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Famoso por transmitir emoção aos maiores acontecimentos do esporte e acumulando narrações de conquistas de atletas como Usain Bolt e Michael Phelps. O narrador do SporTV, Luiz Carlos Jr, abriu o jogo  sobre a sensação de ter a sua voz marcada no coração dos torcedores.

Como surgiu o esporte na sua vida?

Morava em Brasília e lá eles tem o que chamam de “superquadras esportivas”, então tive acesso a diversas modalidades como: futebol, vôlei, esporte que cheguei à seleção brasiliense, basquete, onde fui federado e tênis, que jogo até hoje.

Como começou sua vida na área da narração?

Comecei a trabalhar na Rádio 105 FM em Brasília, uma rádio de música, dois meses depois fui chamado para a Transamérica de Brasília, onde fiquei por um ano, até que me chamaram para a Rádio Cidade do Rio, que era provavelmente a maior rádio do Brasil.

Você sente vontade em trabalhar de novo com a música?

Atualmente a música é um hobbie, sou roqueiro. Está difícil o cenário do rock ultimamente, meus ídolos estão morrendo, as bandas que eu gosto estão acabando, já pensei em fazer um programa de rádio eventual, mas de hobbie, nada profissional. Seria um pouco diferente. Em todas as rádios em que trabalhei eu era o locutor, mas a programação musical não era minha, nessa eu tocaria a minha playlist. Escuto Black Sabbath, Dio, Pink Floyd, Iron Maiden. As pessoas não imaginam. É raro, mas eu posto no Instagram, e algumas vezes falam: "você ouve Stone Sour?! você ouve Metallica?!” Isso me humaniza, me traz mais próximo das pessoas, que veem que além do narrador e apresentador tem um cara que gosta de Rock.

E quando surgiu sua carreira como narrador esportivo?

Em dado momento na rádio achei que não tinha mais por onde crescer. Acabei indo parar na TV Globo para fazer um piloto de apresentação para apresentar o Globo Esporte ou o Placar Eletrônico. Então, o diretor do SporTV, Gilberto Conde gostou e me chamou para fazer parte da primeira equipe. A princípio imaginei que fosse para ser apresentador, só que no início não tinha programa para apresentar, não tinha um estúdio montado. Foi quando me disseram: "vai ter que narrar ai, vai lá e narra”.

Como foi o seu processo de aprendizagem?

Tenho uma história legal com o Galvão. Eu gravava e eventualmente ele ia lá dar palpite. Em uma partida de esqui na neve, eu estava tendo muita dificuldade, eu não conhecia a modalidade. Nisso, o Galvão estava ouvindo, ele virou para mim e disse: "quer ver como eu faço de primeira? depois você tenta fazer igual", era uma prova muito rápida. Quando iniciou a descida ele começou: "na esquerda o Fulano, o Italiano de uniforme azul, à direita Beltrano". Ele ganha um tempo situando os dois: "repare em como os joelhos são exigidos”. Basicamente tudo estava correto, mas ele só estava preenchendo espaço. Ai eu percebi um caminho a seguir, foi uma dica interessante e obviamente com o passar do tempo fui me aprimorando.

O que você acha do cenário da narração esportiva atual?

Passamos por um eterno processo de aprimoramento. Na hora que você começa achar que é o melhor e que está absolutamente pronto você corre um risco de se tornar decadente, então você tem que buscar sempre se atualizar. Eu estudo muito, tenho muita preparação. A narração envolve horas sentado em frente a um computador estudando. Eu acho que atualmente estou no melhor momento da minha carreira, mesmo depois de tantos anos.

Quais foram os principais momentos de sua carreira?

Copas do Mundo em geral, Brasil campeão do mundo em 94 e 2002, a derrota de 98, o 7x1. Eu narrei todos os gols do Ronaldo com a camisa da seleção brasileira em Copas. É bacana porque daqui a 50 anos vão falar: "O Ronaldo é um dos principais artilheiros da história da Copa" e quando alguém quiser lembrar, no arquivo do SporTV irá estar a minha voz. Os recordes extraordinários do Bolt são com a minha voz, narrei lances incríveis da Marta no auge.

E a narração que mais te marcou?

As quartas de final Brasil x Rússia de vôlei feminino em Londres (Olimpíadas de 2012) é provavelmente um dos jogos mais emocionantes que narrei, foi à vez que mais fiquei emocionado em um jogo, fiquei com lágrimas nos olhos quando acabou o jogo. Não sou o cara que todo jogo chora. Eu estava com o comentarista Marco Freitas, e no final do jogo ele começou a chorar, isso influenciou também. Já em 2009 o Fluminense tinha 2% de chance de fugir do rebaixamento, e eu narrei Cruzeiro x Fluminense. No primeiro tempo o Cruzeiro fez 2x0 e perdeu um pênalti. Lembro claramente da gente no intervalo comentando: "caiu, já era", porém o Fred e o Maicon fizeram um segundo tempo espetacular e o Fluminense ganhou no Minerão de 3x2, ai começou o famoso "Time de Guerreiros”.

Como é sua parceria com o comentarista Lédio Carmona?

Gosto de cultivar amizades, me dou bem com todo mundo. Adoro trabalhar com Lédio, Muricy, Noriega, Rafael Rezende, Lino, Paulo César Vasconcelos... Além do mais por causa do perfil no Twitter do @nopeitonagrama, a parceria com o Lédio ficou muito popular. Eu não conheço o dono da conta e ele teoricamente escreve tudo como eu falaria. Recentemente ele fez a narração do Casamento Real, era: "Lédio você gostou da roupa do príncipe?", e viralizou. Uma comparação é Galvão e Arnaldo, o Galvão trabalha com outros, mas o mais marcante é o Arnaldo, já no meu caso, é o Lédio Carmona.

Como é sua relação com a Barra da Tijuca? Como cresci em Brasília o Rio de janeiro para mim é uma cidade muito diferente. Eu passava férias aqui, minha vó morou na Zona Sul. Lembro claramente de ir até a banca de jornal e ler: "Fogão contrata não sei quem, Vascão ganhou de não sei quem", e ao longo do tempo todo mundo já me conhecia. A Barra da Tijuca para mim acaba sendo uma Brasília, eu moro em um condomínio fechado que me lembra muito lá, prédios, quadras, piscina...

A sua esposa, Janaina Xavier também é apresentadora do SporTV... Falamos muito de esporte vendo SporTv, Globo... Não tem como fugir disso, porque afinal das contas é a nossa vida, mas a gente caba não falando muito de trabalho especificamente. Um toque ou outro, um elogio, mas trabalho é para lá, aqui nós temos a nossa vida, mas é obvio que as coisas se misturam e a gente fala.