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Compromisso ambiental e responsabilidade social

 

No despertar do século XXI a Terra já tem mais de 6,5 bilhões de habitantes. Somos a maioria. Na verdade, somos a espécie invasora que não permite muito espaço para outras espécies vivas. Somos a antítese da biodiversidade. Os problemas ambientais surgem, na maioria das vezes, onde a presença do homem é mais evidente. Nos últimos anos, até mesmo as flutuações bruscas do clima do planeta que causam os desastres naturais tem como origem o uso desequilibrado dos combustíveis fósseis pelo homem. Uma vez sendo os grandes responsáveis pelo desequilíbrio ambiental do planeta teremos que ser também os principais conciliadores destes problemas. Daí a importância da formação da consciência ambiental com um olhar para as causas  e não somente para as conseqüências desastrosas. É preciso que mais pessoas abracem esta causa vivenciando no seu dia a dia atitudes que façam a diferença e que inspirem outras pessoas. Esta cruzada requer o envolvimento de toda sociedade.

Este envolvimento iniciou-se pelo 1º Setor, ou seja, o governo. Apesar dos progressos realizados nos últimos anos constatou-se que somente ações governamentais não seriam suficientes. O 3º Setor, sociedade civil, rapidamente percebeu a necessidade da sua participação. Contudo a falta de ordenamento e principalmente a carência de instrumentos para poder agir, não permitiu que a sociedade atuasse de forma mais efetiva. Assim pressionou-se a classe empresarial (2º Setor) chamando-a para que assumisse a sua cota de responsabilidade social.

Hoje as grandes empresas desenvolvem programas de responsabilidade social, por entender ser parte da sua missão, além do compromisso de reconciliação com a natureza. Por necessitar de insumos naturais na sua cadeia produtiva e usufruir dos serviços prestados pela natureza, o setor empresarial percebeu que o meio ambiente é seu principal aliado. Indiretamente, a sua imagem perante seu cliente, somado com a exigência imposta pela sociedade claramente obrigou que o 3º Setor se envolvesse na questão ambiental juntamente com o 1º Setor.

A medida que se evolui esta relação do 1º e do 2º Setor com o meio ambiente percebe-se o atraso da relação do 3º Setor no que tange a sua real participação. O envolvimento deve ser consciente e geral. Não apenas as ONG’S ou ambientalistas isoladamente nas suas articulações efêmeras. É preciso que a sociedade participe e vivencie. Que se envolva com a sua responsabilidade de ator principal. Afinal já somos mais de 6,5 bilhões de pessoas que usufruem dos benefícios que a natureza oferece. E o que oferecemos em retorno? Só a consciência sem ação não basta! É preciso ser também responsável e procurar encontrar algo na qual possamos realizar no nosso dia a dia como retorno para pagar os custos ambientais decorrentes da nossa passagem pela Terra.

Os interesses difusos entre os três setores da sociedade (governo, empresário e comunidade) é talvez o principal motivo da falta de objetividade e rapidez das soluções. Hoje todas as decisões são polêmicas e por isso demoram a ser resolvidas. O tempo é inimigo da natureza. Quanto menos se decide e mais se prorroga, o meio ambiente vai morrendo. Como diz um ditado popular: “Só não há jeito para a morte”.

De tanto criticar os outros (1º e 2º Setor), eles já estão avançando e realizando. Enquanto que nós do 3º Setor, continuamos reclamando muito e fazendo pouco, ou seja, atrasando as soluções. Precisamos nos envolver e assumir a nossa parte da responsabilidade social e do compromisso ambiental, contribuindo para a agilização das decisões que devem ser tomadas. “Pior que decisão errada é nenhuma decisão”.


Prof. David Zee

Vice-Pres. Câmara Comunitária da Barra da Tijuca

Prof. da UERJ e UVA