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Por Gabriel Suares e Ive Ribeiro

Com o único objetivo de tratar as Lagoas de Jacarepaguá, o biólogo Mário Moscatelli lançou o projeto ‘Lagoa Verde’, no qual se trata de um alerta às autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário sobre a situação do biossistema da região da Barra.

Moscatelli, entende que o estado das lagoas é impróprio e necessita de mudanças e medidas urgentes, a fim de que consigam salvar o ecossistema presente nas lagoas: “
Torna-se emergencial a tomada de ações práticas tanto sobre as causas como consequências, destacando que já existe projeto para tal finalidade no que concerne o combate às consequências, elaborado pela Secretaria de Ambiente do estado do Rio de Janeiro em virtude dos jogos olímpicos de 2016”, diz o biólogo e mestre em Ecologia.

Confira o documento enviado na íntegra:

PROJETO OLHOVERDE

Autoridades do estado e município do Rio de Janeiro

Sociedade da cidade do Rio de Janeiro

O atual documento fotográfico, fruto dos voos efetuados pelo projeto OLHOVERDE sobre a baixada de Jacarepaguá no período pós olímpico (2017/2019), período no qual deveriam ter se consolidado os supostos legados ambientais que não se materializaram, indicam claramente o agravamento das causas e das consequências dos dois principais protagonistas do processo de degradação ambiental, perda de qualidade de vida e potencial desvalorização econômica da região:

1-Crescimento urbano desordenado.

2-Falta de saneamento universalizado.

Consequência dessas duas principais causas, todos os rios/canais* que chegam ao sistema lagunar, transformaram-se em valões de esgoto e as lagunas em imensas latrinas e depósitos de resíduos variados.

Em resposta às agressões sofridas, tem sido observada florações quase que permanentes de cianobactérias e multiplicação fora do normal de macrófitas aquáticas que não poucas vezes acabam atingindo as praias com grande volume de resíduos associados, provocando restrições permanentes ao banho no principal ativo ambiental e econômico da cidade do Rio de Janeiro que são suas praias - Praia da Barra.

Já há três décadas, o sistema lagunar de Jacarepaguá, constitui-se no maior passivo ambiental exclusivo do município do Rio de Janeiro.

Destaca-se nessa situação o progressivo colapso da laguna da Tijuca, transformada num canal raso, cercado por ilhas de lama e lixo, onde 90% de seu espelho d’água desaparece nas marés mais baixas, acumulando estimados em 2007, 6.5 milhões de metros cúbicos de sedimentos e resíduos.

Além do problema de perda de biodiversidade, produção permanente de metano e gás sulfídrico, a laguna da Tijuca por ser a principal via de drenagem dos maciços da Tijuca, Pedra Branca e bacia hidrográfica local, torna-se com seu processo de assoreamento acelerado, uma "bomba relógio" ambiental que poderá gerar inundações nunca jamais vistas na região da baixada, mais graves que as de 1996 e 2010.

Não apenas as lagunas mas também canais de drenagem** mostram-se completamente obstruídos pelo crescimento acentuado da macrófitas aquáticas, fruto do despejo de esgoto nos canais e da falta de manutenção periódica dos mesmos, afetando mais uma vez a já pouco eficiente drenagem existente.

Mesmo determinações do TCU indicando a conclusão das obras não efetivamente iniciadas, não deram qualquer resultado prático na gravíssima situação ambiental.

INSTITUTO MANGUEZAL  

Diante deste quadro, solicita-se das autoridades do executivo, legislativo e judiciário, atenção redobrada para as causas e consequências de décadas de completo descaso que inevitavelmente irão cobrar em algum momento o preço por tanto tempo pela ineficiente gestão e consecutiva inutilização dos recursos naturais da região.

Torna-se emergencial a tomada de ações práticas tanto sobre as causas como consequências, destacando que já existe projeto para tal finalidade no que concerne o combate às consequências, elaborado pela Secretaria de Ambiente do estado do Rio de Janeiro em virtude dos jogos olímpicos de 2016.

Agradecido pela atenção

Biólogo Mario Moscatelli

Mestre em Ecologia

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