Jato é a prova disso. Os últimos presidentes são acusados ou suspeitos de terem participado de atos de corrupção, assim como seus correligionários políticos. Tivemos dois presidentes depostos de seus cargos em pleno mandato, governador preso assim como o expresidente da Câmara dos Deputados; ministros sendo investigados e políticos suspeitos de desviarem recursos da Educaçao, da Saúde e de grandes obras que deveriam ser implantadas para o bem do povo e para melhoria da qualidade de vida.

Estamos vivenciando um verdadeiro caos, e o povo anseia por Justiça, prisão e punição para os responsáveis, em todos os níveis, desde aqueles do mais alto escalão até aqueles que incendeiam ônibus, depredam bens públicos, bloqueiam ruas e destroem bancos e lojas.

Mas como acreditar que a Justiça é igual para todos? Mais uma vez constatamos que isso não ocorre em nosso país, vide os últimos atos da Justiça soltando a esposa do Gov Sérgio Cabral, e as decisões da 2ª Turma do STF, que julga os casos da Lava-Jato, liberando, Bumlai, Genu, Eike, Dirceu e outros, para prisão domiciliar.

O povo entende que isso seja apenas o começo...O desmonte de tudo pelo que vem se manifestando publicamente nos últimos anos.

O Min. Gilmar Mendes, em voto de Minerva, e no auge de sua revolta, chegou a declarar que a decisão da liberação de Dirceu, é uma tomada de posição suprema do STF, uma demonstração de poder contra aqueles " jovens" de Curitiba que acham que podem tudo.

Pelo que estamos vendo, assim não vamos chegar a lugar nenhum. Ficará o dito pelo não dito. Como vem sendo amplamente divulgado nas redes sociais, trata-se de mais um golpe praticado agora pelos membros da mais alta corte do país contra o já tão sofrido povo brasileiro, precipitando o início do fim da Lava Jato.

Por Cloris Miranda
Jornalista e Economista