O jovem torcedor Rubro-Negro não se esquece de Renato Abreu. O ex-camisa 11 do Flamengo, que por ora está longe dos gramados, abriu um novo empreendimento. Diferentemente daquele de marcar gols e dar alegrias para os flamenguistas, neste o golaço é para toda a família. Ficou curioso? Então clique aqui e descubra mais sobre a pizzaria Eleven, que há um ano faz os moradores da Barra lamber os beiços.

Ídolo do Flamengo e morador da Barra há 12 anos, o camisa 11 apaixonado por massas segue sua nova vida de empreendedor e promete sorteio de camisas autografadas para os clientes

Renato Abreu“O jogador de futebol morre duas vezes, a primeira, quando para de jogar.” A frase do ex-jogador e técnico da seleção brasileira, Paulo Roberto Falcão, é válida para muitos atletas que ao encerrarem suas carreiras encontram dificuldades para dar prosseguimento as suas vidas. Não é o caso de Renato Abreu. Ex-jogador de Corinthians, Flamengo, Santos, com passagens pelo futebol dos Emirados Árabes e convocação para a seleção brasileira, ele comemora, neste mês de junho, seu primeiro ano como proprietário de pizzaria. Trata-se da Elleven Pizza e Bar (que em seu nome faz referência ao número da camisa que Renato costumava vestir). O restaurante está localizado dentro do Shopping Barra Prime, no número 222 da Avenida Afonso Arinos de Mello Franco.

Ao lado de sua esposa Karina e suas três filhas, aos 39 anos, Renato não esconde a empolgação pelos primeiros 12 meses a frente de seu primeiro negócio fora das quatro linhas (seu último clube foi o Santos, em 2013). “Primeiro ano, muitas coisas que aconteceram durante esses meses. Então a ansiedade para mim está muito grande, porque é a realização de um sonho. Vai ter festa nesse dia (do aniversário), amigos e clientes que a gente espera. Estamos tentando promover para ser uma festa bonita”.

A presença do futebol no ambiente da pizzaria é evidente. Camisas de times, livros sobre o esporte e fotografias de jogos estão espalhadas pelos dois andares do restaurante. “Pelo ramo que joguei muito tempo, eu pensei com a minha esposa da gente combinar uma coisa que gosto bastante com a parte temática, que é o futebol. A ideia é fazer um rodizio de camisas, na verdade, até colocar mais camisas, trazer as que eu tenho em casa e brincar com o cliente. Ver um jogo na televisão, tirar uma curiosidade sobre uma foto, comentar um lance de um jogo”, explica.

O contato próximo de Renato com os clientes é uma atração à parte na pizzaria. Sempre presente no local, ele diz que torcedores de times rivais do Flamengo estão constantemente brincando com ele. “O que eu mais escuto é assim: “você ferrou meu time”, claro que não com essas palavras”, conta aos risos. Não poderia ser diferente, já que pelo rubro-negro foram 271 jogos e 74 gols marcados. Apesar de ser impossível desassociar Renato Abreu do futebol, ele deixa claro que o ambiente é plural e para todos os gostos. “Não que seja um lugar apenas de pessoas que fazem esportes ou que gostem de esporte. Aqui é uma casa da família. Aonde você trás sua esposa, trás seu filho para brincar e se sente à vontade”.

Planejamento pós-carreira foi fundamental para o sucesso na vida de empreendedor

A carreira de jogador de futebol é considerada extremamente curta. Poucos os que conseguem se aposentar após os 40 anos. Além disso, os que tentam continuar no meio futebolístico também encontram dificuldades, pois, para o mercado, o profissional na faixa dos 35 anos está velho para continuar jogando e muito novo para exercer a função de dirigente ou treinador. Mesmo tendo estudado e se especializado em cursos, Renato conta que passou por este tipo de dificuldade. “O meu primeiro pensamento era continuar trabalhando na área do futebol, em categorias de base, fazendo a transição da base para os profissionais e pensei também num plano B, nessa área gastronômica. Não deu certo a primeira”.

A opção pela pizzaria foi, então, um caminho natural para Renato Abreu. Explica-se: ele é um verdadeiro apaixonado por pizza. “Se eu pudesse consumia pizza todo dia”, confessa. Entretanto, para investir no negócio não foi preciso apenas paixão pela gastronomia. “O que eu fiz durante todos esses anos foi estar ligado no mercado, entrar nas oportunidades, não só futebol, mas entender um pouco da área politica, da área gastronômica, procurar entrar nos assuntos do dia-a-dia e, com isso, nos meus 31 anos, já comecei a pensar no que eu ia fazer”.

Renato é morador da Barra da Tijuca desde 2005, quando acertou sua transferência para o Flamengo. Para ele, que sempre percebeu certa carência de pizzarias no local, o bairro era o lugar ideal para o primeiro negócio. “Não fui eu quem escolhi, foi a Barra que me escolheu”, disse. Além disso, a região oferece para o ex-meio-campistas uma qualidade de vida diferenciada para ele e sua família. “Não queremos sair de jeito nenhum. Claro que às vezes bate saudade, os parentes estão todos lá (em São Paulo), mas a nossa prioridade é aqui no Rio, aqui a gente consegue ter lazer, ter praia, ter uma vida mais normal e a pizzaria veio na Barra da Tijuca como um caminho normal”.

Planos futuros: abrir uma filial e voltar a trabalhar com o futebol

Se enquanto jogador de futebol Renato Abreu era conhecido pela raça e determinação para buscar as vitórias, na vida dos negócios não é diferente. A Elleven começou como um local restrito para amantes de pizza, entretanto, atento a outro tipo de demanda e atendendo pedidos de clientes, a pizzaria passou a servir almoço executivo de 12h até às 15h, aumentando o horário de funcionamento do local. O empreendimento também possui um serviço de entregas e, em breve, oferecerá rodízios às terças e quartas feiras.

Outra intenção, essa mais ousada, é de abrir outra pizzaria. “A ideia é crescer mais, é expandir, porém, o espaço é limitado porque tem lojas do lado, mas temos a intenção de fazer uma franquia”, revela Renato, que também não esconde o desejo de futuramente voltar a trabalhar com o futebol, aliando as duas paixões: pizza e esporte. “Não é de uma hora para outra que a gente vai esquecer tudo que viveu. Está no sangue. Isso corre nas minhas veias. Essa vontade de trabalhar em algum clube, trabalhar de alguma forma. Jogando, quem sabe? se fosse no Campeonato Carioca, jogaria sem problema nenhum”. Ele completa indicando outras intenções: “fazer essa transição da base, sendo auxiliar técnico. Técnico para mim é uma coisa que eu não seria nesse momento, talvez um tempo na frente eu pensaria. Me sinto apto pra fazer algumas coisas”.

Apesar das quatro linhas serem sempre uma possibilidade, Renato Abreu fala como um homem que é feliz no que faz. Acostumado com uma agenda de viagens e distância da família nos tempos de jogador, hoje, não menos ocupado, ele vive uma rotina diferente. Acorda às 6h, leva as três filhas ao colégio, faz as compras com a esposa e cuida dos gastos da pizzaria. “A gente tem uma vida ativa. Sempre correndo atrás de alguma coisa e isso está me deixando feliz”.