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Por Ive Ribeiro

Mulher realizada, policial linha dura e vovó coruja da Flavinha. É dessa forma que Marcia Julião, delegada da 42ª DP, se define. De filha de açougueiro semianalfabeto à homenageada pelo Presidente da República, Julião começou a carreira como professora de educação física, passou em concurso para escrivã da polícia, onde permaneceu por 10 anos, e em 1994 tornou-se delegada, função em que acumulou homenagens públicas como as medalhas: Tiradentes, Pedro Ernesto, Zenóbio da Costa, Chiquinha Gonzaga, além de uma dada pela PM e três condecorações da Polícia Civil. Mas seu maior motivo de orgulho é a medalha dos Direitos Humanos, entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Eu sou filha de açougueiro. Alguém que nasce pobre e chega na frente do mandatário do seu país e ouve: “parabéns delegada, te entrego a medalha dos direitos humanos”, é um negócio bastante forte, bem bonito. Acho que não passa pela cabeça de uma garota que nasce em Campo Grande, filha de um camarada que tem o 3º ano do primário. Meu pai era semialfabetizado... Minha mãe é professora, mas não exercia, era dona de casa. Você não imagina chegar no dia 7 de setembro, Dia da Independência do seu país e receber uma medalha da mão do seu presidente. É algo que marca minha carreira, que tenho muito orgulho”.

Confira a entrevista exclusiva da delegada do Recreio, Marcia Julião:

Jornal da Barra: Como está sendo a sua gestão à frente da 42ª DP

Marcia Julião: Eu gostei de algumas coisas que a gente conseguiu fazer aqui no Recreio. Logo que a gente chegou, encarou o problema da violência contra a mulher na nossa região. Conseguimos apurar bastante, Encontrei três mulheres só para fazer crimes afetos à lei Maria da Penha, e acho que estamos dando uma resposta muito boa. Também gostei muito desse entrosamento que existe entre a 42ª DP, a 16ª DP e o 31º BPM. É uma interação muito importante. Trabalhamos muito fechados, muito unidos, a gente se fala 24hrs via WhatsApp. Outro ponto positivo foi a nossa aproximação com a comunidade. O Conselho Comunitário de Segurança é muito bem frequentado. O número de pessoas é grande, então, a gente tem vários segmentos da comunidade que são representados na reunião. Isso é muito bom, porque a polícia não vê tudo, mas a comunidade vê. A gente também teve muito apoio. O promotor aqui do Jecrim, Dr. Márcio Almeida, mestre em ações penais, vem mandando as pessoas que fazem transações penais no Jecrim para ajudar na delegacia.

Jornal da Barra: Como a 42ª DP está trabalhando com o Estado em crise?

Marcia Julião: A nossa delegacia, tem tudo. Não falta papel nem material de escritório. O próprio Conselho Comunitário de Segurança, por meio de um dos membros, que é o Pedro Paulo, vem ajudando muito através dos parceiros que ele consegue que são empresários. Você entra aqui e vê que é arrumadinha, bonitinha, com um ambiente de trabalho propicio, não só para quem trabalha, mas quem chega na delegacia tem a impressão que está num ambiente limpo e decente.

Jornal da Barra: E com a chegada do verão? Qual o planejamento da 42ª?

Marcia Julião: O fluxo tende a crescer mais ainda. Com uma praia maravilhosa dessas. Acho o Recreio um dos lugares mais bonitos do mundo. A praia é linda. Infelizmente, algumas pessoas têm uma falta de educação que é cultural, e elas se perdem, então você tem que chegar nelas e falar: “Ops! Não é assim, não”, vamos cuidar disso daqui. Quem ama cuida. O planejamento é você sempre tentar se antecipar à margem criminal. É você perceber onde que acontecem os delitos e aplicar o policiamento nesse local. A delegacia também começa a investigar estes camaradas que roubam. O planejamento de policiamento funciona nessas duas vertentes: no preventivo, que a PM que faz, e no repressivo, que a Polícia Civil vem fazendo.

Jornal da barra: Qual o recado mandar para os nossos leitores sobre o que podem esperar em 2018? E como delegada engajada no combate contra a violência à mulher, o que falar, principalmente, para as leitoras do Jornal da Barra?

Marcia Julião: Um recado que eu mando para nossa comunidade, é que cuidemos do Recreio todo mundo junto. A delegacia está aberta para quem quiser chegar aqui e conversar comigo, expor ideias e ajudar. O Conselho Comunitário é um local ótimo de reunião, em que as pessoas podem chegar lá e levar suas demandas.

Para as mulheres, o recado que eu tenho é que a mulher não é saco de pancadas, não é alvo do ódio do marido, companheiro, ex-namorado... A mulher tem que entender que ela tem exatamente os mesmos direitos que o homem tem, e a delegacia está aberta para que qualquer uma que se sentir vítima de violência venha até a delegacia, faça seu registro, que vai ser apurado com rigor. A gente não pode mais tolerar uma mulher ser agredida e não vir à delegacia porque sentiu vergonha ou porque está com medo. A Lei Maria da Penha é bastante boa, e a delegacia está em condições de cumprir essa lei.

Jornal da Barra: Muitas mulheres reclamam da forma como são tratadas nas delegacias quando vão prestar queixa. Na 42ª, tendo uma delegada mulher, é diferente?

Marcia Julião: Acho que todas as delegacias hoje têm condições de amparar e acolher uma mulher vítima de violência. Acho que todos os delegados de polícia do Rio de Janeiro estão engajados nessa luta contra a violência contra mulher. Na minha delegacia, tenho três mulheres fazendo só isso, sem falar na delegada que está aqui. Então, acho que a gente tem isso de bom. No plantão sempre tem uma mulher. Mas mesmo os homens e meu assistente que é delegado, todos são engajados na luta contra a violência contra a mulher. Não aceitamos esse tipo de delito e eu tenho certeza que essa modalidade está diminuindo nessa região