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A natureza manda recado

 

Os ultimos anos estamos sistematicamente sendo avisados sazonalmente sobre as mudanças rápidas que o planeta vem sofrendo. No mes passado (junho) tivemos um grupo de pescadores arrastados do litoral do Rio de Janeiro até Santa Catarina, quase perdendo a vida. Estes pescadores capixabas estavam pescando Atum em alto mar,ao largo da costa de Cabo Frio-RJ, onde foram pegos de supresa por uma grande e intensa ressaca.

 

Não houve tempo para nada.Ondas gigantescas danificaram o motor da embarcação e provocaram pane elétrica no sistema de comunicação. Sem propulsão e comunicação ficaram a deriva, ou seja, a mercê da Corrente do Brasil que os arrastou para sul. No litoral fluminense estavam a 90Km da costa de Cabo Frio e quando regatados encontravam-se a 250Km do litoral de Itajaí-SC. Só foi possivel salvar a tripulação.  Quanto ao barco, este afundou. Trata-se de outro aviso da natureza sobre o aumento ou mudança do seu perfil de agressividade. É preciso saber reconhecer e responder com ações eficazes de defesa ou de adaptação a esta nova realidade climática que está se estabelecendo. Nos próximos meses, possivelmente estaremos recebendo notícias da América do Norte e da Europa sobre a onda de calor provocando morte de idosos e queimadas nas poucas florestas que ainda restam no Hemisfério Norte.

 

A palavra de ordem para a nossa resposta contra os riscos  evidentes dos desastres naturais chama-se prevenção e adaptação. É preciso desenvolver medidas preventivas como o monitoramento ambiental e realizar a adaptação das áreas mais frágeis  que são as regiões costeiras, as baixadas e as encostas. É fundamental que se desenvolvam mecanismos de reforço destas áreas mais vulneraveis e evitar a exposição da população, que no caso seria primeiramente impedir a ocupação irresponsáveldestas áreas frageis.Quanto ao cenário da Baixada de Jacarepaguá o desafio será evitar a ocupação(favelização) das encostas vegetadas, remover  as comunidades em áreas de maior risco, realizar a manutenção preventiva dos canais de drenagem, consolidar a abertura da foz de desague do Canal de Sernambetiba para dar segurança contra as enchentes da Vargens, bem como promover o desassoreamento das lagoas de Camorim e Tijuca. Sem estas iniciativas básicas, que já são muitas, o risco de desastres ambientais na Baixada de Jacarepaguá será eminente.

 

Cabe entretanto alertar que as melhores medidas preventivas são aquelas que adotam os conceitos da natureza. Dificilmente o homem conseguirá se proteger adotando-se estruturas artificiais de proteção, somente. A melhor proteção das praias não são os enrocamentos e os muros dos calçadões, mas o volume de areias e a quantidade de vegetação de restinga preservada. A melhor defesa contra os deslizamentos de encostas não são os muros de arrimo e sim as raizes da cobertura vegetal. Para vencer as inundações de pouco adianta a retificação dos canais, mas sim, impedir a ocupação das várzeas por onde as aguas em excesso podem se espraiar e aguardar seu escoamento natural e gradual. Os melhores projetos humanos foram aqueles que souberam se espelhar na engenharia da natureza.


Para finalizar cabe uma reflexão de uma frase muito atual: "É triste pensar que a Natureza fala e que o homem não a escuta" (Victor Hugo)


Prof. David Zee
Vice-Pres. Câmara Comunitária da Barra da Tijuca
Prof. da UERJ e UVA