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Por Cláudio Magnavita

O Cravo do Crivella

O Jornal da Barra conversa com o deputado federal Pedro Paulo, que tem sua origem aqui na Barra da Tijuca, onde o parlamentar também mantém seu escritório particular. Ou seja, toda atividade do político do PMDB passa pelo bairro. Com conhecimento profundo da maquina municipal ele assume o papel de principal crítico do atual prefeito, papel reservado pela democracia quando existe a troca de papeis, quem era governo para a oposição. Ele passa a ser o cravo pronto para crucificar o atual gestor pelos pecados cometidos no comando da Prefeitura do Rio.

Jornal da Barra: Deputado, quero entrar na sua gênese, aqui na Barra, mais precisamente na sua primeira atividade: o Autódromo de Jacarepaguá, auxiliando o então subprefeito da Barra, Eduardo Paes, que também tem essa gênese aqui na Barra.

Pedro Paulo: Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Jornal da Barra pela oportunidade de estar aqui falando. Na verdade, o Jornal da Barra hoje está multimídia: no impresso, nas redes sociais... Mas, quero agradecer a oportunidade de poder falar de política, da minha história. Dizer que, para mim, é uma satisfação falar para a Barra da Tijuca e adjacências. Porque nós estamos falando também para os moradores do Recreio, das Vargens e de Jacarepaguá. Essa é a nossa gênese, como você bem disse. Na verdade, eu morei quase 30 anos em Jacarepaguá, na Taquara. Nasci no Cachambi, mas logo vim morar na Taquara, onde fiquei por quase 30 anos. Então, tenho essa origem nessa região. Politicamente, eu comecei em 1995, como administrador do Autódromo. Tem tempo, bastante tempo. Foi um convite do Eduardo Paes, na época subprefeito. De lá, saí e comecei com ele a sua primeira caminhada, na campanha para vereador, em 1996. Depois, o segui nesse trabalho dentro da política até chegar a atingir posições como de subprefeito da Barra e Jacarepaguá e secretário de Meio Ambiente. Quando me candidatei pela primeira vez para ser deputado estadual, me elegi com os votos aqui da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Depois, a dose se repetiu quanto tentei ser deputado federal. Sempre respeitando o que a gente chama de base eleitoral, que é nosso reduto, a nossa origem, nossa gênese, que é essa região da Barra da Tijuca. Uma região que, se nós colocarmos em tamanho populacional, chega perto de 600 mil habitantes. Se a ranqueássemos como um município do nosso estado, por exemplo, seria o terceiro ou quarto em população. Então, estamos falando de uma área que cresce de forma exponencial, e que é o segundo centro comercial da cidade. Daí a sua importância e a importância da representatividade política dessa região.

Jornal da Barra: Você fez parte de uma gestão municipal que promoveu um choque de ordem e uma transformação profunda aqui na Barra. Como é que você vê a nova Barra da Tijuca que surgiu no período pós-olímpico?

Pedro Paulo: Ela conseguiu conquistar agendas de décadas. Eu me lembro de diversos movimentos aqui com as associações comunitárias da Barra da Tijuca, como a Barralerta, a Câmara Comunitária e as associações do Recreio. Quantos movimentos nós fizemos, por exemplo, na questão do transporte, do metrô, na infraestrutura das grandes avenidas, nas obras de saneamento. Tantas agendas que estavam pendentes aqui nessa região da Barra. Com a possibilidade das Olimpíadas e, principalmente, pela qualidade da gestão da Prefeitura, que eu tive muito orgulho de estar ao lado do prefeito Eduardo Paes, como seu chefe da Casa Civil, a cumpri. Sistema de BRT’s, que foi criado, a expansão das avenidas aqui da Barra, os mergulhões, a estrutura de transporte que foi proporcionada para toda essa região. Então, acredito que a Olimpíada produziu um legado enorme para a cidade.

Jornal da Barra: Ela acelerou o futuro?

Pedro Paulo: Exatamente. Nós fizemos uma conta. Ela trouxe 30 anos em oito, devido ao volume de investimentos. Foram quase R$ 40 bilhões em investimento, que é todo do orçamento das Olimpíadas, mas, quando a gente recorta esse orçamento, e coloca ali os investimentos de legado, são quase R$ 24 bilhões de investimento nessa região. Por exemplo, as famosas linhas de transporte planejadas pelo Doxiádis, em 1965, foram cumpridas nesse período de oito anos com a nossa gestão a frente da Prefeitura. Então, foi uma aceleração desse crescimento, e que não pode parar nos próximos anos.

Jornal da Barra: No regime democrático, a existência da oposição é fundamental. Não apenas para regular, para traduzir a defesa dos interesses da população. Vocês, como governo, tiveram uma oposição ferrenha e no calcanhar 24 horas. Agora, vocês estão do outro lado. Principalmente você, que tem sido um grande opositor e um grande fiscal da atual gestão municipal, até pelo conhecimento profundo que tem do funcionamento da maquina pública. Como você vê esse novo papel, essa mudança de habito: de governo e agora como fiscal de quem está no governo?

Pedro Paulo: Quando você tem um processo eleitoral, coloca ali as visões que você tem sobre a cidade, para o futuro da cidade. Minha candidatura representava isso, a defesa do nosso legado dos últimos oito anos. A minha visão, a minha campanha, a minha candidatura foi derrotada nas eleições. Então, tenho que respeitar. Esse papel é inerente, meu como parlamentar e de quem foi candidato, contrapôs estas visões, e que está enxergando dentro desta administração os erros cometidos. Afinal de contas, fui o chefe da Casa Civil do prefeito durante oito anos. Então, tenho feito esse papel de fiscalização. Por exemplo, você falou durante a última pergunta sobre o choque de ordem. Há um risco hoje para a cidade, que eu considero muito grave. Pela primeira vez na história da cidade do Rio de Janeiro, da Prefeitura, nós temos um prefeito com um corte, iminentemente, populista. Nós tivemos um pouco desse flerte populista no estado. O Brizola não era um populista, mas era um governante popular. Apontava o caminho correto na questão da educação em tempo integral, mas era um governador que mobilizava massas. Era permissivo com a questão da ordem pública, com o crescimento desordenado. Então, ele inaugurou no Estado um pouco desse descontrole da ordem pública, mas, para o Brizola, há varias explicações. Ele foi o primeiro governante do Rio de Janeiro pós-ditadura, então existia toda uma pressão.

Jornal da Barra: Você demonstrou grande preocupação com o viés populista à frente da Prefeitura. Pode desdobrar isso?

Pedro Paulo: Você não tinha isso na Prefeitura e não via isso no Estado. Teve um ciclo de choque na questão da preocupação com a ordem e descuido com a ordem. Você teve Brizola, depois Moreira, aí vem Garotinho que é uma desordem completa, depois o Marcelo ajusta, Cabral em seguida e agora o Pezão, que é moderado nessa questão. Mas na Prefeitura isso sempre ficou afastado, mesmo com Saturnino. Essa questão do populismo, do entendimento de que se pode tudo na cidade, de que a crise perdoa, sempre ficou afastada da Prefeitura. Com o Cesar Maia, depois com Conde, depois Cesar, de novo, Eduardo duas vezes, ela sempre foi, de certo modo, um reduto de inteligência e entendimento de que a cidade precisa ter uma preocupação com os negócios formais, com o crescimento desordenado, com o comercio de ambulante, o transporte. Agora, o que nós estamos vendo com a gestão do Crivella é o desleixo total em relação a isso. Nós tivemos, dois meses atrás, a liberação das vans na Zona Oeste. Mas liberou vans com características especificas, estando integradas ao sistema do bilhete único, sendo um sistema complementar? Não. Liberou as vans sem qualquer tipo de regulamentação. Hoje, nós andamos pelo Recreio, pela Barra e já estamos voltando a ver as vans piratas. Porque antes, nós ficávamos naquela briga de gato e rato para fiscalizar, para coibir. Vou dar o exemplo do metrô no Jardim Oceânico. A quantidade que tem de comercio ilegal no entorno é absolutamente proibido. Venda de comidas manipuladas, caldos de cana. Isso tem que ser feito com uma imensa regulamentação. Nós não fizemos um choque de ordem proibindo o comércio. Nós organizamos esse comércio, licenciando adequadamente. O que está havendo hoje na prefeitura é um “tudo pode”.

Jornal da Barra: E a questão financeira? Um colapso iminente da prefeitura do Rio de Janeiro. Isso é verdade?

Pedro Paulo: Não é verdade. Nós entregamos a Chave da Prefeitura como poucas Prefeituras desse país receberam dos seus antecessores: com saúde financeira. A Prefeitura, depois de ter feito o maior ciclo de investimento, possivelmente o maior ciclo de investimentos que essa cidade já viu, depois de ter realizado Olimpíadas, protagonizado a Copa do Mundo e série de eventos que poucas cidades do planeta, a entregamos com redução das dívidas, com saldo em caixa e com o salario dos servidores em dia. Tudo redondo. Não há um indicador da Lei de Responsabilidade Fiscal que a Prefeitura não tenha cumprido. Haja vista a aprovação que nós tivemos, não da Câmara dos Vereadores ainda, mas do corpo técnico, que averiguou que as contas da gestão do Eduardo Paes, as nossas contas, estão absolutamente regulares. Então, não há qualquer sentido a gestão atual dizer que recebeu com dívidas. É mais apropriado que tenham uma postura conservadora, pois estamos vivendo uma crise. A arrecadação ainda está baixa. Então, o prefeito tem que ser rigoroso, tem que conter despesa, buscar novas fontes receita, porque ele precisa. Na Prefeitura do Rio, nós tínhamos R$ 10,8 bilhões de orçamento e nós entregamos com R$ 30 bilhões. Nós crescemos três vezes, em oito anos, o orçamento. Então, o prefeito atual tem que fazer o mesmo trabalho. Agora, você ficar numa postura de só olhar para o passado, reclamar do passado e não olhar para frente, eu considero um equivoco.

Jornal da Barra: Quero pegar uma coisa concreta e identificável, que foram os decretos feitos pelo prefeito na primeira semana, no qual estabeleceu diversas metas, diversos objetivos a serem feitos. Daqueles documentos, apenas uma parte tem sido cumprido. Como tem sido essa visão sua em cima do dia a dia da Prefeitura do Rio?

Pedro Paulo: Eu reformulei minha página nas redes sociais e criei um blog também, para acompanhar esses estudos em relação a atual administração. E tenho feito alguns estudos para provar um pouco o que existe de demagógico na administração da atual Prefeitura. Uma delas são os decretos. No primeiro dia, o jornal O Globo noticiou que 79 decretos que iam sacudir a administração. Ou seja, passados seis meses da administração, o que é que se vê: boa parte desses decretos, cerca de 10% deles, foram, simplesmente revistos, pois estavam equivocados. Hoje, você tem, daqueles 79, 67. A grande maioria não tem um servidor designado para dar desdobramento a esse decreto. Ou seja, numa administração em que as ordens do prefeito não são cumpridas, não se pode esperar muitas coisas. Eu tenho feito esse trabalho de acompanhamento para desmentir um pouco. Por exemplo, na questão dos decretos, tem também esse anúncio de que vão reduzir 50% dos cargos políticos, os cargos comissionados. Não foi verdade. Hoje, os números mostram que nem 14% dos cargos foram reduzidos. O que se reduziu foram os cargos em comissão que estavam destinados aos servidores, justamente como forma de estarem dentro da hierarquia, cumprindo funções importantes para a administração. Ou seja, é uma gestão que está muito perdida, sem um norte balizador da sua administração, que toma uma série de medidas equivocadas. O que nós vemos hoje na sociedade é uma insatisfação profunda da população em relação à Prefeitura.

Jornal da Barra: Em relação ao carnaval, como você viu essa polêmica envolvendo a redução de verba?

Pedro Paulo: É muito triste ver isso do prefeito da cidade, do anfitrião de um evento considerado nossa identidade para o Brasil e para o mundo, que é uma commoditie da cidade, que é o carnaval. Uma expressão cultural popular que emprega uma dezena de trabalhadores, como dizia Martinho da Vila no samba da Vila Isabel. Emprega escultores, bordadeiros, carpinteiros, para tudo se acabar na quarta-feira. A quantidade de comunidades que vivem do samba o ano inteiro. Você tem que ter um prefeito que deveria fazer justamente ao contrário: colocar mais dinheiro no carnaval. Ele tinha que incentivar ainda mais o carnaval. Diz que é um prefeito preocupado com o setor do turismo e não só retira os recursos do carnaval, que não são nada, R$ 12 milhões, com um discurso demagógico de que vai colocar na educação das creches. Sabe quanto que é o orçamento da educação no Rio de Janeiro? R$ 6,4 bilhões. O que são R$ 12 milhões comparados a isso? Um evento que gera emprego, renda, que ocupa toda a rede hoteleira, que praticamente dobrou com as Olimpíadas. A cidade precisa desses eventos. O Desfile das Escolas de Samba é assistido por vários países. E o mais triste dessa história é a postura do Crivella, que ele coloca a cidade contra o carnaval, quando divulga pesquisa dizendo que 78% da população é contra colocar recursos no carnaval. Pela primeira vez eu vejo um prefeito querendo colocar a população contra uma identidade cultural. Isso é de uma imensa vilania. Um prefeito não pode ter essa postura, não só de retirar o recurso com uma desculpa tosca, porque não adianta ele dizer que o problema é de recursos, porque os secretários fazem questão de dizer o que realmente tem por trás dessa decisão, que é uma decisão de cunho religioso, dogmático. A pressão que ele recebe do tio dele da Igreja Universal, o Bispo da Igreja Universal e a pressão que ele recebe também da Igreja para não apoiar o carnaval. Eu acho que é uma decisão absolutamente equivocada, uma decisão que a gente tem que lutar para que não siga em frente. A gente tem que defende o carnaval no Rio de Janeiro.

Jornal da Barra: O que o Pedro Paulo aprendeu com os resultados eleitorais do último pleito?

Pedro Paulo: Tem aquele ditado de que nós aprendemos muito mais com as derrotas do que com as vitórias. E eu acredito que quando você perde uma eleição para prefeito é mais ou menos como quando cai um avião. Você não tem um problema, tem um conjunto de erros e acertos. Mas eu acredito que o aprendizado que você tem quando perde uma eleição é de se recompor, de se reinventar. Acredito que isso também é um aprendizado. Por exemplo, você sair do poder um pouco é saudável. Oito anos de administração. A chance de olhar um pouco de fora, de estudar, se preparar para uma nova trincheira é também um novo aprendizado. Aprendizado da vida legislativa. Eu retomei meu mandato de deputado federal, que pouco exerci do ponto de vista legislativo, porque fiquei, basicamente, esse período, na Prefeitura do Rio, servindo à cidade. Eu tenho me dedicado muito nesse trabalho no legislativo para poder, de certo modo, ajudar o Rio de Janeiro, que é a minha função.

Jornal da Barra: Você foi o relator do projeto dessa recuperação dos estados, certo?

Pedro Paulo: Isso! Esse é, sem dúvidas, o projeto mais importante do Rio de Janeiro das ultimas décadas. O Rio de Janeiro está em um estado de, praticamente, pré-falência e essa é a única luz no fim do túnel para que nós possamos colocar salários em dia, regularizar serviços de segurança pública nos hospitais... Então, eu tive a iniciativa de buscar relatoria desse projeto de lei, porque nós estamos vivendo uma situação bastante delicada, porque nenhum deputado queria assumir essa relatoria pelo medo e desgaste. Ajuste fiscal é algo duro. Alguns deputados diziam que eu iria me destruir com esse projeto, que todo mundo iria fazer passeata na porta da minha casa. Mas eu entendi que, se nós não tivéssemos um ajuste sério e profundo no estado do Rio de Janeiro, nós não resolveríamos essa situação. Os servidores já estão entrando em seu quarto salário atrasado. Eu estive semana passada com um secretário de segurança. Eu perguntei a ele se 40% das viaturas estão dentro dos batalhões porque não tem recursos para manutenção. Ele respondeu que já passou de 50% das viaturas. São quase 1000 homens da Polícia Militar que não estão indo para as ruas porque não tiveram décimo terceiro. Se nós não tivermos esse plano de ajuste para o Rio de Janeiro, o Estado vai quebrar.

Jornal da Barra: O que, do plano, está faltando?

Pedro Paulo: Nós aprovamos todas as minhas leis. O substitutivo que eu apresentei em Brasília se desdobrou, e outras três leis aqui aprovadas na Assembleia Legislativa. Eu estive lá, ajudando a compor a negociação para essa aprovação. Então, todo o arcabouço legal para adesão à recuperação fiscal está pronto, aprovado e à disposição. O que está acontecendo agora é que estamos negociando as bases finais desse acordo; o fluxo de caixa, que seria de 62,5 milhões em três anos, para que se possa ter o benefício de interromper os pagamentos da dívida do Estado para União, e dar fôlego financeiro para regularizar o salário dos servidores e regularizar serviços. Eu acredito que em mais uns 15 dias, esse acordo vai estar assinado e que, daqui a 60 ou 90 dias, os salários dos servidores devem caminhar para a regularização. Acho que esses são os prazos da recuperação fiscal.

Jornal da Barra: Uma das coisas que eu ouvi, informalmente, é que você estaria se empenhando muito para arrumar a casa para o Eduardo assumir o governo...

Pedro Paulo: Primeiro, eu acredito que esse projeto é vital. Caso contrário, é uma intervenção. Não há dúvidas de que a situação do Estado do Rio de Janeiro hoje é tão grave, que só um gestor com uma capacidade, uma dinâmica de gestão e articulação do Eduardo para colocar em ordem. Eu defendo muito isso, que ele possa ser candidato a governador no ano que vem, mas isso é uma decisão dele. O Eduardo não está no Brasil. Como muitos sabem, ele estava em Nova Iorque e agora está morando em Washington. Ele assumiu a vice-presidência de uma multinacional chinesa. Eles ficaram loucos com a capacidade do Eduardo e já o colocaram como vice-presidente. Visitava cerca de três países por semana, naquele ritmo de trabalho que todos conhecem. Ele tem uma pressão familiar, óbvio, para que siga sua carreira privada, para que cuide mais de sua vida pessoal. Eu, particularmente, tenho o desejo para que Eduardo seja candidato a governador, e vejo muitos políticos dizerem que, se for para falar sério no Governo do Estado, tem que ser o Eduardo. Mas isso é ano que vem, tem muita crise para enfrentar ainda.

Jornal da Barra: O Kleber Machado, do Barra Alerta, pergunta como a bancada do Rio na Câmara dos Deputados pode ajudar a melhorar a segurança pública, principalmente da Barra.

Pedro Paulo: Obrigado, Kleber, uma saudação a você. Duas medidas: primeiro legislativa, com pacotes de atualização do código penal e do código de processo penal. Por exemplo, o que nós temos visto diariamente são assaltos na cidade, com bandidos portando fuzil. A Legislação Penal para quem porta esse tipo de armamento é uma vergonha. Aumentar a punição desse tipo de porte de armamento é uma medida absolutamente urgente, porque um policial, com uma arma muito menor, não pode enfrentar alguém com um fuzil. Esse pacote está lá, e a bancada do Rio de Janeiro tem feito movimentos para que se possam aprovar essas medidas, do ponto de vista de segurança. Mas também há um posicionamento político dos deputados. Por exemplo, nós temos acompanhado o pacote que lançou o Governo Federal junto com o Estado, chamado ‘Operação Rio’, que é para aumentar o patrulhamento nas rodovias federais, colocar forças da segurança nacional ajudando o combate à segurança pública e colocar dinheiro. Pagar, por exemplo, a RAS, que é o bico da Polícia Militar, para por, pelo menos, mais 1000 policiais na rua. E a terceira frente é a recuperação fiscal, que vai colocar fôlego ao Estado, para colocar salários em dia e regularizar serviços. Esses são os caminhos que nós estamos seguindo, não apenas eu, como deputado, mas também a bancada para ajudar na questão da segurança pública.

Jornal da Barra: Alfredo Lopes, presidente do Sindicato dos Hotéis do Rio de Janeiro, diz respeito à atuação da bancada federal do Rio na aprovação da legislação do jogo, dos cassinos. Ele coloca os cassinos como a solução para a hotelaria da Barra, que cresceu em mais de 15.000 apartamentos, para atender a agenda olímpica, e que hoje tem uma baixíssima taxa de ocupação. Como está a questão do jogo?

Pedro Paulo: Deixo minha saudação também ao Alfredo. Em relação ao jogo, também tem alguns projetos transitando na Câmara. É uma legislação que está no Senado Federal. Se não me engano, está na Comissão de Constituição de Justiça. Quero dizer que eu sou defensor da regularização dos jogos e dos cassinos. Também acredito que é uma opção para os hotéis. Eu conheço diversos donos de hotéis, e vários deles têm pré-contratos encaminhados com várias empresas que organizam eventos, cassinos, e que viriam para o Brasil. Eu acho que o Rio tem toda essa vocação, então tem todo o meu apoio. Nós temos uma resistência grande, principalmente da bancada evangélica, que é contra, e, basicamente, pelo secretário da Receita Federal, que acredita que isso é um estímulo às atividades ilegais. Nós não pensamos assim. O jogo tem que ser regularizado nesse país. Isso é fundamental para o Rio de Janeiro, mas outras medidas também têm sido tomadas. Há também uma grande preocupação de se imaginar uma região como a Barra, que tinha 500 quartos de hotéis e chegar a 12 mil. Como se cria alternativa para essa região? Por exemplo, ontem nós aprovamos na câmara a MP que regulariza as atividades do Parque Olímpico. Nós temos que preservar o Parque Olímpico e, não como o prefeito atual, com uma postura absolutamente pequena, de pouca visão da cidade, criticando o legado das Olímpiadas. Ele não cuida do Parque Olímpico, fechou o Parque Radical de Deodoro... Quer dizer, não cuida desse legado. Não tem cidade no mundo que tenha realizado as Olímpiadas, e não cuide de seu legado. Foi assim em Barcelona, você vai lá e vê o legado sendo cuidado e é um baita ponto de atração de turismo. A Barra tem que investir nisso. Nós aprovamos a MP para que o Governo Federal possa ajudar e intervir para poder cuidar desses espaços. A Prefeitura poderia cuidar e fazer um polo de atração turística e, consequentemente, de ocupação dessa rede hoteleira de turismo aqui na Barra da Tijuca.

Jornal da Barra: Uma mensagem final ao nosso leitor e, sobretudo, com relação a esse amor e sua relação pessoal com a região da Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá, que é o berço da sua vida política.

Pedro Paulo: Eu queria agradecer a oportunidade de estar aqui, e agradecer a você, Magnavita. Eu tive muito orgulho de ter o voto majoritário aqui nessa região. Acho que foi um reconhecimento do nosso trabalho depois desses oito anos. Mas gostaria de agradecer e dizer que estou vigilante. Eu estou no pé dessa administração para que se possa proteger, como carioca e ator político, para que a cidade não se destrua durante esses longos três anos e meio que nós teremos sob essa administração. E lá em Brasília, estou lutando para que se possa dar alternativa para esse estado, para que possamos pacificar essa crise que vivemos hoje no Brasil. E, principalmente, para que a gente possa voltar a crescer e desenvolver essa região, que é do nosso coração. Então, muito obrigado pela oportunidade.