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Por Gabriel Moses

O JORNAL DA BARRA entrevistou um dos maiores desenhistas, autores e escritores do mundo: o pai da Turma da Mônica, Maurício de Sousa. Presença ilustre na Bienal do Rio 2019, Maurício falou sobre o seu trabalho de inclusão para pessoas com deficiências físicas, o sucesso estrondoso da Turma da Mônica nos países asiáticos, principalmente no Japão, e sobre o aniversário de 60 anos de sua obra prima que atrai todos os públicos no Brasil.

Confira a entrevista na íntegra:

O JORNAL DA BARRA está aqui hoje com Maurício de Sousa, um dos maiores e mais renomados autores, escritores e desenhistas do brasil, e até mesmo do mundo.

 

A Turma da Mônica agora está contando com personagens que possuem certa deficiência. eu queria saber o importante papel do seu trabalho desempenha para a inclusão aqui no brasil.

Nós estamos tentando chegar ao nosso público, principalmente ao público infantil, com personagens que os representa. E logicamente, nós sabemos que tem com diversos tipos de problemas físicos e tudo mais... crianças alegres, crianças tristes, crianças que não gostam de tomar banho, crianças que são meio nervosinhas, crianças que comem demais.

Então, eu acho que, se puder ampliar a gama de personagens com essas características diferenciadas, nós estaremos atingindo um público que vai se sentir representado. Então, é por isso que temos personagens de todas gentes e de todo o tipo, de certa maneira, acompanhando a realidade da vida, por que eu me lembro que foi a minha infância.

Eu tinha vários amigos que tinham problemas de locomoção, que não ouvem, não falam, e tudo mais... o Cebolinha é um personagem baseado num amigo do meu irmão que tinha problemas de dislalia e falava igual ao Cebolinha. O Cascão era um garoto que existia lá em Mogi das Cruzes e jogava bola com meu irmão, e realmente ele fugia da água.

Então, eu olhei o que havia e me lembrei do que sabia e resolvi colocar nas nossas histórias.

E agora sobre um outro tema, eu queria falar sobre a abordagem da Turma da Mônica mundialmente falando, mais especificamente no Japão. A Turma da Mônica é sucesso em mais de 40 países espalhados pelo mundo. só que no Japão, parece que lá bombou mesmo de vez com o passar dos anos.

É uma situação diferenciada. nós temos por exemplo hoje, um produto e desenha animado chamado Mônica Toy, que é distribuído mundialmente pelo YouTube. Temos mais de 12 bilhões de livros, uma coisa que demanda o mundo inteiro. Só que quando a gente esteve no Japão, com o livro Mônica Toy, encontra um público brasileiro ou um público de imigrantes brasileiros que trouxe toda uma cultura, uma nostalgia das coisas do brasil, e levou pro Japão e, de alguma maneira, influencia até o público japonês.

Então, o Japão é um caso especial, e os imigrantes também fazem a festa e fazem a gente se sentir em casa quando estamos lá

Sobre os 60 anos de aniversário da Turma da Mônica... lá no começo, em 1959, o senhor esperava realmente alargar as tendas do seu trabalho?  Ou seja, não é só mais desenho, tem videogame, tem CD, diversos livros, enfim, o filme live-action que lançou esse ano... O senhor pensava realmente que fosse algo tão grandioso e que ganhasse uma forma tão grande como tem hoje em dia?

Eu planejava tudo isso, mas nunca adivinharia que iria dar certo desse jeito. bem, tudo que você faz com o coração, conhecimento, preparado e tudo mais... se você continuar insistindo, botando o foco lá e seguindo em frente, dá certo.

Eu sou otimista. Eu sentia que poderia atingir esses objetivos todos, mas a certeza de que eu iria conseguir, ninguém tem e eu também não tinha.

Isso merece, ou melhor... isso exige um trabalho constante com foco permanente, e além disso, gostar do que faz. E bom, estar em fase criativa o tempo todo. Acompanhando o pensamento de hoje, acompanhado uma tecnologia. Com essas plataformas de comunicação que a gente pode usar, utilizar e se realizar com ela: são várias cada vez mais, tem que estar ligado eu e a equipe toda, eu possuo uma grande equipe, estar atento às conjunturas, às mudanças, aos modismos e observar se está funcionando do jeito certo, principalmente porque  é bom o negócio...  para pagar o salário anterior, tem que receber, tanto isso com a vontade de fazer, gostosura de fazer e possibilidade de dizer: “eu sei fazer”.

Então, eu acho que só podia  dar e eu estou, nesse momento, chegando na bienal do rio, na bienal do livro, e estou deixando um rastro de felicidade ou, às vezes, o que eu tenho, um pouquinho de frustração porque eu não pude atender às milhares e milhares de crianças que havia lá , pedindo  autógrafo, pedindo minha presença. Aceito, voando - infelizmente -, mas atendi quem eu pude em palestras, nos meus contatos com elas. e isso vale tudo! eu penso que vão sentir como eu me sinto, que estou ajudando a alfabetização da criançada. essa é a medalha que eu gosto de ter no peito.