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O conceito de desenvolvimento sustentável preconizado pela Organização das Nações Unidas - ONU diz que as necessidades da geração atual não podem comprometer a capacidade de atender as necessidades das próximas gerações. Esta pode ser alcançada através do equilíbrio entre a conservação da natureza, o benefício social e humano somado com a viabilidade econômica do processo.

No caso das lagoas do complexo lagunar de Jacarepaguá, que nas últimas décadas vem sofrendo crescente processo de degradação, como conseguir atingir a sua sustentabilidade ambiental? Como equilibrar estas 3 premissas de sustentabilidade? Manter a natureza viva, oferecer benefícios à sociedade e atingir a viabilidade econômica do processo?

Para isso é necessário inovar e desenvolver outros usos. Não é lógico insistir apenas no uso de local para o lançamento de poluentes aproveitando-se unicamente dos serviços ambientais de reciclagem da matéria orgânica e do lixo descartado no ambiente lagunar. Neste caso, o transporte lagunar, o turismo, a pesca artesanal, a prática de esportes náuticos, a marina segura das embarcações de passeio e lazer, dentre outros são outras alternativas que agregam mais valor econômico e benefícios sociais. Estes usos exemplificam a viabilidade econômica que será uma das pernas da sustentabilidade lagunar trazendo recursos para a conservação ambiental. Com recursos advindos dos investimentos e dos serviços prestados por estes usos e atividades poderse-ia realizar as dragagens de manutenção tais como: ações de recuperação do ambiente natural dos canais navegáveis, recompor e manter a vegetação da faixa marginal lagunar realizar o tratamento das águas contaminadas dos rios e canais que deságuam na lagoa. Da mesma forma são evidentes os benefícios sociais adquiridos pela viabilização de usos mais nobres do complexo lagunar. Naturalmente que ao se conseguir "por de pé" estes novos usos, iniciar-se-á uma reação em cadeia positiva para que se viabilize ou se cobice outros usos tão nobres como economicamente vantajosos para o empreendedor que investe, como para os moradores da região que usufruem.

Dentre estes inúmeros usos, o transporte lagunar se destaca pelas condições geográficas existentes, da necessidade urbana e da oportunidade do momento. Contudo, como toda obra de envergadura é preciso saber pensar por etapas. Seria inviável pensar na implantação do transporte lagunar de forma plena e sustentável para todas as lagoas em função da enorme degradação decorrente do lodo acumulado durante mais de 30 anos de abandono e do mau uso das lagoas. Neste caso a segmentação da implantação poderia ser útil para viabilizar o transporte lagunar.

A primeira linha de transporte lagunar seria ao longo do canal de Marapendi em função de sua alta densidade de ocupação e existência de profundidade adequada para a utilização de embarcações tradicionais. Com pequeno investimento de adequação e manutenção das margens e largura ao longo do canal de Marapendi poder-se-ia estruturar o 1º trecho de navegação lagunar.

Através deste protótipo inicial seria possível testar e comprovar na prática a melhor opção de funcionamento desta nova alternativa de uso para as lagoas. Sem dúvida para este uso não seria possível a continuidade de lançamento de resíduos e esgotos. Os usuários seriam fiscais diários dos descartes clandestinos e do mau uso do meio ambiente. Parte dos recursos gerados retornaria para a conservação ambiental da área de influência direta do projeto.

Assim se estabelece o equilíbrio entre os benefícios sociais, a conservação da natureza e a viabilidade econômica, premissas básicas para desenvolvimento sustentável. Basta saber escolher os usos mais adequados e que privilegiam as 3 pernas da sustentabilidade. "Pensar globalmente, mas agir localmente."

Prof.  David  Zee
Vice-Presidente  da  Câmara Comunitária Barra da Tijuca