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O JORNAL DA BARRA entrevistou nesta edição, um dos principais personagens do mundo da beleza: Serginho Mattos, dono da Rio 40º Graus Models, a maior agência de modelos do Rio de Janeiro, que fica localizada no shopping Downtown, na Barra da Tijuca. Apelidado carinhosamente como o “mago da beleza”, Serginho contou a história de sua carreira, celebridades que ele revelou e também comentou sobre as suas opiniões e perspectivas que envolvem a moda e o estilo de vida.

Serginho alertou também sobre alguns perigos e picaretagens que estão inseridos neste meio, e de como tais fatores podem atrapalhar o sonho de muitas mulheres e homens. Confira a nossa entrevista exclusiva:

Serginho, primeiramente, como é que você começou neste mundo mágico da beleza e de descobrir talentos?

Bom, eu era da Yes Brasil e comecei lá como vendedor na loja, e era uma loja badalada que nos anos 80 e 90 era aquela coisa colorida e cheio de energia. Eu tinha um sonho de entrar naquela loja porque eu achava divertido, e foi lá que funcionou como um estágio para mim no mundo da moda, né? Eu conhecia vários produtores, e eles abriram uma filial em São Paulo e me mandaram para ser gerente lá. Quando eu fui, levei comigo uma galera e todos viraram modelos.

As lojas de grife da época tinham essa relação com a beleza muito forte, né?

Exatamente! Era gente bonita e descolada. Então era aquela galera moderna mesmo, para frente, e eu entrei de cabeça nisso. Foi em São Paulo que tudo aconteceu. As agências estavam começando a ‘bombar’ por lá, e a agência Elite veio ao Brasil e me chamou para ser o primeiro booker deles, e eu viajava o Brasil inteiro, em um concurso The Look of the Year, onde vários nomes foram revelados da Elite, do John Casablancas, que inclusive foi meu mentor nessa história toda. Aprendi muito com o John a ter um olho clínico, a não somente descobrir talento, mas lançar e fazer um planejamento de carreira, direcionar um modelo para cada perfil... E foi muito legal, eu aprendi bastante.

Desde 1988 até 1999 eu trabalhei naquela agência Elite.

Como era administrar esse sonho e vivenciar o bastidor da transformação? Aquela pessoa que por exemplo, entra extremamente humilde na loja, ou uma pessoa que nem percebe que ela tem os pré-requisitos para uma carreira de modelo. Como você consegue ter esse olhar clínico, de enxergar através de várias camadas que a pessoa tem?

Eu fui aprendendo isso com o tempo. Cada um tem um perfil. A gente tem que saber captar qual perfil e onde a gente pode direcionar essa pessoa. Então, existe um mercado comercial, que é para as meninas mais com curvas, com uma cara bonita, que é o mercado da publicidade. Então, quando vemos que uma modelo tem esse perfil, vamos direcionar para aulas de teatro, para ela ser comunicativa e ter bastante presença.

Existe também o mercado fashion, que é o mercado dos desfiles e das revistas. Para este, as meninas têm que serem muito magras, altas, pernas compridas...Então é um perfil específico. A gente já sabe né? Quando a gente bate o olho naquela menina, às vezes desengonçada ou tímida, e aí a gente sabe que ela tem um potencial. Então vai ter que ter aula de passarela, de andar de salto alto e o grande segredo é que você aprende fazendo. Essa profissão não tem uma escola na qual você aprenda a ser modelo, pois a personalidade conta mais que a beleza. Nossa missão é desenvolver com a pessoa essa coisa, de tirar de dentro essa energia vital, que é aquela presença de uma modelo “chegar chegando”.

Na questão de remuneração entre a top model e de um homem que faz moda, até hoje existe essa diferenciação ou está cada vez mais curta essa diferença entre o homem que faz sucesso no mundo da moda e a mulher que também faz sucesso nesse ramo?

A mulher ganha mais que o homem na moda por que mulher tem muito mais volume de trabalho. É muita mais maquiagem, shampoo e roupas para o mercado feminino do que para o masculino, apesar de que há uma mudança, há uma crescente no número de homens que estão mais vaidosos, usam cremes, shampoos... Ou seja, o mercado está crescendo bastante para o universo masculino, mas as mulheres ainda dominam o mercado.

Queria que você falasse da Rio 40º Graus Models e da equipe que você tem, pois antes de tudo, é um trabalho de equipe.

Eu tenho uma equipe que está comigo há muito tempo. Eu tenho a Cristine que é a minha booker desde a época da Elite; o Felipe cuida da publicidade; a Jú trabalha com toda a parte material, o que é importante porque o modelo já é um próprio book. Então é toda uma estrutura que temos. A gente faz um workshop aqui todos os meses, que serve para auxiliar quem está entrando na agência. E com isso, eu fico o final de semana todo dando aulas de postura, aulas de comercial de TV e de fotografia. Montamos todo o estúdio para que elas já coloquem um pouco em prática aquilo que vai ser exigido durante toda a carreira delas. Eu acho muito importante isso, esses toques para que se possa tirar de dentro delas a sua personalidade e a segurança.

Por volta de cinco, oito anos atrás surgiu uma indústria paralela querendo capturar esse sonho de uma forma picareta, ou seja, vender book, criar cursos... Enfim, começou a ter uma proliferação, quase que uma epidemia. Como é que separa o joio do trigo neste processo?

Você falou a frase certa: ‘separar o joio do trigo’. Hoje em dia todo mundo tem um site, todo mundo tem referências. Então se você recebeu convite hoje em dia na internet, todo mundo é caça-talentos, todo mundo é fotógrafo, todo mundo tem agência... e a maioria é fake, realmente.

Tem que saber quem é quem. Tem que saber quem é essa agência, quais modelos eles já lançaram, quem está ali, qual pessoa da moda que pode dar referência? Porque se a agência é boa, os fotógrafos vão recomendar, as pessoas da moda e de confecções também farão o mesmo.

Agora, você não sabe essas coisas por sites, não tem um lugar. Aí é só um estúdio ‘lambe-lambe’ que às vezes faz sem maquiagem e sem nada. Então tem que ter muito cuidado pois hoje em dia eles vão muito no interior, e sempre com esse mesmo papo de perfil e ‘pá pá pá’, aí você chega lá e tem que gastar uma fortuna para às vezes nem receber um book. Precisa ter cuidado.

Queria falar sobre o perfil do carioca e o seu lifestyle. Tem diferença? Um jovem ou uma garota do Rio de Janeiro tem um jeito diferenciado ou não?

Olha, o Rio tem muita dessa coisa da ‘moda praia’. A pessoa é mais descontraída, anda de chinelo, anda de biquíni no meio da rua, assim, o carioca tem uma coisa de ser mais à vontade. Essa ‘moda praia’, esse samba na veia, sabe? Eu acho que isso é uma coisa que é uma vitrine para o mundo.

O pessoal sonha em vir para o Rio de Janeiro exatamente para ter essa visão da praia, da galera mais descontraída. Nós temos essa característica.

Mas a ponte-aérea na propaganda do comercial funciona entre Rio-São Paulo?

Sim, a gente tem que complementar. Atualmente, São Paulo é o maior mercado da publicidade da moda. Então, todo modelo que eu descubro aqui, eu preparo, e uma hora ou outra vai ter que alcançar o mercado de São Paulo também.

Da sua bagagem e experiência desde o Elite, qual foi o momento que você acertou e que teve repercussão internacional? Eu queria que você falasse sobre os nomes que você revelou para o mundo.

Cauã Reymound, que hoje é uma estrela e começou como modelo, tentou como todo mundo. Eu mesmo fiz as primeiras fotos dele e mandei para Bruce Webber, aí o Cauã foi para Miami fazer uma campanha logo no começo da carreira, e ele era um pouco tímido, era lutador de jiu-jitsu, mas eu já olhei aquele potencial que era um garoto de muita estrela, e hoje em dia ele realmente é uma estrela. Teve a Ana Beatriz Barros, a Raica Oliveira, Daniella Sarahyba, a própria Gisele Bündchen que eu acompanhei dos 14 aos 18 anos no início da carreira.

É muito legal, porque todas elas começam muito novas, e as pessoas acham que elas já nascem como ‘a Gisele’, ela é ‘a Gisele’ agora. Ela começou como uma menina de 14 anos como outra qualquer, cheia de sonhos e dúvidas, mas ela teve muito foco, porque não basta só querer ser modelo, tem que ter profissionalismo, fazer as escolhas desde o início da carreira.

Também o Márcio Garcia, agora veia a Agatha Moreira, Pablo Morais, Mariana Rios, Rômulo Arantes... uma turma que não fica só na moda, mas vai para a televisão.

Eu queria falar dessa linha, que é uma linha comum que mistura a moda, seja o modelo estático, fotografado ou objeto, do ator. Esse segmento que você atua, a Rio 40° graus está irrigando muito a teledramaturgia.

Exatamente, porque o modelo começa a se conhecendo como imagem, e ele trabalha sua imagem, mas aos poucos ele tenta ampliar esse horizonte. Então, muitos viram produtores, fotógrafos, outros vão ser jornalistas ou colunistas de moda. Em 30 anos de carreira, vários modelos meus já viraram clientes... fotógrafos, produtores, até apresentadores de televisão. Tem uma hora que abre o leque para oportunidades, então, os que tem sensibilidade, vão querer optar para isso mesmo.

Uma grande qualidade e ativo que você tem é o seu grande respeito pelo seu protegido, sua equipe. Mas você tem nesse mundo, e isso serve como alerta para o nosso leitor, que é ter o nuance do assédio sexual embutido nessa vida de ilusão. Isso é muito grave e mata o mercado.

Isso em qualquer lugar, tem no hospital, escola, na própria portaria do seu prédio você pode ter acesso a um assédio. Mas o modelo está muito em evidência, ainda mais hoje em dia com as redes sociais. A gente sempre procura falar com as pessoas que é preciso ter posicionamento.

Você é muito rigoroso em relação a droga, isso estraga uma carreira. Existe uma coleção de nomes que por comportamento inconveniente nesse consumo de droga acabou definhando a carreira.

A gente vende beleza, a moda quer beleza. Se a pessoa se droga, fica com cara de doente é difícil alguém querer contratar. Você está trabalhando com sua imagem, então é preciso saber se seu comportamento é legal. As pessoas veem o book do modelo, mas também as redes sociais então se você cai na gandaia e tem uma vida totalmente nada a ver a pessoa não vai querer sua imagem vinculada aquela marca.

As pessoas não querem só a imagem da modelo, mas querem o nome da modelo. Quando se contrata uma Gisele sabe que vai vim não só uma modelo, mas uma pessoa com um nome. O ideal é que todo modelo que comece uma carreira já saiba que é preciso criar uma imagem no mercado, o nome dela tem que ser de impacto.

Agora eu queria falar de uma forma didática para quem é jovem e está nos assistindo, queria que você desse alguns ingredientes para aquela pessoa que sonha em seguir essa carreira e se ela tem condições ou não.

Todo mundo acha que pode ser modelo, então a melhor coisa é procurar um profissional para que ele fale realmente se é possível, porque toda mãe acha que a filha é a mais linda do mundo. Não é só a beleza, tem que ter um conjunto de coisas que só um profissional vai falar se pode ou não. Sendo assim é muito importante se conhecer, saber os ângulos das fotos e as poses que melhor favoreçam, um autoconhecimento. A melhor coisa é fazer teatro, estudar expressão corporal, dança ou qualquer outra coisa que te faça despertar.

Concurso de beleza, isso pode ser um referencial para botar um spot light em cima de uma pessoa?

Eu fazia o The look of The Year, um concurso que realmente lançava todas as meninas no mercado. Então um concurso de modelo pode ser uma oportunidade boa, nem sempre a mais bonita é a vencedora, mas pode ser uma oportunidade de criar networking, conhecer pessoas e estar ali pegando um pouco de experiência.

Com relação a cuidados estéticos, pele e cabelo, eu queria que você desse alguns segredos para o nosso público.

Essencial uma pele boa, cuidados com o cabelo, saber se vestir. Não exagerar no brinco ou na maquiagem e optar por um look mais básico: jeans, camiseta, biquíni preto por baixo e salto. Ficar tranquila, autoconfiança e presença são muitos importantes. Quando a gente vê uma fila de modelos, aquela que se destaca é a que tem mais presença. Sempre pesquisar antes de aceitar qualquer convite e procurar agências sérias com nome no mercado, muito cuidado com esses books e serviços que são oferecidos na internet porque a maioria é roubada.

Com relação ao modelo masculino, qual é o perfil hoje do homem que está sendo procurado pelo mercado de moda e da publicidade?

O rosto bem forte e expressivo, pode ser qualquer perfil não tem problema enquanto isso. O corpo tem que ser definido, que aí ele pode vestir bem uma roupa e também fazer moda-praia.

Um corpo definido não significa estar ’bombado’ em excesso...

Exatamente, não é um concurso de fisiculturismo. Então a gente não quer um cara muito grande porque ele tem que entrar bem na roupa, tem que vestir um terno e ficar bem de sunga. Esse é o modelo ideal.

Em relação a exigência do mercado que acompanha fases. Há 10 anos atrás qual era o tipo de perfil?

Teve uma época que usavam modelos muito magros e quando a Gisele Bündchen chegou, ela já quebrou essa barreira. A beleza sempre vai estar em alta, então se você gosta de um determinado perfil, como por exemplo as Plus-Size, sardas ou pessoas comuns com certeza irão encontrar. Os negros estão ’bombando’ no exterior e nos desfiles internacionais, então o Brasil sempre vai estar em alta porque nós temos toda essa diversidade.

Essa diversidade e mistura de raças que formam o Brasil, isso para você é uma matéria prima maravilhosa?

Maravilhosa, e é vista muito bem lá fora. As pessoas realmente adoram esse nosso visual, esse exotismo da mistura negro com alemão, a boca carnuda, olhos rasgados e com muita personalidade que nós temos.

Nós estamos aqui na 40º Graus Models, no Downtown, na Barra da Tijuca, que agora é sua casa.

Agora a gente mudou para cá, antes era em Botafogo, e estamos adorando esse lugar. É perto do metrô, perto de tudo. A galera vem aqui super feliz, o Downtown é um lugar muito gostoso.

Você vai ter agora um workshop no final do mês de junho, mas todo mês você tem?

Todo mês tem workshop aqui, você entra pelo site da 40 ° e faz a sua inscrição, se você tem interesse de conhecer um pouquinho da moda.

Quem sabe você vai ter o privilégio de estar aqui nessa galeria, com gente bonita que faz da 40 ° Models um local diferenciado. Como conterrâneo eu acompanho sua carreira a bastante tempo, sei da sua seriedade, postura, ética e nós estamos aqui exatamente hoje para auxiliar o nosso espectador de forma didática e saber que aqui na Barra você pode decolar sua carreira e ter a sorte como grandes nomes já tiveram de ter o Sergio Mattos como padrinho.

Esse aqui é o power da Barra, é necessário mostrar exatamente esse tipo de ativo que a nossa região tem que é extremamente fundamental.