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Por João Victor Ferreira

O final de Breaking Bad é um dos mais sólidos e bem pontuados de todas as séries. Ele amarra maioria das pontas e põe fim ao arco de todos os personagens. Essa falta de lacunas deixa a obra fechada e inclusive dificultaria a continuação dela. É nesse cenário perigoso que Vince Gilligan volta à direção, para “concluir” a história de Jesse Pinkman (Aaron Paul) no mais novo filme El Camino.

Jesse Pinkman, após escapar dos eventos de Breaking Bad, procura se esconder e fugir da caçada que a polícia do Novo México faz, quando seu ex-parceiro Walter White morre. O que vemos aqui é uma espécie de epílogo da série, terminada em 2013. O foco aqui é continuar e pontuar talvez o final mais aberto: o de Jesse. Para todos os efeitos, o filme pode ser muito bem analisado em três grandes aspectos: a história, o roteiro e a direção.

A história é o mais fraco dos três, já que o projeto, por mais que não seja um sacrilégio, é muito infundado e raso. A história de Jesse não muda muito aqui, de forma que o personagem não apresenta um grande arco e nem vemos grandes eventos acontecendo. Simplesmente Jesse sai de um ponto A, até terminar em um ponto B: não precisávamos de um filme para ver isso. A trama não anda muito para frente, necessitando de flashbacks nostálgicos para agradar os fãs e complementar as duas horas de filme. Se o objetivo era fazer um epílogo de Jesse, melhor que tivesse sido um episódio de 50 minutos, lançado um ano após o encerramento da série, em uma espécie de “especial”.

Mesmo com a falta de justificativa do filme acontecer, o roteiro é operante e bem conciso, o que ajuda a história andar. Gilligan faz aqui boas escolhas para manter a trama centrada em seu protagonista, sem fugir muito ao entupir o roteiro com aparições. A seleção desses cameos é até bem feita, trazendo a nostalgia merecida e ajudando minimamente a compor o estado de espírito de Jesse. Alguns flashbacks são problemáticos por puxarem muito a história para trás. El Camino anda para frente com a história de Jesse, mas com uma âncora no passado de Breaking Bad, dificultando que o filme funcione por si só. Alguns vão achar isso um mérito...

Por fim, a direção de Vince Gilligan é a grande redenção do filme. O esmero estético aqui é impecável. Os planos são muito vistosos. A imagem aqui fala demais do que acontece e inclusive supre a falta de acontecimentos que a história tem. A edição é muito afiada, com destaque para a montagem paralela que o diretor faz com alguma ação que Jesse faz no presente e a lembrança traumática que ele tem do passado. O tom cômico do filme é muito bem pontuado também e ajuda a incorporar a discrepância do personagem de Jesse, com o de Walter: Pinkman é o mais atrapalhado e a tensão da perseguição faz eventos inusitados surpreendê-lo, no maior estilo das comédias policiais dos Irmãos Cohen.

El Camino é um filme que não deveria ter existido. Mas ele existe! Mesmo assim ele conclui por fim o arco de Jesse, em mais minutos do que precisava e fora de tempo em relação à ressaca de quase 6 anos que o fim da série tem. É a direção magistral do filme que faz o arco de Pinkman terminar com elegância e fluidez.

Nota: 6