Uma área de manguezal às margens da Lagoa de Jacarepaguá, na altura da Rua Senador Generoso Ponce, na Barra da Tijuca, teve vegetação suprimida irregularmente em uma região onde há construções de luxo. O problema foi denunciado ao biólogo Mario Moscatelli e teria começado em junho de 2025. Desde então, não há sinais de recuperação ambiental no local.

Segundo a denúncia, a intervenção ocorreu em uma obra erguida dentro da Faixa Marginal de Proteção (FMP) da lagoa, área protegida por legislação ambiental. Além da retirada da vegetação, também houve aterramento em trecho de manguezal. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que realizou vistoria no local em dezembro do ano passado e constatou indícios de supressão de vegetação de mangue em Área de Preservação Permanente (APP), além do despejo de resíduos da construção civil no espelho d’água da lagoa e estruturas metálicas sobre a vegetação.

Após a fiscalização, o órgão aplicou multa de R$ 46,4 mil aos responsáveis e lavrou auto de constatação. O instituto informou ainda que uma nova equipe será enviada ao local para verificar a situação atual da área. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) também confirmou ter identificado danos à Faixa Marginal de Proteção da Lagoa de Jacarepaguá durante fiscalização realizada no ano passado. A obra foi embargada, medida que segue em vigor. Segundo a pasta, em março de 2026 a empresa responsável pelo dano compareceu à gerência da secretaria, permitindo o avanço do processo administrativo e aplicação das multas cabíveis. O nome da empresa não foi divulgado.

De acordo com o Novo Código Florestal, manguezais e faixas marginais de lagoas naturais são considerados Áreas de Preservação Permanente, e a supressão da vegetação só pode ocorrer em situações excepcionais e mediante autorização prévia do órgão ambiental competente. A Polícia Civil informou que não havia registro anterior do caso na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), mas afirmou ter iniciado diligências para apurar a denúncia.