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Com o slogan “Better City, Better Life”, Shanghai na China recebeu neste ano a Expo 2010 onde países do mundo inteiro apresentaram seus melhores conceitos de Sustentabilidade das cidades para o futuro. Durante duas semanas de outubro estive em Shanghai e Hong Kong, observando e aprendendo como a China e o mundo pretendem enfrentar o desafio da superpopulação do planeta versus a qualidade de vida nos grandes centros urbanos. O Brasil já possui mais de 83% da sua população vivendo em centros urbanos e é preocupante a questão do adensamento humano que é o caso de cidades ícones como São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1800 apenas 2% da população mundial vivia nas cidades. Já em 1950 este número cresceu para 29%. Atualmente já passamos a casa dos 55%. Portanto o Brasil já é o país do futuro no quesito adensamento urbano.
Comparando-se o Brasil com a China, São Paulo está para Shanghai assim como Hong Kong está o Rio de Janeiro. O Rio com mais de 6 milhões de habitantes, São Paulo com 11 milhões, Shanghai com 19 milhões e Hong Kong com 7,4 milhões. Portanto são cidades que estarão na pauta das preocupações quanto a sua qualidade de vida urbana. A Expo 2010 apresentou diversas propostas para o futuro das cidades concentrando naquilo que considero o mais importante instrumento para a solução dos problemas urbanos: a participação social. Através de uma extraordinária e divertida plataforma de comunicação e educação para os visitantes, a Expo 2010 trabalhou nas seguintes temáticas:
• Mistura das culturas urbanas • Ciência, Tecnologia e Inovação • Interação entre as zonas rurais e urbanas • Prosperidade econômica • Remodelação da arquitetura dos bairros
O objetivo da Expo 2010 era de receber 70 milhões de visitantes nos 183 dias de exposição. A meta foi ultrapassada e portanto mais de 70 milhões de pessoas puderam ver ao vivo e a cores como irão ser desenvolvidas as cidades do futuro. Importante realcer que o principal conceito de sustentabilidade apresentado para a adequação das cidades super populosas é o EQUILÍBRIO. A filosofia oriental do Yin-Yang esteve presente em praticamente todas as principais propostas apresentadas pelos 192 países que participaram da Expo 2010. Dentre os estudos de casos mais interessantes apresentados estavam a captação da energia solar através dos revestimentos das edificações, o aproveitamento da água pluvial com circulação pelas paredes visando a redução da temperatura dos edifícios, o aproveitamento da luz natural no interior dos prédios além de inovações arquitetônicas para integrar o urbano com o natural.
Os chineses, contudo, foram muito além. Aproveitaram o evento para se apresentar ao mundo como também estão construindo obras estruturantes e duradouras. Desenvolveram uma frota de ônibus movidos a eletricidade e/ou hidrogênio com emissão zero de carbono, ampliaram a rede metrô de Shanghai em mais de 150 km em 08 anos, contruíram novo terminal de barcas para o transporte fluvial, abriram novos túneis sobre o rio Huangpu, modernizaram sua infra-estrutura de comunicação e é claro, reforçaram todo sistema de saneamento básico e coleta de lixo da área da Expo 2010 e entorno evitando a poluição dos rios que serpenteiam por toda Shanghai. O legado da exposição mundial foi garantido para o benefício da população além do exemplo vivo de que podem haver cidades sustentáveis. Basta haver determinação e vontade política.
Eis aí um ótimo exemplo a ser seguido para o Mundial de 2014 e as Olimpíadas de 2016 que o Rio de Janeiro vai sediar. Só que tem um detalhe: a China começou a se preparar para a Expo 2010 que acabou no dia 31 de outubro com 8 anos de antecedência. Será que vamos conseguir?
Prof. Dr. David Zee Vice Pres. Camara Comunitária Prof. da UERJ e UVA
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