Por: Henrique Artuni

Obi-Wan é um grande mentiroso. Ao menos, "de um certo ponto de vista", como ele mesmo diz ao jovem Luke Skywalker no "Star Wars" clássico, quando ainda não sabe que o maior vilão da galáxia é seu pai.

Afinal, quando encontra um velhinho simpático de túnica franciscana no deserto, mal imagina que ele esquartejou o seu pupilo, Anakin, e o abandonou, ainda com vida, às margens de um rio de lava. Dezenove anos depois, quando vai entregar o sabre de luz para Luke, relembra os beijos, mas omite os tapas dessa história de amor.

Sim, de amor. É como define Deborah Chow, criadora e diretora de "Obi-Wan Kenobi", nova série sobre os anos em que o jedi se exilou no planeta Tatooine, protegendo a cria de seu discípulo a distância.

"A relação entre os dois é muito especial nas prequels [os episódios um a três da franquia]. Obi-Wan fala: 'Você era meu irmão, Anakin, eu te amava!'", lembra Chow, sobre o momento em que o mestre se declara ao discípulo em chamas. "Acho que esse relacionamento segue mesmo com tudo que acontece. Eles se amavam como irmãos, e é o que constitui esses personagens." Diria o poeta, amor nenhum dispensa uma gota de ácido.

Como se sabe, o pupilo tem sua vingança logo no primeiro filme da saga, em 1977, quando Vader acaba com o mestre num curto duelo. Só décadas depois, a partir de "A Ameaça Fantasma", de 1999, é que conhecemos um Obi-Wan jovem, certinho, mas ao mesmo tempo malandro –que rende memes até hoje com suas tranças, mullets e tiradas sarcásticas.

Era um novo jedi que nascia na pele do britânico Ewan McGregor, aceitando o desafio de dar novo estofo ao que fez seu monumental conterrâneo Alec Guinness, morto em 2000, nos longas originais.

Já faz 17 anos que McGregor não interpreta o jedi –o que espelha inclusive os cerca de 20 anos que separam os episódios três e quatro.

"Construir o personagem neste diferente ponto da vida é um dos aspecto mais desafiadores e estimulantes da série, porque temos que conectar as duas trilogias", afirma Chow, primeira mulher a comandar uma produção "Star Wars", e que já trabalhou na série "O Mandaloriano" –que, depois do Titanic que foi "A Ascensão Skywalker", abriu a porteira para a franquia na TV, também com "O Livro de Boba Fett". Ainda não é um terreno garantido –nem mesmo entusiastas se deleitaram tanto com as produções mais recentes, apesar de o universo inteiro ter se rendido às fofuras do Baby Yoda.

A série vai se passar entre os dois filmes, com um Luke ainda pequeno, sob os cuidados dos tios Owen, vivido por Joel Edgerton, e Beru Whitesun Lars, papel de Bonnie Piesse. Daí deriva um clima de perseguição e desconfiança, com civis sendo mortos pelos soldados do Império –com destaque para os macabros inquisidores, que já apareceram em "Star Wars Rebels"– quando não entregam um jedi de bandeja.

"É um período sombrio e parece apropriado [para nossa realidade], considerando tudo que passamos nos últimos anos. Gravamos a série ainda com a Covid, agora estamos em guerra. Eles também estão tentando sobreviver e ter alguma esperança."

Se antes tinha a liberdade para criar um personagem bem diferente do de Guinness, McGregor agora sente uma nova responsabilidade de se aproximar do sábio Ben Kenobi com seus primeiros pelos grisalhos. E haja cabelos brancos –depois de ter mutilado o pupilo predestinado, perdeu o grande amor da sua vida (a duquesa Satine, morta em "Clone Wars"). Isso sem falar dos dois sóis que racham sua cuca sob o céu de Tatooine.

Porém o que todos querem ver mesmo é o reencontro dele com Anakin, já na carapuça de Darth Vader, mas que será interpretado por Hayden Christensen, que também não habita essa pele há 17 anos, mas já apareceu em trailers e fotos do set.

"Sem Ewan o programa nem existiria", diz a diretora. "Mas tive sorte de ter também o Hayden, são atores que já viveram esses papéis nas prequels, eles encarnam esses personagens na percepção do público" –Christensen, em particular, nunca mais se deu tão bem nas telonas desde "A Vingança dos Sith". "Eles conhecem esses personagens, quando eu tinha alguma dúvida, podia só perguntar, eles sentem o que é certo ou não", defende.

O que vai chegar à minissérie de seis episódios nesta sexta-feira, enfim, vai fazer uma versão "oficial" de acontecimentos que fãs, livros e quadrinhos já especularam à exaustão. Vai depender, porém, se o ponto de vista de Chow levará a história para a bíblia canônica de "Star Wars", ou será mais uma mentira provisória perdida na galáxia.
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OBI-WAN KENOBI
Quando Estreia: nesta sexta (27)
Onde: No Disney+
Elenco: Ewan McGregor, Hayden Christensen e Moses Ingram
Produção: EUA, 2022
Direção: Deborah Chow

Por: Leonardo Sanchez

Sadie Sink senta angustiada numa mesa de baile de formatura, olhando cabisbaixa para baixo, desatenta. Um barulho de disparo logo atrás chama a sua atenção e, assustada, ela sai correndo para fora da cena. "Corta!", diz o diretor. Uma equipe de gente mascarada entra no enquadramento, sem as roupas de época de "Stranger Things", higieniza e reorganiza o cenário. E tudo recomeça.

Foi assim, sob rígidos protocolos sanitários e com a imprensa acompanhando algumas das cenas virtualmente, que a quarta temporada da série da Netflix foi gravada, num processo marcado por adiamentos e que se estendeu por impressionantes 19 meses, de fevereiro de 2020 a setembro de 2021, por causa da Covid-19.

Os atrasos não impactaram só a equipe de "Stranger Things", mas também seus fãs, que tiveram que esperar ansiosos três anos até que novos episódios finalmente chegassem ao serviço -o que acontece em duas levas, nesta sexta (27) e em 1º de julho.

Seus astros não escondem a passagem do tempo. Se antes víamos Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Caleb McLaughlin e companhia como crianças, agora eles parecem um tanto desconectados do contexto escolar no qual a série se passa -os atores estão com 18, 19 e 20 anos, respectivamente.

Mas talvez a aparência mais velha não seja um grande problema para ninguém além do departamento de figurino, já que neste retorno, "Stranger Things" parece ter amadurecido de forma proporcional a seu elenco, com episódios mais macabros e violentos.

A mudança fica clara já no primeiro deles, que em seu momento mais climático eleva uma líder de torcida às alturas, revira seus olhos e contorce seus braços, pernas e mandíbula, até que eles se quebram e sangue começa a lavar sua face inocente e pueril.

"Nosso objetivo com essa série é tentar algo diferente a cada temporada e garantir que ela está evoluindo, o que tem acontecido de forma muito natural, porque nossas crianças estão crescendo. Nós nem podemos mais chamá-los de crianças, porque eles são jovens adultos agora", disse Ross Duffer, 50% da dupla de irmãos que criou a série.

"Claro que haverá diversão nas aventuras que trazemos nesta temporada, mas no geral o tom está muito mais sombrio", completou Matt Duffer, a outra metade, enquanto apresentava o set de filmagem à imprensa, virtualmente, em junho passado.

Na quarta temporada, "Stranger Things" sai do porão de Joyce Byers e da provinciana Hawkins e se expande para a moderninha Califórnia e a gélida Sibéria –aqui, as figuras e peças dos tabuleiros de RPG dão espaço para enormes torres de vigilância e longas ferrovias que mantêm o policial Hopper recluso e isolado.

Para refrescar a memória dos fãs da série, que certamente se esqueceram de muito do que aconteceu na última temporada, é importante dizer que Eleven, a protagonista de Millie Bobby Brown, perdeu seus poderes e que Hopper aparentemente se desintegrou enquanto fechava um portal para o Mundo Invertido.

Para lidar com o trauma, Joyce, seu filho Will e a adolescente Eleven se mudam para a Costa Oeste -mas Hopper não está morto, como descobrimos pelo trailer da quarta temporada. Ele, na verdade, foi preso pelos soviéticos, reforçando o contexto de Guerra Fria no qual a série se passa.

"Stranger Things", portanto, dividiu seus personagens em três locais nesses novos episódios. Hawkins, no entanto, continua sendo o centro da ação, com uma nova ameaça sobrenatural fazendo vítimas escolares e reforçando seu recém-conquistado status de cidade mal assombrada.

Entre as principais influências oitentistas da quarta temporada, tanto para o roteiro quanto para o visual, estão "A Hora do Pesadelo", "E.T.: O Extraterrestre", "Amanhecer Violento", "Os Garotos Perdidos", "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" e "O Garoto do Futuro". Uma verdadeira colcha de retalhos referencial, ela ilustra bem quão eclética e caótica ficou a trama, capaz de absorver influências que vão de alienígenas, vampiros e lobisomens a rebeldia adolescente, panelinhas escolares e medo de comunistas.

"Nós vimos os garotos lidando com a escola em todas as temporadas, enquanto a Eleven sempre ficava numa cabana escondida ou saía numa jornada de autodescoberta. Agora nós finalmente a vemos lidando com questões comuns a qualquer garota adolescente, tentando se encaixar no colégio", diz Bobby Brown por vídeo.

Ao lado de Wolfhard, ela lamenta que, para poder entrar nessa jornada mais "normal" da protagonista, precisou, no entanto, se distanciar dos colegas de elenco. Enquanto a turma formada por Mike, Dustin, Lucas e Max vivia seus dilemas em Hawkins -construída num set em Atlanta, na Geórgia-, Eleven e Will passavam por situações semelhantes, mas na Califórnia.

"Eu criei relações genuinamente intensas com o elenco de 'Stranger Things'. Esses garotos se tornaram irmãos para mim. Só que, desde que a primeira temporada se tornou um sucesso, todos conseguiram emplacar projetos grandes, então ficou difícil juntar todos numa sala. Quem consegue fazer isso é a Netflix, mas com essa temporada foi tudo diferente."

De 2016, quando a série estreou, para cá, Bobby Brown foi indicada a dois Emmys, trabalhou em blockbusters hollywoodianos e fundou a própria produtora, a PCMA Productions, que lançou uma franquia de filmes da qual ela é o rosto, "Enola Holmes". Mas "Stranger Things" sempre ocupará um lugar especial em seu coração, diz, por tê-la impulsionado e acompanhado não apenas sua carreira, mas também sua vida pessoal.

"A Eleven se tornou uma personagem que vem naturalmente para mim. Eu raspei meu cabelo para interpretá-la quando tinha dez anos e agora eu tenho 17 e continuo dando vida a ela", afirma -a entrevista foi feita antes de ela alcançar a maioridade. "Tente dar seu primeiro beijo na Netflix, é surreal, uma loucura. Mas também é a experiência da minha vida, e eu acho que só vou ter dimensão do que 'Stranger Things' realmente significa quando tudo estiver acabado e eu estiver com uns 30 anos."

O término já tem uma data esperada para acontecer, pois os irmãos Duffer anunciaram que a quinta temporada será também a sua última.

As crianças cresceram e, como aconteceu em "Harry Potter", já não cabem mais nos uniformes de escola. Até o final deste quarto ano de "Stranger Things", a dupla avisa, todos devem se reencontrar, no que deve ser o início de sua despedida.

Sem novas temporadas desde 2019, a série original Netflix "Black Mirror" trouxe boas notícias para os fãs. Na manhã desta segunda-feira (16), o site Variety anunciou que uma nova leva de episódios está sendo preparada.

A produção da sexta temporada estaria no processo de escalação de um novo elenco, mas não há informações sobre a trama dos episódios. Apesar disso, a expectativa é que a nova temporada tenha mais episódios do que a anterior, que contou apenas com três histórias.

Ainda segundo o site norte-americano, a série deve tratar cada episódio como um filme individual, assim como nas temporadas mais recentes. Os episódios em geral têm mais de 60 minutos de duração e valores de produção altos.

Nas redes sociais, fãs e internautas comemoraram o retorno da série. "Acordem! 'Black Mirror' está de volta", escreveu uma. "Feliz que 'Black Mirror' não foi cancelada", disse outro. "O que eles vão fazer nessa série se a gente já está vivendo o próprio 'Black Mirror'?", questionou uma terceira.

Em outubro de 2021, uma empresa norte-americana especializada em robótica compartilhou vídeos nas redes sociais de um cão robô equipado com uma arma. Segundo a New Scientist, uma versão desarmada do robô está sendo usada como segurança de perímetro na Base Aérea de Tyndall, na Flórida.

Depois que as imagens dos cães robôs foram compartilhadas nas redes sociais, os internautas começaram a comparar com um dos episódios de "Black Mirror". No episódio, os cães robôs perseguem os humanos em um cenário apocalíptico.

"Os caras fizeram mesmo o cão robô assassino de Black Mirror", escreveu um internauta no Twitter. Outro comentou: "'Black Mirror' nunca foi teoria!".

O ator Finn Wolfhard, 19, conhecido por interpretar Mike de "Stranger Things" (Netlfix), afirmou em recente entrevista que os fãs podem se preparar para episódios mais sombrios na nova temporada da série. O artista ainda comparou a evolução da trama com os filmes clássicos de "Harry Potter".

"À medida que os filmes foram acontecendo, mais sombrios eles ficaram. É mais ou menos onde estamos agora", explica ele, em entrevista ao site Entertainment Weekly.

"Inerentemente, fica mais sombrio a cada temporada. Fica mais engraçado, mais assustador, mais dramático", completou.

Os novos episódios da série chegam ao streaming divididos em duas partes. A primeira parte da 4ª temporada estreia em 27 de maio, enquanto a segunda desembarcará na plataforma em 1º de julho. Esta será a penúltima temporada da trama, que estreou em 2016.

Para Wolfhard, o fato do elenco também crescer se assemelha aos filmes que retratavam a saga do bruxo ao longo dos anos. "Isso vem com todos nós crescendo e envelhecendo. Nós não vamos usar perucas com 40 anos, gritando sobre 'demogorgons' e outras coisas", exemplificou.

Na sequência, o grupo de amigos se separa pela primeira vez e tem de enfrentar as complexidades da vida na escola. Além disso, surge uma nova ameaça sobrenatural ainda mais forte, que carrega consigo um mistério que pode acabar com o Mundo Invertido.

Por: Karina Matias 

O vencedor do Big Brother Brasil 22 vai ficar milionário, mas seu poder de compra será praticamente metade do de Marcelo Dourado, o campeão da 10ª edição do reality. Isso porque, o valor do prêmio da atual edição segue o mesmo de 12 anos atrás: R$ 1,5 milhão.

Para ser equivalente ao de 2010, o prêmio deveria ser agora de R$ 3 milhões, segundo levantamento feito pelo economista e pesquisador Matheus Peçanha do FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Ele fez o cálculo com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de abril de 2010 a dezembro de 2021.

"O valor [do prêmio] está há mais de dez anos sem reajuste e nesse período a gente teve duas crises bem fortes. Entre 2014 e 2015, chegamos a mais de 10% de inflação também. E agora [em 2021] voltamos a ter uma nova inflação de dois dígitos, que a gente já não via há algum tempo. Fora a inflação ano a ano, que foi corroendo o valor do prêmio", diz o economista.

Nos 12 meses do ano passado, o IPCA, que é o indicador oficial de inflação no país, acumulou variação de 10,06%. A alta é a maior para o período de janeiro a dezembro desde 2015 (10,67%), quando a economia nacional atravessava período de recessão no governo Dilma Rousseff (PT).

Em 2021, a disparada do IPCA foi impulsionada por uma combinação de fatores díspares. Houve carestia de preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, aumento de itens básicos para as famílias, como alimentos, inclusive por alterações climáticas que afetaram plantio e colheita de diferentes produtos, além de persistente ruptura na cadeia global de abastecimento de insumos industriais, especialmente chips.

O economista Matheus Peçanha pondera que nas duas vezes que ocorreu reajuste no valor do prêmio –em 2005 e em 2010– foi acima da inflação. Na primeira edição do BBB, em 2002, o vencedor Kleber Bambam ganhou R$ 500 mil. O pagamento se manteve o mesmo por outras três edições até 2005, quando foi reajustado para R$ 1 milhão.

"Se tivesse sido pela inflação, o prêmio iria para R$ 655 mil, ou seja, como foi para R$ 1 milhão, foi um ganho real de 52,5%. O Jean Wyllys [vencedor do BBB 5] foi o maior felizardo", diz Peçanha.

Na edição de 2010, o prêmio foi para R$ 1,5 milhão. "Se fosse pela inflação do período, deveria ter ido para R$ 1,245 milhão. O felizardo da vez foi Dourado", completa o economista.

Edições anteriores, no entanto, já mostraram que, além do grande prêmio, o programa pode trazer visibilidade e impulsionar carreiras. Gil do Vigor, da ultima edição, não foi campeão, mas revelou em entrevista à Forbes que já acumulou fortuna de R$ 15 milhões desde que saiu do BBB.