Por Marcelo Perillier

Maio não é considerado apenas o mês das noivas, mas também o das mães. No dia 13 de 1917, Lúcia, Francisco e Jacinto avistaram, na Cova da Iria, em Portugal, a primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima, uma das representações da Virgem Maria. Ano passado, o JORNAL DA BARRA fez duas grandes reportagens sobre o centenário, celebrado na primeira réplica do mundo da Capela das Aparições de Fátima, situada no Recreio (próxima ao Shopping Barra World).  Para este ano, o Santuário espera receber um bom número, como revela Berthaldo Soares, fundador da pastoral Tarde com Maria: “o Santuário, a Capela das Aparições, vem num crescente. E o interessante disso é que ela vem crescendo com estrutura, não fazendo aquele “boom”. Podemos dizer que de um ano para outro tivemos 500 mil visitantes a mais, mas Deus é tão bom que a estrutura humana que necessitamos também cresceu”, disse Berthaldo, enumerando as melhorias no local: “aqui ao lado temos a Capela de Adoração ao Santíssimo Sacramento. Vamos dizer que nesses três anos, tínhamos uma preocupação do Santíssimo não ficar sozinho. Hoje não temos mais essa dificuldade, porque fica 12 horas com gente. Ainda temos um período sem quórum, de 12h as 15h30 de domingo”.

Berthaldo explica como surgiu a inspiração para o projeto: “Já tinha 20 anos de trabalho pastoral na arquidiocese do rio, com a Tarde com Maria, e Nossa Senhora me deu inspiração em Fátima, para a construção da replica da Capela das Aparições. E para meu total espanto, o projeto foi aprovado. Porque, em 100 anos, é a única réplica ate hoje autorizada por Fátima, pelo bispo, reitor da Basílica e pelo arquiteto que desenhou essa igreja”.

Ele, no entanto, relata outros motivos que, talvez, vieram a ser decisivos para a inédita autorização: “nós temos uma documentação crítica de tudo que aconteceu nas aparições, de 1919 a 1930 e todos os relatos de quem esteve lá. E nela diz que, em 1929, dois industriais fluminenses pediram que o bispo de Leiria abençoasse uma imagem de Fátima. Eles a tocaram na Capela das Aparições e trouxeram para o Rio de Janeiro. E essa foi a primeira imagem de Fátima exposta ao culto publico no mundo. E diz a documentação critica que todas as associações e irmandades que estavam presentes nessa procissão davam mais de 10 mil pessoas”.

O fato de a igreja ter sido construída no Recreio não foi algo tratado como negativo por Berthaldo. Pelo contrário, ele alega que foi um “pedido” de Nossa Senhora:O Santuário foi feito no Recreio porque foi onde nos conseguimos o terreno, mas acho que também é porque faz parte do plano de Nossa Senhora. A expansão da cidade vem para o nosso lado, e acho que Nossa Senhora tem esse carinho e cuidado, pois ela quer chegar junto dos seus filhos para anunciar a todos a sua mensagem, que é rezem o terço pela paz do mundo e pelo fim da guerra”.

No entanto, ele confidencia que a obra ainda não acabou: “a Capela terminou, mas o Santuário não, pois ainda tempos para construir a casa dos padres, o centro de atendimento ao peregrino, o centro de evangelização e a garagem, porque o santuário sempre teve uma preocupação de causar impacto viário. Empreender no Brasil é difícil, e de graça é mais ainda. Porque não estamos a falar de um empreendimento comercial, e sim de um espiritual”.

Ele explica a diferença da Capela das Aparições para as demais igrejas católicas na região: “nós não somos uma paróquia, e nem canonicamente falando, pois somos um santuário. Temos uma missão definida como santuário, que deve receber e acolher o peregrino. Então, quando ele chega aqui, precisa encontrar o terço, a missa e o silencio. Essa é a missão da Capela das Aparições”. Entretanto, Berthaldo afirma que tiveram pedidos para realizar outras cerimônias: “De vez enquanto tem adoração ao santíssimo sacramento. Muitos nos questionam sobre casamento, grupos de adoração. Mas o bispo de Leiria, quando nos autorizou, foi muito claro. Existem bons lugares e boas paróquias para muitas atividades e a Capela das Aparições precisa guardar o carisma para qual ela foi construída”.