Mariana Arrudas (Folhapress)

União, superação e esperança são três palavras que definem a mensagem do filme "4x100 - Correndo Por um Sonho", que estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas brasileiros. O longa nacional acompanha cinco atletas mulheres que precisam aprender a trabalhar em equipe e superar seus próprios desafios para conquistar o ouro na corrida de revezamento 4x100 metros rasos na Olimpíada de Tóquio.

Ao longo da trama ficcional, que estreia apenas um mês antes dos Jogos Olímpicos, é exibida a trajetória de Adriana (Thalita Caruata) e Maria Lúcia (Fernanda de Freitas), que após perderem o pódio nos Jogos Olímpicos Rio 2016 tomaram rumos distintos, enquanto Adriana treina em uma quadra de terra e participa de algumas lutas de MMA, Malú treina ainda mais pesado para a próxima competição.

Tomás Portella, diretor do filme, conta que a ideia do projeto partiu de Roberta Alonso, atriz que dá vida à atleta Rita no longa. "As meninas tiveram liberdade total para trabalharmos juntos o texto", comenta ele ao lembrar que o filme também fala sobre o machismo que as mulheres enfrentam dentro e fora das competições.

"Essas discussões são muito pertinentes à época", completa Cinthia Rosa, que interpreta Jaciara. Para a atriz, levantar a bandeira do feminismo no filme foi importante para conscientizar sobre as dificuldades de ser mulher. "Estamos em um momento feminino que a mulher não quer aturar absolutamente mais nada", completa.

Alonso afirma que além deste tema, também quis despertar no público o sentimento de pertencimento, conexão e orgulho que o esporte carrega. "Estamos precisando sentir. Primeiro precisamos nos conectar com as nossas cores, tenho a impressão que elas foram roubadas", reflete.

A artista ainda traça um paralelo entre a união demonstrada no filme e a união que a população deveria ter para enfrentar a pandemia da Covid-19. "Se não nos unirmos em prol de um objetivo em comum, que é acabar com isso, não vai acabar. No filme é a mesma coisa", diz.

Para Augusto Madeira, que faz o treinador da equipe, o esporte e a arte são capazes de mostrar o trabalho em equipe e sua importância. "O espectador não vê nada disso, mas essa sensação de coletividade é muito forte", completa. Ele conta que espera que o filme possa animar e motivar a equipe olímpica, que, segundo ele, irá assistir ao trabalho antes de embarcar para Tóquio.

Portella ressalta que falar sobre o maior evento esportivo do mundo é um ato que traz esperança para as pessoas, e que apesar de não ser o melhor momento para os cinemas, o momento sentimental da população é muito importante para o lançamento do trabalho. "Trazer esperança num momento como esse parece uma boa ideia."

Além da esperança, o longa-metragem também passa uma mensagem de motivação e homenagem às atletas. Junto aos créditos do trabalho, são colocadas imagens de grandes atletas brasileiras que marcaram a história do nosso país, como a jogadora de futebol Marta, 35, e a ex-ginasta Daiane dos Santos, 38.

O filme estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas por todo o Brasil. Para quem pretende prestigiar o longa nas telonas, o elenco inteiro tem uma mensagem: "use máscara", e Madeira acrescenta, "leve um lencinho de papel."

POR TRÁS DAS CÂMERAS

Thalita Carauta comenta que a construção da personalidade de Adriana aconteceu aos poucos, de forma quase que natural, "nunca tenho grandes elaborações eu tento entender o que é e sobre o que a personagem quer falar". Porém, a maior parte da preparação foi a física, assim como todo o elenco reafirma.

"A maior parte de trabalho na preparação de personagem foi a questão física", explica a atriz. Para Fernanda de Freitas os treinos e alimentação regrada fizeram com que ela encontrasse sua personagem dentro de si. "Sou bailarina de formação e meu professor de balé sempre falou que eu era muito obsessiva, e tem uma coisa na Malú de obsessão", relembra.

A atriz Priscila Steinman, que interpreta a atleta novata Sofia, diz que a parte física foi muito intensa. Ela relembra que o elenco passou dias frequentando diariamente o NAR (Núcleo de Alto Rendimento Esportivo) em São Paulo, convivendo e treinando com atletas novos e veteranos.

"Tivemos um contato muito próximo com essa realidade brasileira, com as nossas atletas", relembra ela que afirma que quando o elenco não estava filmando, se preparava fisicamente para o papel. "Levou cerca de um mês e meio para chegarmos aos resultados que precisávamos, e manter isso durante as filmagens."

A preparação de elenco e filme aconteceram em 2019, antes da pandemia de coronavírus. Para Fernanda de Freitas, a mensagem que fica "extrapola os Jogos Olímpicos, sem querer. Não imaginávamos que estaríamos estreando em um momento como esse."

Roberta Alonso ressalta que é importante estar de coração aberto ao assistir ao filme. "Para que a esperança e o espírito de união possam entrar, e que consigam, nesse momento, ver quantas coisas ainda o nosso país tem de bom."

4X100 - CORRENDO POR UM SONHO

Quando: 24/06
Onde: Cinemas
Elenco: Thalita Carauta (Adriana), Fernanda de Freitas (Maria Lúcia), Roberta Alonso (Rita), Priscila Steinman (Bia), Cintia Rosa (Jaciara), Augusto Madeira (Victor) e Kauê Telloli (Caio).
Produção: Globo Filmes
Direção: Tomás Portella

Folhapress

A cantora Billie Eilish, 19, se desculpou em suas redes sociais após alguns vídeos antigos viralizarem no TikTok, em que ela aparece cantando a música "Fish", de Tyler, The Creator, enquanto zomba sotaques de outras etnias e utiliza o termo "Chink", palavra usada para ofender pessoas de origem chinesa nos Estados Unidos.

Muitos fãs da artista afirmaram que se sentiram decepcionados com o vídeo, que já acumula mais de um milhão de visualizações. Na madrugada desta terça-feira (22), Eilish publicou um texto em seus Stories afirmando que se sentia envergonhada pelos vídeos de anos atrás.

"Eu amo vocês, e muitos de vocês têm me pedido para abordar isso. É algo que quero abordar porque estou sendo rotulado como algo que não sou", começou. "Eu estou chocada e envergonhada e quero vomitar por pronunciar essa palavra."

Ela explica que os vídeos foram gravados quando ela tinha entre 13 e 14 anos e que não sabia que os termos eram racistas para a comunidade asiática. "Essa música foi a única vez que ouvi essa palavra, pois nunca foi usada perto de mim por ninguém da minha família", continuou.

"Independentemente da minha ignorância e idade na época, nada desculpa o fato de ter magoado as pessoas. Sendo assim, me desculpem". Ela também falou sobre ter zombado dos sotaques de outras etnias. "O outro vídeo naquele clipe editado sou eu falando em uma voz boba e sem sentido."

"Algo que comecei a fazer quando criança e fiz toda a minha vida ao falar com meus animais de estimação, amigos e família. É jargão absoluto e apenas eu brincando, e de forma alguma é uma imitação de alguém ou qualquer idioma, sotaque ou cultura", explicou.

"Qualquer um que me conhece já me viu brincando com vozes durante toda a minha vida. Independentemente de como foi interpretado, não quis dizer que nenhuma de minhas ações não tenha causado dor a outras pessoas e me parte o coração que esteja sendo rotulado agora de uma forma que pode causar dor às pessoas que o ouvem."

"Não só acredito, mas sempre trabalhei muito para usar minha plataforma e lutar por inclusão, gentileza, tolerância, equidade e igualdade", completou a cantora que se prepara para o lançamento de seu novo álbum "Happier Than Ever".

Recentemente, ela também foi alvo de críticas de seguidores nas redes sociais após uma postagem realizada no início do mês de Junho. A cantora foi acusada de fazer "queerbaiting", uma técnica de marketing para atrair o público LGBTQIA+.

Em uma postagem, Billie escreveu "eu amo garotas", junto a fotos da produção do clipe 'Lost Cause'. O que poderia ser considerado uma revelação sobre ela mesma despertou a atenção de seguidores, que se mostraram incomodados se isso não seria uma estratégia para melhorar sua presença entre o público "queer".

Originalmente, a palavra "queer" significa estranho ou esquisito e era usada de forma ofensiva contra pessoas LGBTQIA+. Atualmente a expressão é utilizada para designar aqueles que
não se sentem representados dentro do padrão heteronormativo, no que concerne a orientação sexual, identidade de gênero ou características sexuais. "Bait" significa isca.

Anna Virginia Balloussier (Folhapress)

Ex-chefe do núcleo de humor da Globo, Marcius Melhem não viu graça quando três comediantes e um youtuber usaram as redes sociais para tascar nele o rótulo de assediador. Processou todos.

As ações que move contra o quarteto -Danilo Gentili, Felipe Castanhari, Marcos Veras e Rafinha Bastos- são apontadas por advogados como um cerco que beira o assédio judicial, já que os quatro alvos são amigos da mulher que o acusa de assédio moral e sexual, a também humorista Dani Calabresa.

A pessoas próximas Melhem se diz indignado com o que vê como um cancelamento sumário antes mesmo de ser julgado num tribunal tradicional, que não seja o da internet. Ele nega as acusações.

As primeiras sentenças chegaram, com cada uma apontando para uma direção. Enquanto a juíza Carolina de Figueiredo Dorlhiac Nogueira negou a indenização por danos morais que Melhem cobrava de Danilo Gentili, seu colega Valentino Aparecido de Andrade entendeu que Felipe Castanhari devia pagar R$ 100 mil, o dobro do que a ação pedia. Nos dois casos, cabe recurso.

Segundo a magistrada do processo contra Gentili, "configura verdadeira censura prévia, vedada pela Constituição", pedir que o réu não poste "mensagens e vídeos depreciativos e ofensivos ao nome, imagem e honra do autor". Quando as acusações de assédio emergiram, o apresentador do The Noite, do SBT, ironizou o colega em postagens como "uma coisa não podemos negar, o Marcius Melhem foi um grande líder na Globo, daqueles que não têm medo de botar o pau na mesa".

Nogueira diz, em sua decisão, que, ao ingressar na vida pública, a pessoa "deve ser mais resistente a críticas e comentários emitidos por terceiros".

Andrade pegou outra via ao condenar Castanhari. O youtuber havia dito sobre o ex-global "não caiam nesse discursinho de merda do Marcius Melhem". "Esse cara é um criminoso, um escroto, um assediador que merece cadeia por todo o sofrimento que causou."

Segundo o juiz de direito, a "clara e óbvia intenção de não se limitar a expender uma opinião, mas sim a fazer um juízo altamente negativo" sobre Melhem ultrapassa o direito à liberdade de expressão.

Aos fatos. Com 17 anos de Globo, Melhem foi demitido em agosto de 2020. Na época, a emissora divulgou um comunicado dizendo que a decisão foi de "comum acordo" e que o artista "estava de licença desde março para acompanhar o tratamento de saúde de sua filha no exterior".

Na época, já circulavam rumores de que o coordenador do departamento de humor do canal, responsável por programas como "Tá no Ar", "Zorra" e "Isso a Globo Não Mostra", tinha assediado moralmente sua funcionária e amiga Dani Calabresa.

Em outubro, o jornal Folha de S.Paulo publicou que, além de Dani, outras mulheres procuraram o compliance da Globo acusando Melhem de praticar um tipo assédio ainda mais grave, o sexual. Dois meses depois, a revista Piauí trouxe extensa reportagem detalhando como o ator e diretor supostamente assediava suas subordinadas.

Ele contestou 43 pontos do texto, como uma passagem que descreve como Melhem foi dar uma "conferida" no figurino de Dani, que estaria de maiô num camarim nos Estúdios Globo. Segundo o acusado, a cena em questão foi gravada numa praia carioca, e ele "nunca foi a uma externa do 'Zorra' fora dos estúdios".

O humorista virou vidraça sobretudo após a reportagem da Piauí. Escolheu entrar na Justiça só contra os quatro homens, fora Dani Calabresa e a revista. A sentença dura contra Castanhari assustou o grupo.

A defesa do influenciador levantou casos em que, mesmo quando personalidades eram consideradas culpadas pelo que disseram sobre terceiros, as reparações financeiras eram bem mais modestas. Quando a pessoa criticada não é famosa, elas ficam em torno de R$ 5.000 e R$ 10 mil.

O valor aumenta um pouco em imbróglios judiciais envolvendo pessoas conhecidas. Um exemplo é Jair Bolsonaro, condenado a pagar R$ 20 mil à repórter do jornal Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello, atacada pelo presidente com falas sexistas.

A Justiça também entendeu que o youtuber Felipe Neto deveria repassar R$ 8.000 ao presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier. "O sujeito já ajudou invasores de terras indígenas, foi reprovado em prova da PF por problemas psicológicos e agrediu o pai idoso com um murro na cara", postou o youtuber em 2019 sobre o indicado de Bolsonaro ao cargo.

"Não encontramos um outro caso, até o momento, em que uma pessoa foi condenada a R$ 100 mil por um único post em que critica uma celebridade", diz Rafael Neumayr, advogado de Castanhari. "Ele entrou naquela toada de manifestações públicas contra a figura do Marcius, quando absolutamente todo mundo estava fazendo comentários [sobre ele]. Pegou carona nesse movimento, mas com interesse pessoal por ser amigo próximo da Dani e estar muito chateado com tudo o que aconteceu."

Marcos Veras, Danilo Gentili e Felipe Castanhari são amigos de Dani Calabresa, e Rafinha Bastos, um colega de stand-up. Para seus advogados, os réus foram escolhidos a dedo, uma abordagem judicial para constranger a comediante que denunciou Melhem.

Os defensores encaram como estratégico só haver processos contra homens, quando muitas mulheres com igual projeção midiática também atacaram o comediante, de Xuxa a Tatá Werneck. Um homem denunciado por assédio alvejar mulheres solidárias a outra poderia ser contraproducente, afinal.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Marcius Melhem diz que "apenas processou aqueles que, de modo injusto e irresponsável, por meio de suas redes sociais, com ampla abrangência, ou por meio da imprensa, passaram a ofendê-lo e a acusá-lo de um crime que não foi provado, e só pode ser dito que houve assédio se assim for provado e declarado em processo judicial por sentença da qual não caiba mais recurso".

Veras, que trabalhou na gestão Melhem em programas como "Escolinha do Professor Raimundo", nem sequer pode citar o nome dele em redes sociais. Liminar de maio, concedida pelo juiz Luiz Felipe Negrão, o proíbe de escrever qualquer alusão ao ex-coordenador até o desfecho da ação.

O que Veras publicou para virar alvo foi "estou com você! Que esse criminoso pague pelo que fez. Te amo". "Meu carinho, admiração e solidariedade a todas as mulheres que sofrem esse tipo de crime diariamente. E que Marcius, ou qualquer outro ou outra que tenha compactuado com isso, respondam pelos atos."

Melhem "usa uma linha de defesa atacando quem comenta o caso, ajuizando diversas ações, contra a denunciante [Dani Calabresa], contra humoristas, inclusive contra a revista que publicou as denúncias", diz o advogado Gustavo Arroyo, contratado por Rafinha Bastos. "Mas acreditamos que ao final prevalecerá o direito constitucional de liberdade de expressão."

Segundo Taís Gasparian, que advoga pela Piauí, por ora o que a equipe jurídica de Melhem faz não pode ser chamado de assédio judicial tal como vimos contra a jornalista Elvira Lobato e o escritor João Paulo Cuenca, ambos alvos da Igreja Universal, ou Rita Lee, processada por cerca de 50 policiais de Sergipe após criticar a agressividade de PMs com o público de um show seu -ela os chamou de "cachorros" e "filhos da puta".

Segundo Gasparian, que também é advogada deste jornal, o que Melhem cria é, "no mínimo, um constrangimento ou ameaça a todos aqueles que tiverem a intenção de se manifestar sobre o assunto, e com isso tolhe a liberdade de expressão."

A condenação de Felipe Castanhari pareceu injusta na opinião dela, "porque o linguajar que ele utilizou é o mesmo adotado por muitos comunicadores atualmente", afirma. "Pode ser agressivo, mas a liberdade de manifestação não se restringe a mensagens educadas ou ponderadas. Muito ao contrário, serve para proteger justamente a expressão que não agrada."

Segundo Marcius Melhem, a cultura do cancelamento destrói reputações sem se importar com o direito de defesa, ainda mais o de "alguém que sofreu graves acusações pela indevida divulgação sobre um suposto assédio que sequer foi alvo de processo judicial", como diz a nota de sua assessoria.

"Não é trivial ser rotulado de assediador com tamanha repercussão. Marcius sofreu um verdadeiro linchamento público, sem provas e sem processo judicial. E os danos disso advindos, em razão do poder replicador das mídias sociais, podem nunca se remediar totalmente."

Em entrevista ao jornalista Mauricio Stycer, Melhem admitiu que foi "um homem tóxico, um marido péssimo, uma pessoa que cometeu excessos ao se relacionar com pessoas do seu próprio ambiente de trabalho". Mas isso não poderia ser confundido com crime sexual. "Embora confesse os meus excessos, jamais tive alguma relação que não fosse consensual e jamais pratiquei algum ato de violência com quem quer que seja na minha vida", disse Melhem.

Segundo a advogada Mayra Cotta, que representa 12 mulheres que já prestaram depoimentos sobre o caso no Ministério Público do Rio de Janeiro, "o grupo que hoje aguarda a conclusão das investigações retira boa parte de suas forças do apoio que recebe de amigos e conhecidos, e atacar esta rede de apoio é uma forma de atacá-las indiretamente".

"Parece que o recado que se tenta passar é de que qualquer um que apoie publicamente as mulheres que denunciam Melhem pode estar sujeito a alguma forma de vingança, que nesse caso vem por meio de uma estratégia judicial agressiva", diz.

Folhapress

A chegada de diversos serviços de streaming tem deixado o brasileiro confuso com tantas opções. Porém, a concorrência já parece estar trazendo bons frutos, com anúncios de promoções por parte das plataformas.

Nesta quinta-feira (1º), a Disney+ vai dar uma boa oportunidade para quem quer conhecer seus conteúdos, mas ainda estava na dúvida por causa do valor da assinatura (R$ 27,90 mensais no plano standard). Até a próxima quarta-feira (7), a assinatura poderá ser feita por R$ 1,90.

O valor promocional vale apenas para o primeiro mês. Caso queira continuar vendo os conteúdos da plataforma, o valor volta a ser o convencional. Porém, quem quiser pode encerrar a assinatura depois de 30 dias.

Com isso, será possível conferir diversas estreias que ocorrerão ao longo de julho. Entre elas estão os dois últimos episódios da série "Loki", estrelada por Tom Hiddleston, que repete seu personagem dos filmes da Marvel.

Outro destaque é a chegada do filme "Cruella" a partir do dia 16 para todos os assinantes, sem pagamento extra. O filme com Emma Stone ainda está nos cinemas e, antes dessa data, também pode ser visto na plataforma pagando um adicional de R$ 69,90.

Nessa modalidade (pagando o valor adicional), será possível conferir o aguardado "Viúva Negra", estrelado por Scarlett Johansson, a partir do dia 9 de julho ou o filme "Jungle Cruise", com Dwayne Johson e Emily Blunt, a partir do dia 30.

No dia 7, também estreia a série animada "Monstros no Trabalho", que se passa no universo de "Monstros S.A.". Já no dia 21, chega a série em live-action "Turner e Hooch", com Josh Peck, sobre um detetive que se alia a um cachorro.

Os assinantes também podem conferir outros sucessos recentes na plataforma, como os filmes "Luca", "Soul" e a versão live-actions de "Mulan", bem como as séries "The Mandalorian", "WandaVision" e "Falcão e o Soldado Invernal". Também estão disponíveis clássicos da Disney de todos os tempos.

Bruno Calixto (Folhapress)

Amir Haddad anda repetindo muito o termo "presencial". Na cobertura onde mora em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, com vista para a baía da Guanabara, o diretor -que faz 84 anos nesta sexta-feira- expõe o mais básico das palavras em duas horas de conversa.

"Teatro virtual não existe, é igual a sexo por telefone, vai contra a natureza. Não sou um voyeur, se tem uma suruba rolando eu caio dentro."

Fundador e diretor do grupo Tá Na Rua desde 1980 -a companhia ganhou o título de patrimônio imaterial do estado do Rio de Janeiro em 2010-, Haddad está há um ano e meio impedido de levar sua arte para os espaços públicos, tendo sua residência como local de trabalho e refúgio. A cena do artista com o microfone na mão conduzindo uma trupe de atores por ruas e praças vai ficar para depois.

"A humanidade ainda está vivendo uma situação de coito interrompido, como se alguém batesse violentamente à porta na hora H", diz o diretor. Em razão da pandemia, ele viu esvaziar a festa dos 40 anos do Tá Na Rua. "Foi um coitão e acabamos virando uns coitados."

Na banheira ao som de Billie Holliday, ele posa relaxado para um ensaio e, com uma taça de vinho tinto em punho, anuncia para agosto uma curta temporada, e virtual, de "Assim Falou Zaratustra", ao lado de sua colaboradora dramatúrgica Viviane Mosé. A filósofa e psicanalista é uma espécie de "tradutora" dos pensamentos de Nietzsche na sociedade contemporânea e peça fundamental para esta desmontagem que Haddad chama de pós-teatro.

"É um espetáculo que venho fazendo desde 2018, já apresentei pedaços no Instagram, contrariando minhas convicções", afirma o diretor que, assim como Zaratustra, "só acreditaria num Deus que soubesse dançar".

Fora da banheira, vestindo camisa azul, gorro na cabeça e chinelo, o homem de 1,70 metro e 85 quilos anda com cuidado, mas com propulsão, que é a maneira como ele fala também. Haddad mantém velhos hábitos, como de se autodirigir.

"O meu trabalho é muito mais resistência do que proposição. O Tá Na Rua reforça isso, nasceu da ditadura, é filho da repressão, rebelde do governo Médici."

Seus olhos castanhos se estreitam em fatias de contemplação, como os de um gato. Mineiro de Guaxupé, ele liderou grupos alternativos a partir dos anos 1970 pesquisando e buscando a disposição não convencional da cena em espaços abertos, o ápice da interação entre atores e espectadores. "A vida inteira trabalhei com grupos. O teatro é uma arte coletiva."

Em São Paulo, se juntou a José Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para fundar o Teatro Oficina em 1959. "Minha vida no teatro começou no Oficina, um grupo que virou ideia fixa e obsessiva", ressalta. "Minhas origens paulistanas são muito fortes. Fomos atraídos por essa fonte inesgotável de desejos. Éramos muito ligados ao teatro francês, em especial uma companhia chamada L'Atelier, traduzida por Oficina."

O primeiro espetáculo do grupo foi "Vento Forte para um Papagaio Subir", de Zé Celso, seguido de "A Incubadeira", que foi um enorme sucesso de público e crítica. Em 1960, Haddad se mudou para Belém, onde fundou e deu aulas na Escola de Teatro na capital paraense, primeira instituição com esta finalidade na Amazônia.

"Eu achava que São Paulo era o Brasil, chegando ao Norte que eu entendi a dimensão deste país. Lá criamos o 'Auto do Círio de Nazaré', que saía à rua uma noite antes da procissão religiosa".

No Rio desde 1965 -para assumir o Teatro da Universidade Católica e, posteriormente, o Teatro Universitário Carioca-, Amir Haddad intensificou sua busca em recuperar o sentido das festas populares. "Meu trabalho se sustenta no tripé Carnaval, futebol e cultura religiosa. Eu bebo nessa fonte inesgotável de formação que o Brasil tem de espetáculos populares."

Com mais de 400 peças em 70 anos de teatro, Amir Haddad adotou um lema para manter a sanidade. "O teatro é o lugar da saúde!", ele afirma.

Atualmente, o diretor vem ensaiando, de forma virtual, uma peça sobre Virginia Woolf com Cláudia Abreu, diretamente de Lisboa, que sugeriu o tema. "Ela adora Virginia, lê e entende bastante", diz Haddad que, em 2017, dirigiu Andréa Beltrão numa adaptação sua de "Antígona", de Sófocles. Entre as suas favoritas também estão Renata Sorrah -"foi trazida para o teatro por mim"- e Camila Amado, morta em junho. "Sou igual ao Dionísio, arrasto as mulheres como um bando de bacantes."

É difícil pensar em outro diretor com um corpo de trabalho que, aos 84 anos, tenha sido tão singular em sua multiplicidade. Com plena consciência da carreira de extraordinária riqueza e longevidade, Haddad ultimamente só liga a TV para ver canais esportivos ou de outros países.

Sobre passar o tempo em casa à espera de voltar às ruas, ele faz um rápido resumo. "Tive que aumentar muito meu nível de masturbação e ceder ao laptop, aprendi o mínimo necessário."