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Embora muitas pessoas estejam optando pelos alimentos sem origem animal, a cultura do churrasco ainda é forte em todo o país. Nesse cenário, um novo estilo de comercialização vem crescendo com o tempo, principalmente na Barra, são as Butiques de Carne. Com cortes mais elaborados e carnes mais nobres, esses espaços estão caindo no gosto dos moradores que não dispensam um bom corte na alimentação.
No Parque das Rosas é onde está uma das butiques mais conceituadas da região, o The Bife. Criado pelo gaúcho Rossano Mendonça, o local nasceu após o proprietário se deparar com o prejuízo das churrascarias convencionais do Sul do país que acabavam perdendo boa parte do espeto vendido: “tudo começou em Porto Alegre, lá existe o churrasco de delivery, mas de balcão, sempre tudo no espeto no horário de 12hrs às 14hrs. Porém, o que me chamou a atenção era a perda da carne, se o churrasco não fosse vendido durante essas duas horas, ele tinha um prejuízo”.
Pensando nisso, Rossano pensou em fazer o mecanismo contrário, onde o cliente passasse a escolher a carne ainda no freezer e não direto no espeto. Rosano trouxe a ideia para a cidade em 2014 em sua primeira loja na cidade e agora a trouxe para a Barra: “hoje conseguimos trazer a loja para cá, porque aqui está o nosso público de fato, que consome bons cortes com um conceito diferente. Aqui temos carnes mais nobres diferenciados de bois de raça, o que agrega um valor diferente do que os que estão no Supermercado convencional”.
No The Bife, a carne é comprada em um frigorifico especializado e embalada: “o conceito da butique tem quatro pilares, o salão, a butique, o delivery e o nosso workshop. Com isso, o cliente pode escolher a carne, levar para casa ou fazer a degustação aqui, porque aqui você vai encontrar cortes inusitados que estão fazendo a tendência desse mercado que vem crescendo”. Rossano ainda afirma que o crescimento das butiques de carne é um caminho sem volta: “cada vez mais as pessoas estão criando e cultuando os novos estilos de se fazer um churrasco, hoje não é apenas espetar uma carne e pôr no fogo e isso é muito bacana. Temos também inúmeros eventos voltados para o churrasco. Isso não tem volta, cada vez mais, estamos à procura de fazer a carne dar o 100% de aproveitamento dela”.


Workshop
Com a ideia de ajudar seus clientes a conseguirem a melhor qualidade para seu churrasco, Rossano trouxe para o The Bife workshops onde demonstrar as maneiras de manipular as carnes: “eu sempre falo para eles que o churrasco deles é que é o melhor. Pois eles sabem o ponto da carne que mais agrada eles, seus familiares e amigos. O que eu faço aqui é ensinar técnicas e atalhos que vão melhorar mais ainda o churrasco deles”. A ideia parece ter caído no gosto dos clientes que vem lotando os cursos: “estamos na 20ª turma sempre com 25 a 30 pessoas. Fazemos uma parte teórica e uma parte prática”.


Delivery
Trabalhar com a entrega da carne na casa dos clientes trouxe um desafio à mais para a equipe de Rossano: “tínhamos um grande desafio de fazer o churrasco chegar na casa da pessoa suculento e quente, como se ela estivesse almoçando ou jantando aqui no salão. Com isso, fizemos um princípio de estancar e suprimir a suculência da carne e manter ela aquecida em uma embalagem que conserva esse aquecimento, foi o maior desafio e nós conseguimos vencer. Para isso, fazemos as entregas em um período de 6 km no máximo, senão a carne pode perde a sua qualidade”.


A mistura entre qualidade e longevidade
Além de proprietário do The Bife, Rossano também responde como o churrasqueiro da casa e somelier das cervejas importadas, vendidas no estabelecimento. É ele quem conta os motivos dos cortes mais nobres terem ganhando o mercado há apenas 15 anos: “a carne de Supermercado é sempre do gado Nelore. É ele que abastece o Brasil inteiro sempre. Mas desde 1906 nós já tínhamos outros tipos de raça no Brasil, porém não tínhamos a preparação certa. Após alguns anos começamos a entender as raças britânicas como o Angus, Herefor, a francesa Limousin, a Devon, entre um monte de raças que temos na Europa que começaram a chegar no Brasil”.
Porém uma das grandes barreiras enfrentadas para firmar esse estilo nobre de carne foi o clima brasileiro: “foi necessário se fazer algumas adaptações genéticas de cruzamento. Com isso nós conseguimos criar uma raça, dentro da raça nobre, cruzamos o nosso gado Nelore com as outras raças, que nós chamamos de meio sangue, tem 50% de cada gado. Com isso, conseguimos a resistência de um animal do Brasil com a qualidade de uma carne da Europa. Assim temos um mercado e isso evoluiu, hoje temos até três raças genéticas misturadas em uma carcaça só”.