Na segunda-feira de Carnaval (12), os foliões celebram que “A Rua é Delas”, no Recreio dos Bandeirantes
Por: Déborah Gama
Em meio à folia carnavalesca e às concentrações da região, o Bloco das Divas se destaca por carregar uma mensagem diferente: o protagonismo feminino. Presentes desde 2013 no Recreio dos Bandeirantes, o bloco é um ícone de resistência cultural e mantém sua essência feminina, com mulheres compondo diferentes pontos estratégicos, como a organização, formação e direção da festa.
“No início, o bloco era bem pequeno, era algo apenas entre amigas. Já no segundo ano, ele cresceu bastante e, no terceiro ano, ele fechou todas as ruas do Recreio. Foi aí que a CET-Rio avisou que precisaríamos andar e a Riotur nos convidou a desfilar. Desde então, batemos entre 30 e 35 mil pessoas e desfilamos com carro elétrico, produção, segurança e não paramos mais”, explica Valéria Wright, fundadora do Bloco das Divas e presidente da Liga SamBare (que reúne blocos na Barra, Recreio, Vargens, Guaratiba, Sepetiba e Santa Cruz, com 14 blocos ao todo).
Esse ano, o desfile oficial do Bloco das Divas acontece na segunda-feira de carnaval, no dia 16 de fevereiro, com concentração na Av. Lúcio Costa, Posto 10, ao meio-dia.
Um bloco focado na inclusão e empoderamento feminino
“Os blocos, em sua maioria, são feitos por homens. Então nós decidimos trazer um toque feminino pro lado de cá, para mostrar que nós também podemos estar em qualquer lugar, inclusive nos blocos. E eu fui percebendo que, nos blocos, também não se dava o devido valor à diversidade, por isso eu resolvi fazer diferente”, destaca Valéria Wright.

Rainhas do Bloco das Divas. (Foto: Divulgação)
Com desfile marcado para a segunda-feira de Carnaval, dia 16 de fevereiro, ao meio-dia, o Bloco das Divas conta com uma variedade de rainhas, que atuam em diferentes áreas da sociedade e são exemplos da força e resiliência feminina, como:
- Rainha Maturidade: Cláudia Valéria, que também é Juíza Federal no Rio de Janeiro;
- Rainha Fitness: Letícia Fellicio, que também é CEO e fundadora da Clínica Amina, especializada em estética avançada;
- Rainha Down: Raquel Canella;
- Rainha PcD: Lu Ruffino, que também é Comendadora do Rio de Janeiro, e Conselheira de Cultura e Empreendedorismo do Governo do Estado;
- Rainha Plus Size: Simone Gabriel, que também é Miss Plus Size Master RJ 2025 e Miss Plus Size Fotogenia Nacional 2024;
- Rainha Ébano: Daniele Santos, que também é atleta, professora de Muay Thai e dançarina;
“A gordinha tem seu lugar, a negra tem seu lugar, a branca tem seu lugar, a a down tem seu lugar, todas têm seu lugar. Por que não dá voz a elas? Então, eu achei que esse era um jeito de demonstrar que, tanto na profissão quanto no lado pessoal, a mulher pode ter o seu o seu lugar, ela pode ter o seu nicho”, reforça Valéria.

Valéria Wright e Patrícia Lamoglia. (Foto: Divulgação)
Sob o enredo “A Rua é Delas”, a edição de 2026 promete um carnaval de rua bem brasileiro e que enaltece a força feminina. “O Bloco das Divas tem, por função, colocar a mulher no lugar onde ela queira estar. E a rua é um desses lugares”, complementa Patrícia Lamoglia, produtora do bloco.
Além disso, o Bloco das Divas é uma opção para as mulheres que desejam aproveitar a folia com conforto. “Essa ideia do bloco das Divas ser feito para mulheres e por mulheres, nos dá esse abraço acolhedor de uma outra mulher”, afirma Letícia Fellicio, Rainha Fitness da organização.
Com um passado de experiências em escolas de samba e em desfiles de carnaval, Letícia aproveitou o melhor da Sapucaí e das grandes concentrações, mas ao se mudar para o Recreio dos Bandeirantes, há 16 anos, a atleta reflete que “nunca tinha vivenciado o carnaval nesta facilidade de ser algo mais bairrista, com aquela vivência de estar com os vizinhos, lojistas, comerciantes e pessoas que estão na nossa rotina todos os dias”, destaca.
Zona Sudoeste como palco da folia e turismo
Além das concentrações tradicionais que acontecem no Centro e Zona Sul do Rio, o Carnaval de rua não pertence apenas à alguns locais da região, mas tem se estendido e ocupado diferentes áreas da capital ao longo dos anos. Com a crescente de turistas estrangeiros na Zona Sudoeste, acompanhando os mais de 2,1 milhões de visitantes internacionais em 2025, a Barra e Recreio se destacam no cenário carioca, principalmente como palco da folia.
“Temos a Transolímpica, o túnel da Grota Funda e a facilidade do pessoal da Barra, com o metrô”, cita Valéria Wright, ressaltando que o número de foliões do Bloco das Divas tem crescido ao longo dos anos, chegando a reunir mais de 30 mil pessoas. “E quando os moradores de outras regiões do Rio começam a perceber que tem outros eventos fora da Barra, eles começam a migrar para o Recreio, assim como para Jacarepaguá e adjacências e para as Vargens”, complementa a presidente da Sambare.
A falta de patrocinadores para blocos que não estão no eixo Centro e Zona Sul também impacta a visibilidade e reconhecimento do carnaval das demais regiões cariocas. Para Valéria, não existe competição entre os blocos, mas sim uma luta pelo destaque da Zona Sudoeste dentro da folia carioca. “Nós somos todos co-irmãos, os blocos sempre se ajudam, mas não é justo que as marcas de patrocínio olhem só para a Zona Sul e não vejam a Zona Sudoeste, que tem tido um turismo cada vez maior”, reflete a fundadora do Bloco das Divas.