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Disque-Denúncia: desrespeito coletivo na Barra e Recreio

 

 

A má conduta dos motoristas de ônibus foi o motivo mais frequente entre as reclamações feitas pelos moradores da Barra e Recreio, em 2011, ao Disque-Denúncia. Criada em 1995, a ONG — que a pedido do GLOBO-Barra fez um ranking das queixas por assunto — informa que a razão do descontamento se deve à negativa de embarque dos passageiros, principalmente no trajeto pela Avenida das Américas. Este tema representa 10% das denúncias contabilizadas pelo serviço, com um total de 245 registros. Ao todo, foram feitas 2.480 denúncias, entre janeiro e dezembro. Também relacionada ao transporte coletivo — mas desta vez de ônibus e vans —, a prática de direção perigosa foi o quarto maior motivo de insatisfação da população, com 108 ocorrências.

Números do Disque-Denúncia revelam que as ligações para o serviço cresceram na região no ano passado. Na Barra, as denúncias saltaram de 1.186, em 2010, para 1.623, em 2011, o equivalente a 37%. No mesmo período, houve um incremento de 158 casos no Recreio, com um aumento de 23%.

O coordenador da central telefônica, Zeca Borges, credita o acréscimo das reclamações na região à maior conscientização da população. Borges explica que as queixas dos moradores da Barra e do Recreio têm em comum uma peculiaridade: referem-se mais a questões de ordem pública do que a problemas relacionados à violência.

— É uma característica desses bairros, o que não se reflete nas outras regiões do Rio — explica Borges.

Apesar de desconhecerem as estatísticas do Disque-Denúncia, os passageiros têm na ponta da língua a resposta para o problema: aumento da fiscalização do poder público.

O montador de móveis Gustavo Vieira e a secretária Ivete Correira Marchel dependem diariamente da linha 882, da Viação Pegasus, para fazer o trajeto entre o trabalho, na Barra, e suas casas, em Santa Cruz. Em média, eles contam que esperam uma hora para entrar em um ônibus.

Na quarta-feira (4), O GLOBO-Barra acompanhou ambos, entre 18h e 19h30m, num ponto de ônibus da Avenida das Américas, na pista sentido Recreio, na altura do condomínio Mundo Novo, na Barra. Durante o período, sete coletivos que iam para Santa Cruz passaram, sendo que somente dois, que estavam lotados, pararam para o embarque dos passageiros. Outros cinco trafegaram pela pista do meio e ignoraram as pessoas que faziam sinal no ponto.

Vieira só conseguiu entrar em um ônibus após uma hora e 20 minutos de espera.

— Os motoristas não param. O pior é que os veículos estão sujos, as janelas parecem que estão soltas e os condutores são imprudentes. É assim todo dia e ninguém faz nada — diz Vieira. Ivete, que esperou uma hora e 12 minutos até embarcar num ônibus lotado, resume o problema:— Trabalho na Barra há dois anos e cada dia odeio mais. O transporte é precário. A Fetranspor informa que levará os fatos mostrados na reportagem ao conhecimento das empresas citadas para que identifiquem os problemas e as soluções.


Fonte: Globo