Cerca de 35 mil brasileiros são portadores de esclerose múltipla, segundo os números da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), de 2016. Por isso, há 12 anos, comemora-se o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, no dia 30 de agosto. Ações por todo o país marcam o Agosto Laranja, que tem o objetivo de informar a população e arrecadar doações para o tratamento da doença. Engajado nesta campanha, o JORNAL DA BARRA entrevistou Maria Lúcia Pimentel, que é doutora em neurologia pela UFRJ e professora da PUC.

O que é esclerose múltipla: é uma doença do sistema nervoso central, autoimune, inflamatória, desmielinizante e degenerativa que atinge, principalmente, adultos e jovens, entre 20 e 40 anos de idade e, especialmente, mulheres. É mais rara antes dos 10 anos e depois dos 50 anos. Há uma estimativa de 2,5 milhões de pessoas com essa doença no mundo.

Causas: ao contrário de muitas doenças, não existe um marcador biológico (células especificas, moléculas, enzimas ou hormônios) que identifique a doença, não sendo possível prever a sua evolução clínica. Não se conseguiu determinar, até o momento, uma causa única para esta doença. Há muitos fatores de risco associados, tais como: genéticos, ambientas, sociais, alimentares, estresse, agentes infecciosos e tabagismo.

Sintomas: é uma doença heterogênea com diferentes formas de apresentação quanto aos sintomas e à sua evolução clínica, portanto, cada paciente é único. A diferenciação entre as formas clínicas é importante para uma estimativa do prognóstico e orientação do tratamento. Com o surgimento da ressonância magnética, pôde-se ter um melhor caminho da evolução da doença, sendo possível quantificar o número de lesões no sistema nervoso central e observar novas lesões, mesmo nos pacientes assintomáticos. A ressonância é fundamental para o diagnóstico inicial e para o acompanhamento dos pacientes, na avaliação da atividade e da resposta terapêutica.

Avanços da medicina: até a década de 90 não havia tratamento específico para a doença. Em 1993 surgiu o Interferon Beta 1 B, um imunomodulador, tornando-se o primeiro agente que alterou positivamente a evolução da doença. Em 2004 foi aprovado nos Estados Unidos o primeiro anticorpo monoclonal, com melhor eficácia terapêutica. Em 2010, foi aprovada também nos Estados Unidos, a primeira droga para uso oral, o Fingolimode, seguindo-se a Teriflunomida em 2012 e o Fumarato de Dimetila em 2013. Todos, exceto os dois últimos, estão disponíveis no SUS. Apesar da praticidade do uso, as medicações orais requerem maior vigilância e é fundamental o acompanhamento médico regular. O transplante de células tronco está indicado apenas para alguns casos de maior gravidade, com alta atividade da doença e que não responderam ao tratamento com as drogas citadas.

Tratamento: deve ser feito por neurologista especializado na doença e que esteja atualizado com os constantes avanços em pesquisas que modificam o conhecimento e a conduta na terapia da doença.

Onde tratar no Rio de Janeiro: a Santa Casa da Misericórdia dispõe de um ambulatório de referência para o atendimento aos pacientes, que funciona às terças feiras pela manhã (tel.: 2524-4424 ou 22407654). Outros centros são: Hospital do Fundão, Hospital da Lagoa, Hospital Federal dos Servidores do Estado, Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Hospital Pedro Ernesto e Hospital Antonio Pedro.

Cura: apesar de ainda não haver uma cura, pode-se observar, ao longo dos dez últimos anos, uma indiscutível melhora na qualidade de vida dos pacientes.

Campanha “Pedale Por Uma Causa” acontece no dia 30 de agosto

Uma pedalada, que parte do Clube Israelita, que fica na Rua Sylvio da Rocha Pollis, na Barra, está arrecadando doações para o tratamento da esclerose múltipla. Para saber mais como ajudar no Agosto laranja, entre no site: https://agostolaranja.org.br/ .