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O circo está na cidade! Ou melhor, ele continua na nossa região. Sucesso de público no estacionamento do Shopping Via Parque, o Abracadabra Reder Circus ficará na Barra até o dia 24 de fevereiro. Por isso, o JORNAL DA BARRA foi conhecer os bastidores dessa grande festa. O Abracadabra é uma criação de Frederico Reder, anfitrião do espetáculo que conta com uma série de peculiaridades. Mas o que está por trás das piruetas, maquiagens e fantasias? Quem são essas pessoas que moram no estacionamento de um shopping durante o dia e se transformam em maestros, palhaços, malabaristas e globistas à noite? Respeitável público, conheça esses artistas circenses que trazem o sorriso para a nossa região.

Ser palhaço é coisa de família 

Tradicional de circo, Luis Yuner é o palhaço Petit Gatão. Pertencente à quarta geração de palhaços da família Campos, militante de uma trajetória de vários circos tradicionais do Brasil, Luis relatou ao JORNAL DA BARRA sobre o começo de sua carreira até a chegada no Reder Circus, em abril de 2018: “A minha família parou de trabalhar em circos quando meu avô recebeu uma proposta para trabalhar em uma siderúrgica que estaria abrindo em Minas Gerais, que viria a ser a Usiminas. Ele chega em Ipatinga, para começar a sua carreira na empresa, e aos finais de semana, abre uma Escola de Circo para a comunidade, a primeira do Vale do Aço.” Yuner, portanto, cresceu neste universo.

Nascido na época de auge do circo, o artista aprendeu os primeiros passos em casa. Tempo depois, foi trabalhar num circo de sua tia, em Santa Catarina. Lá, aprendeu técnicas de malabarismo e acrobacias. Apaixonado pela cena, o pequeno Luis voltou para Minas e entrou na Escola de Iniciação Teatral, onde se enveredou no teatro. Mais maduro e com uma carreira mais encorpada, antes da chegada ao Reder, Yuner participou de diversas peças para grandes companhias, além de possuir a sua própria.

Com dois nomes, mas uma pessoalidade, Luis Yuner, ou se preferir, Petit Gatão, ressalta que o verdadeiro palhaço não é propriamente um personagem, mas sim uma personalidade: “Ser palhaço não é escolher ser palhaço. Você nasce com essa estirpe, com essa índole. O palhaço obedece, mas desobedece. Ele subverte o tempo todo. É muito louco falar de palhaço. Tem gente que é palhaço, mas que não trabalha com isso. Tudo que é problema dentro de você, você traz para o palhaço, e ele transforma aquilo em poesia, em brincadeira. E a plateia se identifica com o momento: ‘ o cara tá mal e conseguiu alguma coisa mesmo assim, transformou a dor dele em graça’. Isso é um exemplo. Ninguém imita um palhaço. Só eu sou o palhaço Petit Gatão”.

Sobre a definição de um “bom palhaço” e o seu maior objetivo, Yuner diz: “Eu procuro lidar com as pessoas com afetividade e muita poesia. Quando você chega com simpatia com as pessoas, é muito melhor do que quando se chega querendo fazer uma piada de duplo sentido, ou forçando uma barra. O bom palhaço tem que ter uma ousadia, de perceber o que o público quer. O palhaço tem que trabalhar com ideia e sentimento. E tem que ser muito generoso, tem que ser verdadeiro! Não adianta tentar esconder, você tem que ser transparente com o público”, explica.

Por fim, Luis comentou sobre as dificuldades da carreira, envolvendo aspectos emocionais de sua pessoa, separados dos sentimentos do Petit Gatão: “Aconteceu esses dias comigo, de estar destruído por dentro, de ir diversas vezes ao camarim para chorar por causa de angústia, de estar em cena e de o olho marejar, contando piada para as pessoas, e ninguém sabe o inferno que está dentro de mim. Mas eu tenho que ser maior do que isso tudo, eu tenho que ser forte. O fato de eu ser um palhaço é uma dádiva, mas eu escolhi também trabalhar com isso. Sou uma pessoa muito sentimental. Engolir uma melancia e se engasgar com um mosquitinho”.

O casal de globistas que a vida no circo uniu

Chailene Torres e Roberto Robatini vivem uma história de amor nada convencional. Ela vem de uma tradicional família de globistas e foi nessa rotina de andar de moto dentro de uma grande bola de ferro que Roberto se aproximou da esposa. Ele também vem de uma família ligada ao circo e, hoje, eles compartilham esses dois legados como o casal de globistas, que com outras quatro motos, sobe a adrenalina no Reder Circus.

Se distanciar da família, entretanto, não foi nada fácil. Antes de seguirem juntos pelo mundo como casal até chegarem ao Reder Circus, os dois passaram por muita saudade: “quando eu conheci o Roberto, minha família estava saindo do circo. Foi muito difícil para mim porque sempre estive com eles. Depois, nós que tivemos que ir embora e deixamos a família dele. Foi a vez dele de sofrer”, mas como tudo que é bom acaba voltando... “depois de dois anos separados, meu pai veio me visitar e a família dele também vem. O circo é isso”, explica Chailene, que garante nunca dizer “adeus”. Outra curiosidade é que, ao contrário do que muitos pensam, eles não tem nenhuma intimidade com a moto fora do circo: “é completamente diferente, nem sei andar de moto”, brinca Chailene, que é a única mulher entre os seis globistas do Abracadabra Reder Circus.

“Esse circo aqui é a minha vida!”

Malabarista, Danny Pink está há seis meses no Reder Circus. Com 23 anos de carreira, a artista revelou como começou sua trajetória: “Comecei com 12 anos de idade, na Escola Nacional de Circo, na Praça da Bandeira. Havia feito um teste aqui no Rio de Janeiro, e passei. Em quatro anos me formei e ainda não podia trabalhar fora. Então fiz muitos circos pequenos no Brasil. Somente quando fiquei maior de idade, consegui uma oportunidade de trabalhar em uma companhia circense, onde pude viajar para nove países”.

Foto: Fabiola Loureiro

Feliz no Reder, Danny comentou sobre o espaço do Circo, e de toda a qualidade que é oferecida à equipe: “O Reder Circus está fazendo muito bem para mim. Eu parei de viajar há um tempo, mas eu nunca tinha pego um circo tão grande e tão maravilhoso para trabalhar. Esse circo aqui é a minha vida!”.

O malabarismo pode ser definido como a arte de manipular objetos com agilidade e precisão. Para Danny, o maior objetivo dessa arte circense é arrancar um sorriso no rosto das pessoas: “Para mim, a maior dificuldade de um malabarista é trazer o carisma juntamente com o seu malabarismo, conquistar o sorriso da plateia, e também surpreendê-la”.

O único circo com orquestra do Brasil

O Reder Circus é o único do Brasil a ter uma orquestra musical acompanhando as performances artísticas. A ideia veio do diretor Frederico Reder que juntou as duas paixões: musicais e circos. Já o diretor musical, Gabriel Guilherme, explica que a música ao vivo faz a apresentação ser muito mais dinâmica: “no circo nada é cronometrado. O artista pode demorar ou errar e ter que repetir. Com o CD, a música vai continuar normalmente, mas com a nossa orquestra conseguimos acompanhar cada movimento, como se a banda fizesse o número junto com eles”.

Para que tudo saia corretamente é necessário muito trabalho. Enquanto o público se concentra no que acontece no palco, Gabriel e sua equipe acompanham tudo através de câmeras e ditam o ritmo da banda. Outro grande desafio para o músico paulista foi deixar sua vida em São Paulo e se mudar para o Rio de Janeiro. Ele e mais 80 artistas estão morando em trailers no estacionamento do Via Parque: “eu me surpreendi. Apesar de ser pequeno (o alojamento) temos muito conforto. Quem veio, chegou apavorado e ficou tranquilo. Aqui você nunca está sozinho. É uma família”, comemora.

Abracadabra, um sonho da infância

Criador do Circo, Frederico Reder falou sobre sua história e algumas motivações que o levaram a trabalhar trazendo alegria para as pessoas.

"Quando eu tinha três anos os meus avós me levaram em um circo e, desde então, eu só penso em ser palhaço, em fazer palhaçada. É um sonho de criança. Eu acho que a minha infância foi tão boa que eu resolvi ficar nela. Eu amo fazer entretenimento para criança, principalmente para a família, para a criança que existe em cada um de nós. O circo é uma arte muito envolvente, muito carismática com todas as idades e classes sociais. Isso é um encanto que eu tenho! Eu amo rir, eu amo ser feliz, eu amo a superação", afirmou Reder.

Por final, Reder resumiu em uma frase a importância do Reder Circus e todo seu objetvo: "eu adoro uma frase do Walt Disney que diz 'eu prefiro o impossível, porque lá a concorrência é menor'. E tudo o que se faz no circo é impossível, não é algo do cotidiano. Então a hora que você senta para ver pessoas se superando, você se surpreende com a possibilidade do ser humano de ser cada vez melhor. No inconsciente é isso que me move. E quando me aposentar, o meu grande desejo é virar palhaço do circo, divertir pessoas para que elas deem cada vez mais risadas e sejam cada dia mais felizes".

Com capacidade para 900 espectadores, o Reder Circus funciona de quinta-feira à domingo, e também nos feriados. O circo possui dois horários: 17h30 e 20h30. Dividido por setores, os ingressos variam de R$ 30 a R$ 250.