Criação do Corredor Cultural, que abriga 15 patrimônios históricos, vai gerar 2.000 empregos, movimentar até R$150 milhões e atrair 50 mil visitantes por ano
Por: Clara Santa Rosa
A vereadora Maíra do MST assinou, em parceria com o prefeito Eduardo Cavalieri, o decreto que regulamenta o Corredor Cultural de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste. A iniciativa estabelece um traçado de preservação e fomento à memória histórica do Rio de Janeiro, que se estende ao longo da Estrada Rodrigues Caldas, desde o Largo da Taquara até o Núcleo Histórico da Colônia Juliano Moreira.
O documento que reconhece oficialmente o valor histórico e o potencial cultural e turístico da região foi assinado neste domingo (17) em um evento na Casa de Cultura de Jacarepaguá que reuniu mais de 100 pessoas, entre moradores, agentes culturais, coletivos e movimentos sociais.
A expectativa é que a criação do Corredor Cultural gere cerca de 2.000 empregos, movimente até R$150 milhões e atraia 50 mil visitantes por ano. O território abriga 15 patrimônios históricos, entre eles a Fazenda da Taquara, o Aqueduto Rio Grande, a Casa de Cultura de Jacarepaguá, a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, o Museu do Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, o Engenho Novo da Taquara e a Colônia Juliano Moreira, que funcionou por muitos anos como manicômio no terreno de um dos engenhos de cana-de-açúcar da região.
Cria de Jacarepaguá, a vereadora Maíra do MST contou que vem trabalhando desde que assumiu o mandato para concretizar a regulamentação do Corredor Cultural. “É uma felicidade muito grande ter nascido aqui nessa terrinha e ver com meus próprios olhos esse reconhecimento. Ter contribuído para essa conquista como vereadora é uma honra que vou carregar pra vida toda. Mas essa vitória tem muitos nomes. É resultado da luta de todas as pessoas que resistem junto com esse bairro há tantos anos. Jacarepaguá é resistência, cultura e memória de um povo que não aceita calado as opressões e nem os desmandos daqueles que querem derrotar historicamente o nosso povo negro”, ressaltou a parlamentar.
Alexandra Gonzales, empreendedora social e gestora da Casa de Cultura de Jacarepaguá, destacou a importância da iniciativa. “Muitas pessoas passam diariamente por aqui sem saber que este bairro abriga uma história viva. Temos igrejas centenárias, ruínas coloniais, memórias indígenas e negras e patrimônios históricos. São caminhos que contam a história do Rio de Janeiro”, concluiu. Também estiveram presentes no evento o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, e coletivos como o Cultura Urbana e o Floresta em Pé.
Com a regulamentação, a região passa a ser considerada Área de Especial Interesse Cultural (AEIC) na legislação urbanística. A Prefeitura do Rio poderá celebrar parcerias com o setor privado e entes públicos para fomentar atividades em Jacarepaguá. Além disso, o Corredor Cultural será incluído no Guia Oficial e no Roteiro Turístico e Cultural da cidade.