Nos bastidores da Alerj, comenta-se que os pedidos existentes seriam aglutinados, o que daria consistência jurídica ao pedido que reuniria acusações diferentes

Por Affonso Nunes

Um dia após ser alvo da Operação Placebo, que investiga fraudes em compras e contratação de serviços durante o combate à pandemia, o governador Wilson Witzel agora precisa lidar com a repercussão política do episódio. A bancada bolsonarista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) protocolou, na manhã desta quarta-feira (27), um novo pedido de impeachment contra Witzel, desta vez fundamentado por informações reveladas pela ação da da Polícia Federal. Os deputados Doutor Serginho, Anderson Moraes, Alana Passos, Márcio Gualberto, Renato Zaca e Coronel Salema, todos do PSL, assinam o documento.

Com este novo pedido já são cinco os pedidos de impedimento do governador nas mãos do presidente da Casa, deputado André Ceciliano (PT). Nos bastidores da Alerj, comenta-se que os pedidos existentes seriam aglutinados, o que daria consistência jurídica ao pedido que reuniria acusações diferentes. Embora evite comentários públicos sobre as denúncias, Ceciliano tem dito a interlocutores que a Assembleia "não ficará inerte".

Durante a Operação Placebo, Witzel teve documentos, computadores e telefones apreendidos para que sejam apurados indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência em razão da pandemia do coronavírus. “O próprio ministro Benedito Gonçalves, do STJ, reconheceu que há indícios robustos de fraudes e de que o governador está envolvido. É isso é crime, a Alerj precisa agir e peço que o presidente André Ceciliano coloque o pedido em votação o mais rápido possível", pede Alana Passos (PSL). 

Ex-líder do PSL, Dr. Serginho defende que o governador não possui condições morais e políticas para permanecer à frente do Executivo. “Os fatos apontados pelo Ministério Público são gravíssimos. A prática de crimes cometidos pelo governo estadual faz ser necessário o imediato afastamento de Wilson Witzel. Ele não possui condições morais e políticas para permanecer no cargo”, argumenta.

A operação da Polícia Federal teve como um dos alvo a organização social (OS) Iabas, responsável pela construção dos hospitais de campanha - dos sete previstos, apenas dois foram entregues. Inicialmente, o contrato foi de R$ 836 milhões, mas depois o governo reduziu 100 leitos e passou para R$ 770 milhões em aditivo. Um dos primeiros a apontar os indícios de irregularidades no contrato, com representações ao Tribunal de Contas do Estado (TEC-RJ), o deputado Anderson Moraes reforçou que o afastamento é necessário diante de tantas evidências.

"Temos investigado, levantado contratos e visto, nas vistorias dos hospitais, que as irregularidades são gritantes. E essa roubalheira do dinheiro público, em um momento grave de pandemia, tem custado muitas vidas. É obrigação moral afastar o Witzel", critica Moraes.

Para Filippe Poubel, já existem elementos mais do que suficientes para dar seguimento ao processo de impeachment. “É muito triste ver o nosso estado passar por tantos escândalos de corrupção. Roubalheira generalizada, descarada, durante essa pandemia, com total conhecimento do governador Witzel, haja visto tudo que já foi noticiado e denunciado aos órgãos competentes. O impeachment é questão de justiça!”, reforça.

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