Com uma década de história na região, a Roda reforça o compromisso com a música e tradição brasileira ao realizar o Bloco Pode Provar Que Não Tem Veneno, com concentração às 10h

 

Por: Déborah Gama 

 

Há dez anos, as manhãs de domingo na Praça Augusto Ruschi carregam outro significado. A Roda de Choro do Recreio começou de forma despretensiosa com cinco músicos, mas hoje atrai cerca de 500 pessoas a cada reunião, consolidando-se, em 2023, como patrimônio histórico, cultural e artístico de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro. 

Em meio aos encontros semanais,  que acontecem religiosamente – a não ser que a chuva os impeça –, a Roda reúne um público apaixonado pela música brasileira. E, neste carnaval, o grupo preparou algo diferente para a público fiel no chorinho: um bloco pré-carnaval tradicional, que vai acontecer neste domingo, 8 de fevereiro, na Praça Ruschi (mais conhecida “Praça do Parcão”, ou apelidada carinhosamente “Praça do Chorinho” ou “Praça Chiquinha Gonzaga”). 

 

O Bloco "Pode Provar que Não Tem Veneno": um Pré-Carnaval para a família

Ao longo dos anos, Márcio Rondon e Constantino Almeida, fundadores da Roda de Choro do Recreio, observaram que, nos domingos que antecediam o Carnaval, o público já chegava fantasiado e a Roda tocava músicas mais animadas – o que inspirou a criação do bloco de pré-carnaval. 

“Nosso grande objetivo ao trazer a Roda de Choro para o Recreio era justamente trazer o DNA do Rio para cá, para essa região nova da cidade. Não existe nada mais carioca do que uma roda de choro em praça pública. E o que faltava para que a gente tornasse aquele espaço como uma praça de subúrbio era apenas um carnaval e uma festa junina”, destaca Márcio Rondon, fundador e músico amador. 

O bloco, batizado de "Pode Provar que Não Tem Veneno" em homenagem a um samba de Candeia, não será um bloco de desfile, mas um "bloco parado", funcionando como um baile de carnaval na praça. A banda tocará marchinhas e sambas-enredo antigos, sem a inclusão de chorinho, focando no carnaval tradicional. Haverá também brinquedos para crianças, buscando reunir toda a família em uma celebração do pré-carnaval.

“Apesar de o bloco acontecer ali no local da Roda do Chorinho, com o pessoal que organiza o Chorinho, não é uma Roda de Choro”, ressalta Márcio. 

O evento, que já está cadastrado na Riotur, contará com infraestrutura como banheiros e a feirinha que já acontece aos domingos na praça. A organização convida a todos para participar do bloco no dia 8 de fevereiro, a partir das 10h30, na Praça Augusto Ruschi, no Recreio  dos Bandeirantes.

Os organizadores expressam grande orgulho pelo legado construído ao longo desses 10 anos, vendo a Roda como algo que "roda sozinho", independentemente da presença dos idealizadores. A satisfação de proporcionar alegria e um espaço de encontro para a comunidade é o principal motor para a continuidade do projeto.

 

De encontro informal a Patrimônio Cultural

A iniciativa, que não se define como um grupo fixo, mas como uma roda aberta a músicos amadores e profissionais, ganhou o reconhecimento de Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro em 2023. Esse título, segundo os organizadores, trouxe tranquilidade e o apoio da subprefeitura da Barra do Recreio de Vargem para o ordenamento do evento, que antes enfrentava desafios com o grande número de pessoas e vendedores ambulantes. A prefeitura interveio, estabelecendo regras para barracas e estacionamento, permitindo que os músicos se concentrassem apenas em tocar.

A roda acontece todo domingo, das 10h às 13h, e se destaca pela ausência de competição, acolhendo a todos, desde iniciantes a músicos experientes. A música instrumental predomina, com solos de cavaquinho, sax, flauta e bandolim, ocupando cerca de 90% do tempo. No final, uma "mini roda de samba" convida o público a cantar sambas conhecidos, como "Carinhoso", criando um ambiente de celebração e alegria.

A Roda de Choro do Recreio tem atraído um público diversificado, com a média de idade diminuindo ao longo do tempo. Crianças como Breno, de 13 anos, que toca cavaquinho, e Antônio, que toca violão, participam ativamente, ao lado de idosos que encontram na praça um espaço de convívio. A prefeitura, inclusive, instalou uma área de concreto na praça para facilitar o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção, permitindo que cadeirantes e idosos com andadores desfrutem da música.

“Nós acreditamos que estamos despertando as pessoas para a música ao vivo, para fazer da música um evento, não apenas um fundo musical, para quando você estuda ou está lavando a louça”, ressalta Constantino Almeida, um dos fundadores da Roda.