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Luzes da Barra

Fascinante Gershwin


Teatro do Centro Cultural Justiça Federal

 

Uma noite de puro prazer: revisita ao pequeno e importante teatro do “Centro Cultural Justiça”, incrustado  imponente Palácio da Justiça na constatação dos deliciosos espaços teatrais, da grande efervescência de público, (lotação esgotada, muita gente remarcando entrada) - acima de tudo a reafirmação do talento brasileiro.
 
Quatro atores polivalentes, com vasta carreira no teatro musical brasileiro (Sassaricando, Beatles num céu de Diamante, Ópera do Malandro, Avenida Q, etc...) fascinam cantando, dançando, sapateando e atuando Gershwin. Trata-se de revista musical cujo roteiro (Fabrício Negri) gira em torno de três rapazes que disputam o amor de uma jovem. São eles: Sabrina Korgut (participou em mais de 20 musicais, indicada ao Prêmio Shell, APPR, Qualidade Brasil) – Chris Penna (vale citar sua presença eletrizante. Como dança!) – Fabricio Negri (assina também a coreografia) – Rodrigo Cirne (também colaboração e assistência ).

 

Sob ótima direção de  Rubens Lima Jr e supervisão de Marilia Pêra, que tão bem captaram o estilo e gestual americanos, sucedem-se as maravilhas de Gershwin e seu irmão Ira, pioneiros do grande Teatro Musical Americano dos anos 30. Mais do que pérolas, diamantes musicais que deslumbram até hoje (RAPHSODY in Blue, Swanee, Somebody Loves Me, Embraceable You, The RAPHSODY Man I Love, Summertime e tantas mais).  Cenografia  (Clívia Cohen), interessante e funcional, como que improvisada, numa mistura de palco e bastidores, preenchida com altas escadas e andaimes (usados na atuação). Coreografia (Fabrício Negri), ótima, perfeitamente ensaiada, formidáveis sapateados – bela iluminação (Paulo Cezar Medeiros) com lindos bouquets de  coloridos refletores ao alto – bons figurinos (elenco).

 

Apesar do pequeno espaço cênico não concordamos com o bom conjunto musical (piano – Tony Lucchesi- violoncelo – Luciano Correa – bateria Leo Fleg) jogado desarrumadamente e comprimido no fundo do palco. O piano, tão vital na arte de Gershwin, não deveria estar torcido. Era de se esperar ver o teclado e o pianista (como uma lendária RAPHSODY in Blue tão escondida?). E o violoncelo e o violoncelista,  tão escondidinhos também! Somente a bateria  visível, ocupando todo o espaço! Porque não tentar uma solução colocando-a num plano mais alto?

 

Mas isto parece não ter incomodado o público que aplaudiu, calorosa e continuamente, o fascínio de Gershwin, transmitido com talento e brilho.       
 


 Por Tamara Mello