De acordo com o levantamento, a queda pode estar associada à elevada carga tributária no setor de transformação do país

Com a economia ainda em fase de recuperação, a pandemia continua afetando o resultado nas vendas de veículos do mercado interno. Um levantamento feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, indica que foram licenciados no país 171,1 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. O que representa uma queda de 11,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados divulgados no início de fevereiro, revelam ainda que na comparação com dezembro de 2020, a queda foi bem maior, chegando a 29,8%.

 

De acordo com o levantamento, a queda pode estar associada à elevada carga tributária no setor de transformação do país. Enquanto no Brasil, 44% do preço dos carros são impostos, em média, na Espanha a carga de tributos nos veículos é de 21%, na Alemanha, 19% e nos Estados Unidos, 7%, em média. Números que segundo Thacísio A. Rio, CEO da Rios Assessoria, empresa especialista na análise de contratos a fim de encontrar valores abusivos, acende a sirene de alerta para o crescimento também das taxas extorsivas, que ainda de acordo com ele estão presente em mais de 80% dos financiamentos, tem juros acima da média. Este fato pode levar a inadimplência das parcelas e posterior busca e apreensão e até um bloqueio judicial do bem alienado, neste caso, o carro da família.

 

“Velha conhecida dos brasileiros, as taxas de juros estão presentes em qualquer transação que envolva crédito, seja para financiamento de veículos, empréstimos bancários ou caso não quite no prazo uma fatura do seu cartão. Na prática, elas representam o lucro que as operadoras de crédito terão, por isso, fazem parte do contrato e são esperadas. Contudo, em alguns casos, estes valores podem estar acima do que deveriam, e pode ser considerado como taxas extorsivas, já que estão acima do previsto pelo Banco Central”, explica.

 

A preocupação de Thacísio vai de encontro a um outro levantamento feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) que constatam que as taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas voltaram a subir em janeiro. Esta, de acordo com a pesquisa, é a segunda alta seguida, após oito meses de queda até novembro de 2020, registrando o aumento nas taxas de juros em todas as seis linhas de crédito para pessoas físicas pesquisadas: cartão de crédito, cheque especial, juros do comércio, empréstimo pessoal em bancos e financeiras, e financiamento de veículos. Neste último, por exemplo, houve uma elevação de 1,52%, passando de 1,32% ao mês (17,04% ao ano) em dezembro para 1,34% ao mês (17,32% ao ano) em janeiro. É a maior taxa desde agosto de 2020 (1,36% ao mês – 17,60 ao ano).

 

Como Identificar os juros abusivos e o que fazer?

 

Segundo o especialista, é preciso estar atento a todas as cláusulas e fazer uma ampla pesquisa antes de assinar o contrato de financiamento, para não pagar preços e juros extorsivos. O que ainda de acordo com Thacísio, pode levar a inadimplência das parcelas e posteriormente a busca e apreensão do bem financiado, que neste caso é o carro da família. “A taxa de juros nestes tipos de financiamento costumam ser camufladas pelas instituições financeiras. Algumas, por exemplo, costumam chamar a atenção para os pontos fortes de seu financiamento e acabam ludibriando as pessoas que não conseguem calcular juros abusivos para contratarem seus serviços. Esta é considerada uma prática de má-fé”, alertar o profissional.

 

E continua: “Para reverter esse cenário o consumidor precisa estar sempre muito atento e não deixar de procurar seus direitos. Realizar análise detalhada com uma empresa séria e renomada no mercado, agir antes que aconteça o pior é o caminho para evitar a perda do veículo para o banco”, indica Thacísio que também afirma que um dos principais fatores para esse tipo de atitude por parte das financeiras, é a falta de conhecimento por parte dos consumidores como um todo. “A maioria tem pouco conhecimento aprofundado dos juros abusivos e caem em muitos ‘disse me disse’ de que por exemplo, não vai dar certo! De que se colocar a instituição financeira na justiça nunca mais vai conseguir comprar, entre outras. A população tem conhecimento, porém não tem informações coerentes sobre o assunto”, conclui.